#desafiopave: Fullmetal Alchemist, uma introdução

Continuando os posts do #desafiopave, dessa fabulosa listinha de leituras, que além de livros também incluímos quadrinhos e filmes, venho aqui falar do primeiro quadrinho (no caso, mangá) e uma das leituras do mês de janeiro: Fullmetal Alchemist.

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[Descrição da Imagem: Capa do volume 1 de Fullmetal Alchemist publicado no Brasil, pela JBC, edição especial em fundo preto. Na capa temos o título Fullmetal Alchemist, abaixo do nome da autora, Hiromi Arakawa, o número O1 em uma faixa vermelha ao lado direito e abaixo, no centro, uma ilustração de Alphonse e Edward Elric, com partes de um círculo de transmutação no inferior da capa.]

Pra quem não conhece, Fullmetal Alchemist é um mangá do estilo shōnen escrito e ilustrado por Hiromi Arakawa (aka uma das mangakás que você mais respeita), e o sucesso foi tanto que além das adaptações para a tv, em forma de série animê em duas versões: Fullmetal Alchemist (2003) e a Fullmetal Alchemist: Brotherhood (2009); também foram produzidos dois filmes de animação, uma light novel e um filme live-action que tem previsão de estreia para esse ano. Talvez levada por essa hype do novo filme ou talvez só a hype dos fãs pelo amor a essa história, finalmente a JBC relançou o mangá numa edição de colecionador bem bonitona, muito mais duradora que a primeira edição lançada aqui no Brasil e vai ter 27 volumes assim como a versão original japonesa.

A história completa é dividida em 108 capítulos, enquanto na primeira edição do mangá lançado no Brasil tivemos 54 volumes e dois capítulos em cada volume, nessa nova edição cada volume contém quatro capítulos cada. Logo no primeiro capítulo, os dois protagonistas da história, Edward e Alphonse Elric, aparecem numa cidade como forasteiros e só o que se sabe são que os dois são alquimistas e não se sabe direito quem são eles ou porquê eles estão ali.

O universo que Hiromi Arakawa criou se passa numa época semelhante ao período após a Revolução Industrial Europeia, onde temos como protagonista também, a alquimia. Ed nos explica desde o começo que o princípio mais importante da alquimia é a lei da troca equivalente, ou seja, se quiser obter alguma coisa, precisa pagar um preço à altura. Não só essa é a base da alquimia, como a base da história.

Apesar de não ser um começo direto, temos a narrativa dos conflitos e mistérios dessa cidade e pouco dos personagens em si, como uma pessoa que já sabe onde essa história deslancha, devo dizer que achei uma introdução muito bacana, sendo os dois primeiros capítulos os mais importantes desse volume. Em “Os dois alquimistas” e “O preço de uma vida”, vamos conhecendo esses dois irmãos junto com os moradores e personagens dessa primeira cidade, o que cria um pouco de suspense e curiosidade no ar. Os irmãos Elric são famosos por terem quebrado um dos maiores tabu da alquimia e devido à diferença de alturas e idade, Alphonse é constantemente confundido com o seu irmão mais velho, Ed, que fica possesso quando o subestimam pela sua altura; o que sempre arranca boas cenas de alívio cômico. Arakawa sabe fazer isso muito bem, equilibrar a narrativa com tensão, mas também humor e ocasionalmente drama (quando sabemos do passado dos irmãos).Ed tem as melhores reações cômicas de raiva, sendo um personagem muito expressivo, às vezes duro e direto, mas também, com um grande coração. Assim como Alphonse, embora seja o mais novo, muitas vezes parece o mais velho também por sua maturidade e sensatez, e que já experienciou muito na vida: além da mãe dos dois terem falecido, Al perdeu seu corpo inteiro, dentro de sua armadura não há um resquício de pele sequer, a não ser, de sua alma.

E nesta primeira cidade, temos o questionamento de religião, crenças e corrupção. Há um profeta que diz ser o mensageiro do deus-sol, além de afirmar que é dono de um poder milagroso. Ele é altamente aclamado pela cidade inteira, e Rose, não foge disso, uma personagem fiel à todas as palavras desse senhor profeta e crê esperançosamente que o poder milagroso irá trazer de volta o seu amado falecido. Os irmãos, e principalmente Ed, descrente, resolvem investigar isso a fundo, até que veem o profeta utilizando-se da alquimia, para demonstrar seu tal “poder milagroso” aos fiéis. Mas o que chama a atenção dos irmãos ainda mais é um anel brilhante que o profeta carrega no dedo, e a pedra contida nele, a pedra filosofal.

Então assim, entre conflitos dessa primeira cidade, vamos entendendo um pouco do mundo que Hiromi Arakawa criou, como é o sistema de alquimia e como ele funciona e descobrimos que os irmãos estão atrás da pedra filosofal para poder recuperar seus corpos. Porque como disse, os dois tiveram que pagar um preço alto e a alcunha que Ed recebeu – alquimista de aço – não foi dada ao acaso, tanto é que é o próprio título da trama. Entre tropeços e acertos, descobrem que a pedra filosofal do profeta era falsa e não foi dessa vez que alcançaram seu objetivo. Apesar de não terem encontrado a verdadeira pedra filosofal, desmascararam o profeta e revelaram suas mentiras e tramoias para a cidade inteira, o que dá aquele gostinho de justiça feita no final dessa primeira parte.

Nos capítulos “A vila das minas de carvão” e “A batalha no trem”, temos duas histórias distintas, com um teor parecido: os irmãos seguem seu caminho viajando para outras cidades e se deparam com pessoas atrás de poder e tirando proveito de outras pessoas. Típico e atual, não é mesmo?  Sou uma pessoa sem deficiência física para falar com destreza sobre o assunto, mas devo dizer que é muito bacana ver personagens que lhe foram tirado muito, Al de armadura sem um corpo e Ed, de próteses de aço chamadas de automail, lutando contra capangas e líderes mal intencionados, com suas formas de aço não sendo uma fraqueza, mas sim, uma força. São capítulos mais filler, que não desenvolvem a trama central, mas podemos conhecer um pouco mais da dinâmica dos irmãos Elric e também, ao final do volume somos apresentados a alguns alquimistas federais como Roy Mustang e Riza, dois personagens muito importantes para a narrativa e que ainda aparecerão muito.

Posso lhe adiantar que Fullmetal Alchemist começa num tom despretensioso, mas que já dá pra sentir muito bem que tem algo grande por vir dessa história, já que sabemos o que os irmãos sofreram – e aqui no mangá é revelado aos poucos e com menos detalhes do que no animê logo nos primeiros episódios. E no volume 2 já somos introduzidos a mais personagens, importantes para o plot como um todo e subplots de tensão e emoção como foi nesses primeiros capítulos. Se você tem interesse em FMA, digo para ir fundo. Tenha paciência e não desista de acompanhar a trama, pode demorar um pouco pra trama principal desenfrear, mas meu amigue, quando ela começa a descarrilhar, é um tiro após o outro. Fullmetal Alchemist é o tipo de narrativa que começa lentamente, com alguns pontos de impacto e depois se desenvolve em uma história completa, com um plot que cada ponto faz parte de um plano maior. Mais que isso, é sobre a ambição das pessoas e sacrifícios, até onde você vai para conseguir o que você quer. Claro, com personagens cativantes, nessa jornada de dois irmãos que passaram por muito e ainda passarão por muita coisa, numa união grande e linda e com um elenco de personagens fenomenal (incluindo várias personagens femininas maravilhosas).

Para vocês que dizem que o mundo dos mangás e animês é muito machista – o que, infelizmente não deixa de ser uma verdade, mas não me vem dizer isso e não olhar o quanto a cultura pop ocidental também é muito machista, com aspectos diferentes, claro – leiam e assistam Fullmetal Alchemist. É escrito por uma mulher, é muito bem construído e tem personagens diversos muito interessantes e complexos – como poderão ver nos próximos volumes. É uma obra que vale a pena acompanhar, e sendo esse post apenas uma introdução à história e o que acontece no volume 1, uma das leituras do #desafiopave de janeiro, ainda volto aqui com um post completo, comentando sobre a trama toda, o elenco de personagens e ainda a adaptação para tv.

Lari

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Designer gráfica, artista visual, ilustradora e aspirante a quadrinista. Faz dancinhas aleatórias pra tudo. Canta músicas icônicas da MPB para seus personagens preferidos como declaração de amor. Grita como forma de expressão.

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