A Incrível Aventura de Rick Baker, de Taika Waititi

hunt-for-the-wilderpeople

A gente sempre tem um (ou dez) autor favorito. Aquela pessoa que sabe escrever de um jeito que não te faz largar o livro, seja por ter um estilo de escrita fantástico ou por criar personagens maravilhosos. A gente também sempre tem um diretor favorito. Às vezes você nem sabe direito, mas já assistiu uns três filmes de uma mesma pessoa e amou todos.

Na minha listinha de diretores favoritos, você vai encontrar o mexicano Guillermo del Toro (responsável por meu amado Círculo de FogoHellboy, O Labirinto do FaunoCaçadores de Trolls e mais outros) e o estadunidense Wes Anderson (dos famosos Moonrise Kingdom e O Grande Hotel Budapeste e meus favoritos A Vida Marinha com Steve Zissou e O Fantástico Sr. Raposo). Mas também vai encontrar Taika Waititi, o australiano responsável por What We Do in the Shadows (que eu já comentei aqui!), por um dos próximos filmes da Marvel, Thor: Ragnarok, e por Hunt for the Wilderpeople – A Incrível Aventura de Rick Baker aqui no Brasil.

Hunt foi lançado ano passado, em 31 de março,  e conta a história de Ricky Baker – um menino problemático da cidade adotado por um casal que mora nas montanhas afastadas da Nova Zelândia. Acostumado a ouvir hip-hop, usar roupas irreverentes e, basicamente, quebrar todas as regras possíveis – a lista de atos delinquentes de Ricky é extensa – o menino, interpretado por Julian Dennison, agora tem que lidar com a nova vida e seus novos responsáveis, a amável tia Bella e o caladão tio Hector Faulkner – interpretados por Rima Te Wiata e Sam Neill, respectivamente.

Descrição da imagem: Uma mulher, sorrindo, e um menino, apático, conversam em frente a uma casa da madeira. Há uma pilha de mochilas e malas na frente dos dois e uma caixa de água aos fundos, à esquerda.

Filmes de adoção geralmente são dramáticos e mexem com a gente. Mas, se você já assistiu qualquer coisa do Taika – mesmo que seja seu curta Team Thor – você já tem uma boa ideia de como é o humor do diretor. E já sabe que, além do drama, vai encontrar muitos motivos pra dar risada.

Não que o filme não tenha suas partes tristes. Um pequeno desastre, logo no começo da história, abala toda a nova vida de Ricky. Mas o garoto se recusa a deixar esse acontecimento colocá-lo de volta no sistema de adoção, e é aí que começa a aventura de Ricky. E de seu novo tio, Hec. Simulando um incêndio no celeiro que supostamente o teria matado, assim tirando a polícia e o governo de suas costas, Ricky parte para o meio do mato, em uma tentativa de viver ali com seu cachorro. É claro que a ideia não dá certo, sendo ele um menino da cidade (em certo momento, Ricky tentar comer um pedaço de casca de árvore), mas as circunstâncias o colocam no mesmo caminho de Hector, e logo os dois se veem obrigados a fugir da polícia para que não sejam presos ou devolvidos ao sistema de adoção.

Encontrando desde caçadores a loucos da conspiração morando em uma cabana psicodélica, os dois passam semanas nessa fuga, tendo que aprender a lidar um com o outro e com a nova realidade em que se encontram. É claro, um senhor turrão e um menino mimado não são as melhores companhias, e isso gera boa parte da graça. A outra parte a gente encontra quando os dois se veem perseguidos pela polícia em uma fuga digna de Mad Max, ou quando Ricky encontra uma menina no meio do mato que a leva para casa – e para seu pai sem noção, que o ajuda na fuga, ou até mesmo na total falta de habilidades de Ricky para viver no meio do mato e como isso irrita Hector.

Descrição da primeira imagem: Um homem, parado no meio de uma sala e segurando um celular, o entrega para a pessoa a sua frente, dizendo (em inglês) “Tire uma selfie nossa rapidinho”.  Descrição da segunda imagem: Uma adolescente, sentada na cozinha, segura o celular que recebeu, respondendo (em inglês) “Não é uma selfie se sou eu que tiro, seu idiota”.

Apesar do título em português focar no menino Ricky, a história contada é tanto dele quanto de Hec. Depois do desastre do começo do filme, ele resolve passar uma temporada morando no meio do mato. E talvez vivesse um período ótimo, se não tivesse encontrado Ricky lá. Desde o começo, os dois não se deram bem. Agora que eles estão sozinhos ali e tem que cuidar um do outro, as coisas continuam iguais. Ricky coloca Hector em apuros várias vezes e o velho se dá mal de verdade em algumas, chegando ao cúmulo de ser caçado por sequestrar o menino e, depois de um mal entendido, ser acusado de maltratá-lo. Mas o relacionamento dos dois se desenvolve de tal forma, com Ricky amadurecendo um bom tanto e Hec amolecendo mais um outro, que você pode até mesmo chorar um pouquinho no final. Eu sei que fiquei emocionada.

Descrição da imagem: Um menino, sentado, e um senhor, de pé, ambos usando roupas de frio, observam as montanhas e o lago ao fundo.

Uma mistura de comédia, drama e aventura, Hunt for the Wilderpeople une humor com sentimentalismo de uma forma que só Taika Waititi consegue ser capaz de fazer, com personagens que vão além do padrão hollywoodiano, além de apresentar paisagens maravilhosas da Nova Zelândia. Pra quem está acostumado ao cenário – e ao sotaque e modo de vida – estadunidense, é uma mudança ótima. E um bom jeito de conhecer a obra desse cara incrível, que logo logo pode ficar ainda mais famoso graças ao seu trabalho com a Marvel.

Emily
meus textos | twitter | instagram
Estudante de Letras em São Paulo. Ama monstros e cachorros e, principalmente, lobisomens. Puxa o erre, adora parênteses e quase nunca usa o plural direito.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s