Sense8, união, e a expansão da consciência humana

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Com a proximidade da estreia de sua segunda temporada, prevista para 05 de maio desse ano, chegou a hora de (finalmente) comentarmos sobre Sense8 – uma das criações do serviço de streaming Netflix e que vem impressionando, desde que foi oficialmente lançada em junho de 2015, àqueles que a assistem. Essa é mais uma das séries com as quais você com certeza já deve ter se deparado por aí, seja por sua excelente recepção crítica ou pela imensa quantidade de fãs que conquistou, após uma temporada de doze incríveis episódios e, recentemente, em dezembro do ano passado, um especial de duas horas de duração.

De qualquer maneira, é inegável que Sense8 se tornou um enorme sucesso e que só tem ganhado mais reconhecimento conforme os dias passam. Agora, é o momento de relembrar os importantes ensinamentos da série, refletir sobre as mensagens que a mesma nos transmite e, em nível equivalente, te apresentar os vários motivos pelos quais você deveria começar a acompanhá-la.

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[Descrição da primeira imagem: Os oito personagens principais da série estão reunidos no convés de um barco navegando, todos sentados, durante o pôr-do-sol. Da esquerda para a direita, encontram-se Wolfgang, Kala, Lito, Capheus, Nomi, Will, Riley e Sun. Will está recostado no colo de Riley, enquanto os outros observam a ambos. O sol está posicionado pouco acima da cabeça de Capheus.]

Sense8 é uma série dos gêneros ficção científica e drama, criada pelas irmãs Wachowski, Lana e Lilly (responsáveis por filmes icônicos, como a trilogia Matrix) e por J. Michael Straczynski para o serviço de streaming Netflix. A série conta a história de oito pessoas de vários países distintos, nascidas no mesmo dia e cada uma com uma habilidade específica que, subitamente, iniciam entre si uma conexão de corpo, espírito e mente, mesmo sem nunca ter se conhecido pessoalmente. Will Gorski (Brian J. Smith), Sun Bak (Doona Bae), Lito Rodriguez (Miguel Ángel Silvestre), Kala Dandekar (Tina Desai), Riley Blue (Tuppence Middleton), Wolfgang Bogdanow (Max Riemelt), Nomi Marks (Jamie Clayton) e Capheus Onyango (Aml Ameen/Toby Onwumere) são os sensates que formam um grupo denominado de  “cluster”.

Tal conexão faz com que eles combinem ou adquiram temporariamente as habilidades uns dos outros, podendo ser inclusive tão forte ao ponto de permitir que eles se materializem – estando, teoricamente, em dois lugares ao mesmo tempo. São ações realmente úteis para escapar de Whispers (Terrence Mann), o vilão da série, também sensate, que é dono de uma organização determinada a exterminar todos aqueles do seu próprio tipo.

Logo, percebe-se que a temática da consciência humana, cada vez mais comum nos filmes, séries e livros de ficção científica da atualidade, se encontra novamente em pauta. Mas, no caso em questão, o assunto não é o surgimento, a criação ou o desenvolvimento dessa consciência, uma vez que nossos personagens são todos humanos, e sim a consciência expandida a partir do compartilhamento mútuo de sentimentos, emoções, percepções, sensações, e pensamentos, aspectos que são intensificados e multiplicados por oito.

A expansão da consciência, portanto, ocorre com a vinculação de oito partes cujas possuem visões, experiências e concepções diferentes, quase como se fosse um quebra-cabeça que, quando completo, atinge o seu ápice. Dessa forma, têm-se os oito indivíduos com suas personalidades únicas que, juntos, criam algo maior e mais poderoso que eles, tudo sem perder suas respectivas identidades. Não que eles não sejam hábeis individualmente, é que, como diz a clássica frase,  “a união faz a força”.

Falando em união, esse é um ponto muito tratado ao longo de toda a série. A associação entre estranhos que jamais haviam ouvido falar uns dos outros surge como uma coisa pequena, oscilante e até um pouco frágil. Contudo, ela evolui gradativamente, à medida que suas interações desenvolvem-se pela convivência, pela identificação e pela troca de conhecimento. Lito, que era um desconhecido para Kala, torna-se alguém indispensável na vida dela, bem como Kala torna-se indispensável na vida de Sun, e assim por diante.

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[Descrição da segunda imagem: Os oito personagens, mais Dani e Hernando, estão em um cenário de festa de aniversário, com bexigas ao fundo, e posicionados diante de uma mesa com sprays de chantilly, tubos de serpentina e taças de champanhe sobre ela. Há um bolo de aniversário com velas no meio da imagem e Lito está de olhos fechados, sentando em frente ao bolo. Da esquerda para a direita, Wolfgang, Riley, Hernando, Sun, Nomi, Capheus, Dani, Will e Kala se debruçam sobre Lito.]

Emerge, assim, um círculo que atinge oito lugares diversos e é constituído por oito pessoas diversas. Dentro desse círculo, há a presença de uma corrente de devoção ao cluster, cuja nos apresenta o amor, a fraternidade, a afeição, a amizade, a empatia, a solidariedade, a comunicação, a complacência, a compreensão, o auxílio. Afinal de contas, por mais diferentes que sejam, no exato instante em que suas vidas se cruzam, os sensates agem, pensam e sentem como um só; oito corações batendo em ritmos distintos que, ao se encontrarem, batem no mesmo ritmo.

É válido mencionar os diálogos inseridos na série, que possuem discursos poderosos, através de frases altamente marcantes e que, não raro, tratam de assuntos extremamente relevantes que afligem a nossa sociedade, por meio de conversas envolvendo os próprios personagens e suas histórias de vida. Em Sense8, os protagonistas, além de serem de múltiplas etnias, integram minorias e grupos sociais marginalizados historicamente. Portanto, não é raro que decidam abordar o racismo, a homofobia, a transfobia e a xenofobia,  por exemplo. Ademais, o realizam de modo sutil, ainda que impactante, incrementando-os em meio ao tema da série e nos deixando refletir sobre por horas a fio, com as palavras reverberando por nossa mente.

No final das contas, essa é uma dentre as tantas reações que o seriado desperta em nós: a reflexão. Refletimos sobre a existência humana e sobre o quanto é incrível viver em um mundo maravilhoso, tão cheio de possibilidades. Refletimos sobre nós mesmos e sobre nossas relações, presenciando os personagens se arriscarem em busca da proteção recíproca e presenciando-os, com tamanha espontaneidade, experienciarem os sentimentos mais humanos, a intimidade, o amor e a afeição.

Entretanto, acima de tudo, nós aprendemos. Sense8 é uma jornada de aprendizado constante a respeito de todas as características que nos tornam humanos e que nos unem como tal – o desejo, a curiosidade, o medo, o companheirismo, a juventude. É um convite que nos incentiva a evoluir, a descobrir nossas habilidades e a trabalhar nelas, a adquirir convicções e a aprender o real significado, e a real magnitude, de nossas existências. Aprendemos a celebrar o simples fato de estarmos vivos, de estarmos respirando, sentindo, pensando e nos aventurando no mundo. Aprendemos a enxergar com naturalidade a própria essência da vida humana, o contato humano, as relações humanas, e a não temê-los. Aprendemos que os relacionamentos que desenvolvemos ao longo dos nossos anos são um dos bens mais valiosos que já teremos.

E viva o amor.

Sense8 (2015) tem atualmente uma temporada de doze episódios e um especial disponíveis, que podem ser conferidos no serviço de streaming Netflix.

Beatriz
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Contadora de histórias que sonha em viajar o mundo e estudante de Direito no resto do tempo. Viciada em séries e em pesquisar sobre mitologia.
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