Descendants of the Sun, ou porque você deveria dar uma chance aos doramas

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Você sabe o que é dorama? Doramas são séries ou novelas asiáticas (é possível encontrar produções japonesas, chinesas, tailandesas e sul coreanas). Com normalmente apenas uma temporada, os doramas costumam misturar romance, drama e comédia. Posso adiantar que algumas histórias são bem melosinhas e alguns enredos são bem trabalhados nos clichês. Isso acaba tornando os doramas de comédia bastante divertidos — os clichês dos quais a gente normalmente foge são retratados em uma cultura bem diferente da nossa. Ainda assim, alguns doramas abordam histórias mais pesadas, com maior carga dramática. Outra coisa que eu gosto é a expressividade marcada dos personagens, e essa é uma característica muito presente nas atuações nos doramas. Desde a entonação das vozes até as expressões faciais, tudo é muito expressivo (se você já assistiu algum anime com o áudio no idioma original, é provável que já tenha reparado nisso).

Claro que tem outros motivos pra gostar de dorama: tem gente que assiste pelo romance, que é praticamente regra nesse gênero, presente em praticamente todos eles. Além disso, o humor é muito diferente do qual nós estamos acostumados, não é comum ver temas sérios serem tratados de forma leviana e virarem piada ou motivo de deboche (como é normal em vários programas ocidentais). Os doramas também costumam ser bem conservadores, então nada de cenas muito fortes, mesmo quando tratam de temas mais pesados. Além disso, assim como nas nossas novelas, quando assistimos doramas às vezes podemos nos deparar com falas que parecem machistas, mas ainda assim muitas vezes vemos mulheres retradas como profissionais competentes, independentes e seguras de si, que tem amizade com outras mulheres e que se apoiam.

Já faz tempo que eu tenho vontade de fazer uma lista de indicações de doramas, mas sempre tenho receio, porque sei que esse é o tipo de conteúdo que ou você ama ou odeia, então eu morro de medo de não indicar os melhores e fazer alguém estigmatizar esses programas por ter tido uma primeira impressão ruim. Mas isso acabou depois de assistir Descendants of the Sun, porque esse é um título que eu posso indicar sem medo pra qualquer pessoa. Além disso, esse é, de longe, o melhor dorama que eu já vi.

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Yoo Shi-Jin, Kang Mo-Yeon, Seo Dae-Young e Yoon Myeog-Joo. (fonte da imagem)

Kang Mo-Yeon é cirurgiã de um importante hospital da Coréia do Sul. Yoo Shi-Jin é capitão das tropas de paz da ONU e agente secreto do exército sul coreano nas horas livres. Eles dois se conhecem quando o celular de Seo Dae-Young, o sargento que é o melhor amigo de Shi-Jin, é roubado e o ladrão acaba indo parar na emergência, sob os cuidados de Kang Mo-Yeon. Quando a médica atende o celular roubado, acaba falando com Yoon Myeog-Joo, a ex-namorada com quem Dae-Young tem uma relação complicada.

Shi-Jin e Kang Mo-Yeon logo começam a sair juntos, mas o emprego perigoso e os horários inconvenientes acabam fazendo com que ela ponha fim à relação. Shi-Jin e Dae-Young são enviados à Uruk, uma cidade do Oriente Médio, e oito meses depois Kang Mo-Yeon acaba envolvida em um escândalo e é enviada como médica chefe da equipe voluntária do hospital à mesma cidade, onde eles se reencontram.

Enquanto isso, inconformada com o fim do relacionamento, que terminou porque o pai dela não aprovava que a filha se envolvesse com um soldado de patente inferior à dela, Myeog-Joo também consegue uma transferência para Uruk, com a intenção de ficar perto de Dae-Young, e quem sabe reatar o namoro.

Em Uruk, o exercito precisa lidar com uma milícia violenta que usa carros disfarçados com adesivos da ONU para traficar armas, mas a equipe médica tem pouco o que fazer além de realizar exames de sangue e vacinar alguns poucos pacientes, até que um terremoto acontece e uma grande empresa é destruída. Durante o desastre, uma enorme quantidade de diamantes acaba desaparecendo, e a milícia se envolve nas atividades de resgate com o objetivo de recuperar as pedras preciosas.

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Shi-Jin e Kang Mo-Yeon em meio aos destroços da fábrica, após o terremoto. (fonte da imagem)

Uma das coisas que eu gostei em Descendants of the Sun foi que os romances não tiveram muita enrolação — nada de esperar até o último episodio para que os otps ficassem juntos. As coisas vão se desenrolando conforme o enredo avança, sem aqueles clichês chatos de falta de comunicação, orgulho bobo ou ciúmes. Nessa história os problemas são mais reais, o emprego perigoso e cheio de segredos de Shi-Jin, os problemas de confiança de Dae-Young por ter uma posição inferior à Myeog-Joo no exército, a oposição do pai dela e as próprias circunstâncias que surgem em Uruk acabam impedindo, de uma forma ou de outra, a felicidade dos personagens. Além dos relacionamentos românticos, também é bem legal acompanhar o desenvolvimento da amizade da Myeong-Joo e da Mo-Yeon, que não gostavam uma da outra por causa de alguns mal entendidos do passado.

Alem dos protagonistas, acompanhamos também personagens secundários muito divertidos e com dramas tão bem desenvolvidos quanto os dos protagonistas, como o médico Lee Chi-Hoon (interpretado pelo Onew, membro da banda SHINee), que acaba abandonando uma vítima presa à ferragens durante o terremoto, e que depois tem sua consciência atormentada pela culpa, e Fátima, uma adolescente local que acaba presa às intrigas da milícia quando trafica remédios do hospital para o mercado negro de medicamentos tentando comprar sua própria segurança. Acompanhamos também o desenvolvimento romântico de Daniel Spencer, um médico faz-tudo canadense, que se casou com Ri Ye-Hwa, uma meio coreana e meio russa, para lhe conceder asilo político durante um conflito étnico. E Song Sang-Hyun e Ha Ja-Ae, um médico que vive tentando se declarar e uma enfermeira que recusa todas as investidas do amigo. As sub tramas são muito envolventes, é impossível não torcer pelos coadjuvantes tanto quanto pelos protagonistas.

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Onew como Lee Chi-Hoon (fonte da imagem)

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Daniel e Ri Ye-Hwa (fonte da imagem)

Outro ponto positivo do dorama é a representatividade. Tudo bem, é uma série sul-coreana, quase todos os atores não são brancos, mas temos também a Doutora Pyo, a melhor amiga da Mo-Yeon, uma médica mulher cadeirante, que é retratada assim sem nenhum motivo especial, apenas pela boa e nova representatividade. Claro que eu gostaria que o papel dela fosse mais significativo ao longo do enredo, mas a escolha foi boa e gostei dela não ter sumido durante o período em que o dorama se passa em Uruk. Nesse ponto, minha única crítica é ao fato de terem escolhido uma atriz que não é cadeirante para interpretá-la.

Por fim, espero ter te convencido a dar uma chance aos doramas, e espero que você comece por Descendants of the Sun, que é uma ótima produção, e me fez rir, torcer, chorar, pausar e dar uma volta pela casa, rir de novo, chorar de novo e por fim me balançar em posição fetal na cama, afinal de contas, o nome já diz, esses vinte episódios estão cheios de drama, e estão disponíveis na Netflix também.

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Mo-Yeon e a Doutora Pyo (fonte da imagem)

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