O que tá tendo pavê nessa fall season?

Já é outono no hemisfério norte e vocês sabem como essa estação é sempre igual, né? As folhas caem no quintal e vários seriados novos surgem pra fazer a gente sofrer querendo assistir tudo. Começou a tão esperada fall season estadunidense, em que as séries mais cotadas e ansiadas do ano fazem sua estreia. Diferente dos lançamentos que acontecem nas outras estações do ano, é na fall season que geralmente estão as grandes apostas das emissoras, e, por isso, é sempre interessante dar uma conferida no material que é liberado nessa época.

Nesse ano já tivemos uma grande novidade que foi o remake de MacGyver, uma estreia que conseguiu quebrar recorde de audiência, resultado possivelmente motivado pelos fãs da série clássica. Outros nomes ainda estão sendo esperados, como Channel Zero, que chama a atenção por seus teasers bizarros; ou No Tomorrow, a série comédia romântica baseada na produção brasileira Como Aproveitar o fim do Mundo; ou ainda Marvel’s Luke Cage, que estreia amanhã e vem sendo bastante aguardada, como é de costume das séries da Marvel produzidas pela Netflix.

Hoje falarei um pouco sobre algumas outras que já saíram do forno e que acabaram me impressionando de alguma maneira.

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Angie & Zahra: Amizade no fim do mundo

Você provavelmente já conhece Yulin Kuang. Talvez não pelo nome, mas por um de seus trabalhos mais famosos: O curta I Ship It, de 2014, com Mary Kate Wiles (Que já apareceu aqui quando a Sol falou de webseries), Sean Persaud e Joey Richter sobre uma cantora de wrock (Aquele estilo musical em que todas as músicas fazem referência a Harry Potter) que decide participar de um concurso de bandas de fandom para se vingar de seu ex-namorado. Recentemente, o curta foi regravado como uma série para a CW Seed.

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Mas o que você talvez não conheça são os outros trabalhos de Yulin. Nascida na China mas criada nos Estados Unidos, em Nova Jersey e depois na Pensilvânia, a cineasta é responsável pelo canal que leva seu nome e pelo Shipwrecked Comedy (Juntamente com Sean Persaud e Sinead Persaud) no Youtube, onde posta seus curtas e webséries. Entre seus trabalhos, temos a Tiny Feminists, um pequeno grupo de meninas que descobre o feminismo e resolve colocá-lo em prática em sua comunidade; Irene Lee, Girl Detective, uma menina que resolve ganhar dinheiro trabalhando como detetive e The Perils of Growing Up Flat-Chested, uma adolescente aprendendo a lidar com seu próprio corpo e seu novo namorado.

Como dá pra ver, os trabalhos de Yulin giram em torno de garotas – mais especificamente, mestiças. As atrizes principais são, em sua maioria, americanas de descendência asiática. Mas em nenhum momento esse é o foco de suas histórias. Ao contrário, elas vivem aventuras do dia a dia, aprendendo a lidar com a vida e vivendo comédias românticas ao mesmo tempo – exceto em Angie & Zahra. Continuar lendo

Aniquilação: a Ficção Científica em seu melhor

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Confesso primeiramente que comecei a ler Aniquilação de Jeff Vandermeer porque vai sair um filme com a Natalie Portman e a Gina Rodriguez em 2017. Em segundo lugar confesso que peguei para ler para atualizar a meta de leitura no goodreads: o livro tem 190 páginas, relativamente curto para o meu padrão usual de leituras de mais de 400 páginas. Eu estava atrasada, e queria voltar a ficar em dia.

Quando comecei a ler Aniquilação no ônibus, não estava esperando ficar com arrepios e não conseguir dormir de noite. Fui sem ler a sinopse, e aqui fica a terceira confissão da minha leitura: comprei o livro porque a capa era bonita. Mas olhem pra elas: elas são lindas! Quem não compraria esse livro? Já sabia que era ficção científica, um gênero que se encontra meio morto se comparado com fantasia hoje em dia, mas era praticamente a única informação que eu tinha antes de abrir o livro.

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A (in)visibilidade bi.

Feliz dia da visibilidade bi para todas as meninas, meninos e pessoas não-binárias que leem o blog! Isso mesmo, você aí, que se identifica como bi: o dia de hoje é seu, então aproveite!

Mas por que nós comemoramos o dia da visibilidade bi? Qual é sua importância? Vamos dar uma olhada nesse dia importante pra uma grande parte da comunidade LGBTQ.

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From Up On Poppy Hill é sobre aceitar as mudanças

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From Up On Poppy Hill, ou Da Colina Kokuriko, é muito diferente das outras produções do Estúdio Ghibli. Ao contrário do que estamos acostumados, o filme de 2011 nem sequer flerta com a fantasia tão característica das produções de Hayao e seu filho, Goro Myazaki, mas ainda assim, a animação não deixa se ser mágica, afinal, a delicadeza das produções é tão característica quanto a fantasia e nesse caso, sua ausência faz com que o primor com que a animação foi produzida fique ainda mais evidente.

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O Buda no Sótão: Um livro para aprender e se emocionar

Sou bisneta de japoneses e, por isso, qualquer livro, série ou filme – seja de ficção ou não – que lide com os temas imigração, memória ou identidade dos japoneses e seus descendentes sempre me interessou muito. Desde pequena gostava de perguntar sobre a história da minha família e da comunidade japonesa presente na minha cidade natal. E embora meu interesse maior se concentre, por motivos óbvios, na imigração japonesa no Brasil, também acho importante conhecer as histórias dos japoneses em outros lugares do mundo. Foi isso tudo que me levou a ler O Buda no Sótão, da americana Julie Otsuka, romance vencedor do prêmio PEN/Faulkner de literatura de 2012. Aqui no Brasil, o livro foi publicado pela editora Grua e traduzido por Lilian Jenkino.

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A Paixão das Mulheres Loucas

Um dos meus gêneros favoritos depois da ficção científica e da fantasia sempre foi o thriller. Gosto daqueles mistérios caseiros como Agatha Christie – uma das minhas autoras favoritas-, mas sempre tive uma paixonite meio estranha por aqueles suspenses envolvendo serial killers, pessoas desaparecidas, e uma força-tarefa da polícia desesperada para conseguir resolver o crime e parar um assassino à beira da loucura.

Inevitavelmente, a maioria desse tipo de thriller envolve um serial killer homem, ou um assassino homem. Estatisticamente falando, o número de homens serial killer é muito maior do que o número de mulheres. Sempre fica aquele questionamento “mulheres são mais estáveis? Ou apenas melhores em não ser pegas?”. Então para mim, nunca foi surpresa chegar no meio do livro e já ter uma ideia do que ia acontecer no final. Se bem executado, um thriller ainda continua sendo ótimo, capaz de te dar arrepios e não deixar você dormir de noite.

Até que alguns anos atrás, um pouco antes de sair o filme, peguei para ler Garota Exemplar da Gillian Flynn. Também é um thriller, mas diferente de todos os outros que eu já tinha lido, ele não me deixou sem dormir só uma noite. Ele me deixou pensativa e sem dormir por muitos e muitos dias.

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