Três bons motivos pra ler a duologia “A Fúria e a Aurora”

A Fúria e a Aurora é o primeiro livro de uma duologia e é também um reconto das Mil e Uma Noites. Escrito pela Renée Ahdieh, e publicado no Brasil em 2016 pela Globo Alt, um selo da editora Globo Livros, o segundo livro, A Rosa e a Adaga, é previsto ainda para esse ano. Nesse post vamos te dar três motivos para dar uma chance pra essa história.

Nessa história, o califa de Korasan, Khalid, mata suas esposas a cada amanhacer. Quando a melhor amiga de Sherazade é assassinada pelo rei, ela trama sua vingança e se oferece como noiva esperando pela chance de vingar a morte de sua amiga. Logo na primeira noite, Sherazade, ou Shazi, envolve o rei com uma história e, prometendo terminar de contá-la na noite seguinte, ela consegue para si mesma mais um dia de vida. Enquanto ela tenta sobreviver e busca uma oportunidade de matar Khalid, Sherazade acaba percebendo que há mais segredos do que ela imaginava por trás dos assassinatos.

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Descrição da imagem: Capas nacionais. A primeira em azul, com sombras de um palácio e alguns camelos, e a segunda em rosa, com a silhueta de uma mulher e um palácio a fundo.

Shazi  e Khalid

No começo da história, Sherazade só se importa em se vingar, ela está com raiva e não pensa duas vezes antes de abandonar a todos que ama para se infiltrar no palácio. Achei um pouco apressada a forma como Khalid se apaixonou por Shazi, mas ao mesmo tempo, é bem visível que ela não se apaixona por ele com a mesma rapidez. Em todo caso, a atração que sentem um pelo outro justifica a forma como o romance começa a se desenvolver.

Ao longo dos livros, Sherazade e Khalid mantém um relacionamento saudável, eles tem uma comunicação aberta e sincera, respeitam um ao outro e, em nenhum momento, os conflitos entre eles se baseiam em mal entendidos por falta de comunicação, pelo contrario, sempre que um deles é magoado pelas ações do outro, eles imediatamente conversam sobre aquilo.

Relacionamentos

Uma das minhas partes preferidas da história é, sem dúvida, os relacionamentos entre as personagens femininas. Sherazade convive o tempo todo com outras garotas, Despina, sua serva, Irsa, sua irmã, e ela se lembra sempre de Shiva, sua melhor amiga. Elas se importam umas com as outras, e uma coisa que me agradou bastante é a cena em que Sherazade conhece Yasmine, que claramente tem interesse romântico em Khalid. Gostei dela não ser tratada como uma ameaça, ou diminuída enquanto mulher apenas por tmabém amar Khalid, mais tarde Yasmine mostra que tem um caráter forte e defende seus ideias, mesmo quando isso significa enfrentar quem ela ama.

Os personagens masculinos também são muito bem desenvolvidos, a relação entre Khalid e Tariq, o primeiro amor de Shazi, em nenhum momento objetifica ela, apesar de Tariq ter ciúmes e ressentimento em relação ao califa, eles não se enfrentam em demonstrações de masculinidade. Mesmo no auge do conflito, no segundo livro, eles são tolerantes e respeitam as escolhas de Sherazade.

Dois dos meus personagens preferidos foram Jalal e Khalid, o primeiro acabou sendo o alívio cômico da história, apesar de não ser o clássico palhaço, mas por ser descontraído, e o segundo por mostrar equilibro e ser ponderado, mantendo a calma e sendo razoável em todos os momentos.

Representação feminina

Em diversos momentos Shazi fala coisas como “não me trate como se fosse meu dono”, ou “não sou sua para dispor de mim como quiser”. A opinião dela é levada em conta o tempo todo, e no segundo livro, é ela quem toma as decisões que acabam solucionando os problemas deles.

Todas as outras personagens femininas também tem voz ativa, Irsa é proativa durante todo o segundo livro, e Despina e Yasmine surpreendem completamente e quebram todas as expectativas no final da trama.

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Descrição da imagem: Capas dos ebooks, a primeira tem um rosto em close em tons de vermelho com o fundo em azul, e a segunda tem uma adaga dourada em meio a pétalas de rosas.

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Descrição da imagem: capas das edições americanas, a primeira em rosa e a segunda em azul, ambas tem uma mulher ao fundo.

Gostei da forma como a mensagem da autora fica clara: independente da situação, ou da forma como uma sociedade é estruturada, é possível que haja espaço para a mulher, suas opiniões e sua participação. E acima de tudo, as mulheres podem cuidar de si mesmas, elas não precisam que os homens as proteja por serem frágeis ou vulneráveis.

Por fim, minha crítica é para o aspecto fantástico da história, achei que tudo se resolveu de forma muito apressada no segundo livro, parece que a autora correu para resolver alguns conflitos, a impressão que ficou é que a história precisava ter sido contada em três livros, invés de apenas dois. Os poderes de Shazi ficaram um pouco mal explicados, apesar de não deixar pontas soltas. Algumas soluções e descobertas apareceram de forma muito conveniente, sem grandes dificuldades, o que me pareceu fácil demais.

Apesar desses serem aspectos importantes, os pontos fracos da história não me impediram de gostar muito dos livros, que continuo indicando fortemente. Renée Ahdieh lançará outro livro em 2017, sem relação com a duologia. Minha sugestão é pra ficar de olho na autora, que promete continuar explorando ao máximo seu potencial.

Laís
meus textos | twitter | tumblr | skoobLis é estudante de letras que queria viver umas dez vidas pra estudar, ler e assistir tudo o que tem vontade. Rainha do fandom de um membro só. Não sabe controlar o sarcasmo.
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