Webcomics independentes: uma alternativa para as grandes HQs

Eu sempre fui uma criança que gostava de ler. Meus pais tinham um acordo comigo: A cada boletim escolar com notas boas, eu ganharia um presente de minha escolha. Ganhei uma Barbie sereia maravilhosa nessa e também livros que me acompanham até hoje e que reli até a exaustão. E, também, uma coleção de mais de quinhentos gibis da Turma da Mônica.

webcomics

O tempo passou e os gibis dividiram seu espaço com as webcomics. A primeira que eu acompanhei não foi nada menos do que Nimona, da Noelle Stevenson – a história de uma menina metamorfa que rendeu à então estudante de Maryland Institue College of Art o prêmio de “Best Web Comic de 2012”, pela Slate, de melhor webcomic de 2014, pela Paste Magazine e, claro, o Eisner Award em 2015 e a nomeação para o National Book Award do mesmo ano. Nimona também fui publicada em formato de graphic novel pela HarperCollins em 2015, teve seus direitos vendidos para uma adaptação animada e, recentemente, foi lançada aqui no Brasil pela Intrínseca, com tradução da Flora Pinheiro.

Nimona também abriu novas portas de leitura para mim. De repente, eu percebi que existiam milhares de webcomics disponíveis de graça na internet, com toda sorte de artistas trabalhando duro para colocar suas histórias mundo afora. No post de hoje, apresento duas webcomics que venho acompanhando há quase dois anos e uma outra de uma das minhas artistas favoritas que começou recentemente, todas em um inglês bem tranquilo de entender – e escritas por minas fantásticas!

How to be a Werewolf: É claro que eu não poderia começar essa lista sem falar de lobisomens. HtbaW conta a história de Malaya Walters, uma jovem de 25 anos que mora com sua família e trabalha no café dos pais enquanto tenta manter sua licantropia sob controle. Mordida aos cinco anos de idade por um desconhecido, Malaya nunca teve contato com uma alcateia ou qualquer outro lobisomem e passa todas as luas cheias em casa. Ansiosa, com medo de causar problemas a sua família ou às pessoas ao redor e preferindo passar seus dias trabalhando a lidar com os possíveis estresses de faculdade, Malaya vê sua vida razoavelmente tranquila mudar quando um garoto estranho surge em sua cafeteria e acaba revelando que ele, também, é um lobisomem. Elias, uma das pessoas mais legais que você vai encontrar na sua vida, quer ajudar Malaya e sua família aprenderem a lidar com a licantropia de uma nova forma. Com o apoio de sua mãe e de outras pessoas de sua alcateia, ele só quer que a jovem possa se sentir bem consigo mesma. Mas as coisas saem um pouco do controle quando outros lobisomens aparecem em sua porta, querendo colocar Malaya em seu bando de um jeito ou do outro.

How to be a Werewolf é escrito pela Shawn Lenore e já está sexto capítulo. Atualizada todas as terças e quartas, a webcomic tem não só uma protagonista mestiça, mas também personagens LGBTA+ (Uma das lobisomens do bando do Elias é casada com uma bruxa!! E o próprio Elias tem tudo pra acabar com o irmão de Malaya, Vincent) e muitas, mas muitas personagens femininas de todas as raças e sexualidades. A webcomic lida também com relacionamentos abusivos, ansiedade e depressão. A própria Shawn está sempre falando de suas experiências com os temas e como é produzir uma webcomic nos comentários de cada página – além de sempre comentar qual seriado ela está assistindo no momento e sempre responder seus leitores.

Prague Race: Quando Leona compra um poster diferentão em uma loja que acabou de abrir em sua bairro, ela não espera que o mesmo ganhe vida e grude nas suas costas, roubando sua energia vital. É assim que ela descobre um mundo totalmente novo, repleto de seres mágicos que não vão muito com a cara de humanos e tem pavor de gatos. Seus melhores amigos, Colin e Miko, acabam indo parar nesse mundo também, e logo os três tem que aprender a navegar nessa nova realidade. Enquanto Leona tem pouco menos de um ano até que a criatura do poster sugue toda sua vida, Miko acaba sofrendo um acidente que o transforma em algo novo e Colin, um menino rico mimado apaixonado pela amiga, tem que, bem, aprender a trabalhar.

A arte de Prague Race é maravilhosa, mesmo em preto e branco. O estilo de Petra Nordlund é um dos mais lindos que eu já vi e ela mesmo já disse que o usa como uma forma de aprender a desenhar novas coisas – sejam elas grupos de pessoas, veículos, monstros ou arquitetura. Mas prepare-se: toda a beleza de Prague Race se mistura com as mais absurdas apresentações de gore – De flores nascendo nos globos oculares aos monstros mais inesperados. Política fantástica, gênero e sexualidade, personagens bobinhos e risadas inesperadas também fazem parte dessa mistura.

Ao contrário de How to be a Werewolf, Prague Race tem um ritmo de postagem mais irregular. Petra geralmente atualiza três vezes por semana, mas as vezes outros projetos entram no caminho. De qualquer forma, vale a pena ler os sete capítulos atuais e ficar na torcida pelos próximos.

The Sublimes: O trabalho mais recente de Kiku Hughes, a geniusbee no Tumblr, The Sublimes é uma webcomic que começou a algumas semanas. No seu site, Kiku descreve-a como “uma história sobre famílias, robôs e como aprender a conectar com o outros”, seguindo a vida de três irmãs em uma pequena cidade de minas. As poucas páginas liberadas ainda não contam muito sobre as personagens, mas, conhecendo o trabalho de Kiku, já dá pra saber o que vem por aí. Caso você queira conhecer mais histórias dessa artista de Seattle, você pode checar esse link. As minhas favoritas são a comic sobre assexualidade (tema que o Paulo já tratou aqui), inicialmente postada no site Oh Joy Sex Toy, e essa sobre lésbicas que trabalham em uma estação espacial. De gênero e sexualidade a Harry Potter, passando pelo espaço e falando sobre robôs, Kiku consegue contar histórias lindas e tocantes em poucas páginas. Fica aqui a expectativa para o que ela fará com mais espaço.

Pra começar a ler todas essas histórias, é só clicar nos nomes das mesmas – que já vão te levar para a primeira página de cada webcomic. São todos trabalhos lindos, feitos com muito cuidado, que valem seu tempo. Depois, me conta aqui suas favoritas! Temos sempre que acompanhar e apoiar o trabalho de artistas que gostamos, não é mesmo?

Emily
meus textos | twitter | instagramEstudante de Letras em São Paulo. Ama monstros e cachorros e, principalmente, lobisomens. Puxa o erre, adora parênteses e quase nunca usa o plural direito.
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