O Senhor do Vento: Como inovar o folclore brasileiro

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O feriado do carnaval está quase terminando e, a essa altura, ou você já cansou de tanto pular e dançar ou já terminou aquele livro que começou a ler já na sexta-feira depois da aula ou do trabalho. Seja qual for a sua situação, uma coisa é certa – é hora de descansar e, quem sabe, ler algo novo. Mas, às vezes, a gente não quer se prender com algo muito comprido ou quer só passar o tempo sem compromissos. É aí que entram os contos.

Tem muita gente que não está acostumada a ler contos, mas a verdade é que essa pode ser uma ótima ideia. Você pode conhecer um autor novo sem se comprometer com muitas páginas e se arrepender na metade do caminho ou pode só passar o tempo lendo algo interessante de quem você já conhece! De qualquer forma, ler contos é uma experiência divertida e descompromissada, e o próprio ato de ler não é, em parte, exatamente isso?

Assim, separei uma das minhas últimas leituras para comentar no post de hoje – O Senhor do Vento, de Gabriel Réquiem, publicado pela Editora Draco sob o selo Contos do Dragão. Antes de falar sobre o conto em si, vamos falar do selo. Contos do Dragão é uma seleção de histórias publicadas em ebook, que você pode encontrar na página deles em diversos formatos. A maioria dos contos está disponível na Amazon, para ser lido no Kindle, mas alguns deles também podem ser obtidos para o Kobo da Cultura ou para o Lev da Saraiva. Alguns deles podem até ser encontrados no Google Play e alguns outros foram publicados exclusivamente no formato digital e são um pouco mais difíceis de achar individuais.

A seleção vai de contos de terror a contos fantásticos, passando por contos eróticos (você já leu a nossa resenha de Café Coado na Calcinha?) e space operas. Na lista de autores publicados, nomes já conhecidos do fantástico brasileiro como Leonel Caldela, Eduardo Spohr, Helena Gomes, Eric Novello e Felipe Castilho (o livro dele está no nosso #desafiopave, já viu?). Ou seja, o projeto é bem incrível, né não?

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Descrição da imagem: O kindle centralizado, com um galho de flores ao seu lado e cadarços do outro, com um trecho explicando que O Senhor do Vento faz parte da coleção Contos do Dragão + link para o site do selo.

O conto de hoje, O Senhor do Vento, atualmente está disponível no Kindle Unlimited. Mas não se preocupe se você não tiver esse serviço – ele também está de graça no site! Quem não tem o Kindle pode baixar o aplicativo para tablet e celular e ler por lá também – basta ter uma conta na Amazon.

Agora sim, vamos falar sobre o conto em si. Quem me indicou essa história foi a Sol, que escreve aqui no blog também, sabendo que eu adoro ler histórias que usam elementos do folclore brasileiro. Baixei o ebook e deixei ele no meu Kindle enquanto lia outras coisas. Então, certo dia, levei o dito cujo comigo pra passar um dia assistindo campeonato de rugby (Sim, eu sei.). E vou te contar: O dia estava quente como em qualquer final de semana no verão brasileiro, mas eu me arrepiei inteira.

A princípio, achei o estilo de escrita do Gabriel Réquiem meio rebuscado demais. Mas logo a coisa engatou e eu esqueci completamente disso. O Senhor do Vento começa acompanhando Emília e Zezinho, duas crianças passando as férias na casa da avó, em um sítio no interior. Mas logo a história toma um novo rumo quando Zezinho encontra a porta de um quarto proibido aberta e, dentro de um baú antigo, um cachimbo mágico e um diário de um parente já morto, o tio-avô Sinésio.

É aí que a história fica boa. O diário conta como Sinésio, um  professor de Taubaté que acabou indo parar no exército e, consequentemente, em uma missão na floresta Amazônica, descobriu, certa vez, um horror sem limites. Um horror que traumatizou Zezinho a tal ponto que o menino se viu tocado pelo resto da vida.

Para não contar spoilers, basta dizer que Gabriel não mede palavras para criar a atmosfera de terror do livro. Os soldados de Sinésio, o tio-avô, sofrem nas matas da Amazônia, passando por transformações e horrores que não ficariam deslocados em um filme de Jogos Mortais. As criaturas que eles encontram e que dão nome ao conto são gigantescas e aterrorizantes, atacando os forasteiros sem escrúpulos.

Só que o que já era bom (isso é, se você gosta de histórias de terror) fica ainda melhor quando o conto chega ao fim. É aí que descobrimos como o trauma de Zezinho, por ter lido esse relato em específico, o acompanhou durante sua vida inteira – e como o então menino usa desse mesmo trauma para criar uma das histórias mais icônicas da literatura brasileira. Gabriel Réquiem consegue recriar a origem de personagens do nossa folclore com maestria, e nos aterroriza no caminho. Todas as referências usadas desde a primeira página fazem sentido – e eu fiquei bem perto de gritar no meio da arquibancada quando cheguei ao final.

O Senhor do Vento utiliza o folclore nacional de forma incrível e inovadora, misturando histórias e personagens que já conhecemos com um horror muito bem escrito, tudo isso em menos de trinta páginas. Para quem gosta do gênero e quem quer conhecer uma nova face das histórias que ouvimos quando criança, é uma ótima pedida. Nem que seja só para ficar com medo de algo novo.

Emily
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Formada em Letras. Ama monstros e cachorros e, principalmente, lobisomens. Puxa o erre, adora parênteses e quase nunca usa o plural direito.

Um comentário sobre “O Senhor do Vento: Como inovar o folclore brasileiro

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