As Violetas de Março

 São raras as vezes que nos acontece de um livro simplesmente cair no nosso colo, e que quando começamos a lê-lo, se torna um dos melhores livros que já lemos. E comigo foi assim. Ele literalmente veio até mim por destino. Ganhei por um sorteio de um blog literário e assim que o recebi, comecei a ler e não parei mais. Estou falando de As Violetas de Março de Sarah Jio.

As Mil Noites: Fantasia no universo feminino

Eu amo ler fantasia e é facilmente um dos meus gêneros preferidos. Consegui devorar de tudo um pouco — do clássico até o mais novo, do infantil até o adulto. Mas uma coisa que sempre acabou me incomodando é a falta de personagens femininas dentro desse universo, ou personagens mulheres que não fossem completamente masculinizadas, e que são valorizadas apenas por serem “como homens”.

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Isso acontece bastante no gênero fantástico, infelizmente. Personagens como Brienne e Arya, em Game of Thrones, são valorizadas e amadas porque elas têm espadas, porque elas lutam, porque são tradicionalmente mais como homens. Personagens como Sansa Stark são completamente deixadas de lado, vistas como fracas. Até a própria Daenerys é vista assim, até ela conseguir os dragões. Vi muitas discussões sobre isso, principalmente quando tratamos do 5º livro — Daenerys é ótima personagem enquanto está destruindo cidades, montada em dragões, mas quando está em um conflito amoroso, sem saber onde ir, é novamente vista como fraca.

Eu poderia ficar aqui anos e anos explicando todas as milhares de coisas que me incomodam no tratamento das personagens femininas em fantasia, tanto pelos autores como pelos leitores. Como não são valorizadas, como frequentemente são reduzidas a objetos na trama, ou como sempre acabam sendo deixadas de lado. O universo feminino não é bem vindo na fantasia, e as mulheres dentro dele – as autoras, principalmente – tem que lutar por seu espaço.

Então eu li As Mil Noites, de E. K. Johnston. E eu me apaixonei por completo. Continuar lendo

Dois filmes de Mamoru Hosoda

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Mamoru Hosoda é um diretor de animações que caiu nas graças do público – e dos estúdios – por produções como One Piece e Digimon. Ele trabalhou em grandes estúdios como a Madhouse e a Toei Animation. Hosoda até mesmo foi contratado pelo Estúdio Ghibli para trabalhar na produção de Howl’s Moving Castle, mas não chegou a participar efetivamente da produção do longa por não apresentar um conceito de arte aprovado pelos produtores. Na verdade isso não surpreende, já que o estilo das animações do diretor não são nem um pouco parecidos com aqueles apresentado pelo estúdio. Apesar da falta de compatibilidade de estilo com o Estúdio Ghibli, Hosoda ainda é um dos diretores mais competentes da atualidade, ele é também o responsável por algumas das minhas animações favoritas.

Apesar de ter assistido Digimon e One Piece quando eu era criança, eu só entrei em contato com os filmes dele de verdade quando uma amiga me indicou uma das animações preferidas dela, Guerras de Verão (2009). Depois disso eu acabei assistindo A Garota Que Conquistou o Tempo (2006) e As Crianças Lobo (2012). Decidi ficar de olho em qualquer eventual produção de Hosoda e, recentemente ele lançou o longa de animação O Rapaz e o Monstro (2015) que mostrou-se tão maravilhoso quanto os demais filmes do diretor.

Cada uma dessas animações me encantou de maneira diferente, mas com algo incomum: os personagens complexos, as relações bem desenvolvidas, as tramas envolventes e dinâmicas, e a arte encantadora. O trabalho do Hosoda é tão encantador que nós não poderíamos deixar de falar dele aqui no Pavê. Mas esse post é apenas sobre os dois primeiros filmes citados, A Garota Que Conquistou o Tempo e Guerras de Verão. Mas não se desespere, pequeno gafanhoto, ainda pretendemos escrever um post para os outros dois.

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