As mulheres da família Alvarez vão te convencer a ver One Day At A Time

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Eu sou daquele tipo de pessoa que adora séries, mas tem bastante dificuldade (leia-se: preguiça) em acompanhá-las — especialmente aquelas de 40 minutos. Por isso, eu costumo ver mais comédias, que são mais curtinhas, leves e fáceis de assistir. As minhas favoritas atualmente são Brooklyn Nine Nine e Fresh off The Boat, mas como essas são séries que eu preciso baixar pra assistir e meu computador anda bem ruinzinho pra isso, ando dependendo muito da Netflix. E o mês de janeiro me trouxe uma série perfeita pra ver nas férias, daquelas que te fazem relaxar, rir muito e chorar um pouquinho (ou talvez muito, se você for trouxa como eu), mas de emoção e felicidade. Essa série é One Day At A Time, original da Netflix baseada na série homônima que foi ao ar nos Estados Unidos entre 1975 e 1984. Em comum com a série original, temos uma mãe solteira de dois filhos como protagonista. A versão da Netflix, no entanto, tem um diferencial: a família que acompanhamos tem origem cubana, e Penélope Alvarez (Justina Machado) tem a companhia não só dos filhos Elena (Isabella Gomez) e Alex (Marcel Ruiz), como também da mãe, Lydia Riera (Rita Moreno), e a presença dessas representantes de três gerações de mulheres latinas, uma das quais veio para os EUA como imigrante, é o que torna a sitcom tão especial.

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[Descrição da imagem: Da esquerda para a direita, Alex, Elena, Penélope e Lydia estão sentados ao redor de uma mesa redonda de madeira tomando o café da manhã. Alex está contando uma história enquanto Elena olha para ele concentrada, com um leve sorriso, e Penélope e Lydia riem.]

A matriarca Lydia vai lembrar as avós de muita gente. Apesar de ser religiosa e conservadora, seu humor e carisma acabam te conquistando — e, no fim das contas, ela sempre acaba ouvindo e apoiando a filha e a neta quando elas precisam, mesmo que às vezes elas entrem em conflito por terem visões de mundo tão diferentes. Embora no início da temporada ela pareça não possuir um arco próprio, sendo apenas uma fonte de riso fácil, a abuelita de Elena e Alex é uma personagem tão multidimensional e bem desenvolvida quanto a filha e a neta, que a fazem repensar seus valores como mulher cubana, imigrante e religiosa.

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[Descrição da imagem: Em meio a uma festa de aniversário, Lydia começa a narrar dramaticamente a história de sua vida: “Havana, 1962. Eu vim para cá quando era criança, fugindo de um regime opressor e trazendo apenas meu charme natural e minhas pernas perfeitas.”]

Penélope, a protagonista, não é apenas uma mãe solteira (não que isso seja pouca coisa): ela é uma veterana de guerra que voltou do Iraque com TEPT (transtorno de estresse pós-traumático) e luta contra a ansiedade e depressão. Separada de um homem que ainda ama mas que, após a guerra, tornou-se uma ameaça para o bem-estar de seus filhos, ela precisa criá-los sozinha enquanto tenta reprimir seus sintomas. Acredito que muitas mães solteiras — independentemente de terem estado na guerra ou não — irão se enxergar em Penélope. A pressão de sustentar uma família inteira e colocar o bem-estar dos filhos acima do seu próprio é familiar para muitas mulheres, e ver Penélope finalmente buscando ajuda para seus problemas e deixando que outras pessoas a ajudem é muito importante.

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[Descrição da imagem: Penélope desabafa com a mãe, dizendo: “Às vezes, preciso que alguém me abrace e diga: ‘Deixa comigo.'”]

(Eu sou tão trouxa que chorei só de ver essa imagem e escrever a legenda)

Agora, vamos falar de Elena Alvarez, provavelmente a minha personagem favorita da série. A filha mais velha de Penélope já me conquistou de cara simplesmente por ser a Feminista Problematizadora™ por excelência (ou, como diria Lydia, irritante). Elena tá sempre questionando tudo e todos e, sinceramente, me identifico 100% com ela. E se tem alguma coisa que Elena questiona tanto quanto nossa sociedade patriarcal, essa coisa é sua sexualidade. Seu arco na primeira temporada gira principalmente em torno disso, embora outros lados da personagem sejam explorados também.

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[Descrição da imagem: Elena explica para a mãe as formas mais sutis de machismo com as quais as mulheres têm de lidar no dia-a-dia: “Os homens impõem seu poder através de microagressões e mansplaining.“]

Apesar de abordar tantos temas delicados (imigração, assimilação cultural, depressão, ansiedade e sexualidade), One Day At A Time consegue lidar com eles de forma leve sem perder a seriedade que exigem. Por ser uma comédia, esses assuntos são explorados com sensibilidade sem serem pesados e te deixarem na bad como acontece quando assistimos uma série de drama, por exemplo. Os arcos das três mulheres se cruzam e elas crescem juntas ao longo da série, e o resultado final é uma história bem amarrada, que tem seus momentos sérios e emotivos mas acaba aquecendo seu coração e sendo bem gostosa de assistir. 

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[Descrição da imagem: No primeiro quadro, Lydia abraça Penélope, que chora, em uma tentativa de confortá-la após a segunda desabafar sobre a falta que sente do marido. No segundo quadro, Penélope abraça Elena depois que as duas chegam a um entendimento sobre a realização (ou não) da festa de 15 anos de garota.]

Bia
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Estudante de Letras, louca do Photoshop, gosta de uns desenhos aí e tá sempre problematizando tudo. Reza a lenda que tem uma bolsa mágica de textões. É mais legal do que essa bio sugere.
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