Por trás da música em La La Land

Em um primeiro momento, somos introduzidos ao plano-sequência de pessoas abandonando seus carros para dançarem e cantarem na ensolarada Los Angeles no verão. E é com a introdução desta estação e o clima ameno que começamos a embarcar na história do filme. La La Land conta a história de Mia (Emma Stone), uma aspirante a atriz que trabalha em um café dentro das locações do estúdio da Warner Bros, e Sebastian (Ryan Gosling), um pianista de jazz que encontra sua paixão de forma um tanto tradicionalista.

Nos primeiros minutos de filme, podemos perceber a idealização das personagens, buscando seus sonhos com certa arrogância ao se precipitarem ou contarem vantagem enquanto tentam alcançar exatamente o que desejam. Mia e Sebastian acabam se conhecendo e iniciam um conflituoso relacionamento a princípio que vai se dissipando e transformando-se em canções conforme o filme avança. A construção da relação das personagens é marcada com as estações do ano, cada uma correspondendo a um momento de suas vidas e a forma que se encontravam em relação ao outro. Enquanto Mia é recusada diversas vezes e busca sempre ir atrás de sua grande oportunidade como atriz, Sebastian sonha em ter seu próprio bar de jazz para tocar sua música de acordo como deveria ser.

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Vitória não é uma história qualquer

E falo sério. Não porque a história é uma ficção: não é. Não porque compõe um clichê: tudo menos isso! E sim porque essa história acontece, mas não com os papéis que você tá acostumado a ver na novela, livros ou até no seu dia a dia depois de ouvir aquela fofoquinha de bar.

Vitória, obra de de Giovanni Arceno, conta sobre Vitória e Danilo. Dois jovens adultos que depois de uma transa por pura diversão, descobrem que vão ser pais. Sem amor nenhum entre eles, não sabem o que será dessa criança, como funcionará as suas rotinas envolvendo trabalho e mesclando com um pouco de sonho do que eles querem realizar ainda futuramente em suas vidas. Eis então que ela decide que irá praticar aborto, mesmo que ilegalmente, e busca ajuda de Danilo, que não é um jovem pra lá de decidido, o contrário dela, que quando coloca uma ideia na cabeça, não há quem pudesse fazê-la mudar de ideia.

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A franquia Ghostbusters e seus altos e baixos

Não é novidade para ninguém que Hollywood adora remakes. Seja de filmes estrangeiros bem recebidos pelo público (Olá, Train to Busan) ou de sucessos dos anos 80 e 90, estamos sempre sendo bombardeados por anúncios de novos filmes e seriados que, muitas vezes, causam tanto ou mais falatório que seu original.

No começo do ano passado, o primeiro trailer do remake de Ghostbusters foi lançado no YouTube e, bem, você já sabe o que aconteceu. A internet fez o que faz de pior, destilando machismo e racismo até a exaustão – e ainda continuou depois disso. O vídeo foi parar na lista de Most Disliked Videos do site, recebendo mais de um milhão de reações negativas. Atualmente, o trailer ocupa a 11° posição nessa lista, depois de videoclips de Justin Bieber, Rebecca Black, Miley Cyrus e Nicki Minaj. Isso tudo antes mesmo do filme ser lançado nos cinemas.

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Há muito a ser dito sobre a recepção do reboot. Ghostbusters, até então, era uma franquia relativamente esquecida, se pensarmos no impacto que outras (como Star Wars e Indiana Jones) tiveram na cultura pop atual. A continuação do primeiro filme, lançada quatro anos depois do original, foi bem criticada na época – e, até hoje, muita gente defende o esquecimento do mesmo. Por que, então, uma onda de ódio tão grande levantou-se frente a um reboot até então inofensivo, uma vez que ninguém havia assistido a obra e poderia dizer se a mesma “estragaria” ou não o original?  A resposta, a gente já sabe.

Ainda ano passado, em resposta a esse ódio todo, resolvi assistir os filmes originais. Até então, eu não havia ligado muito para a franquia e, verdade seja dita, eu era medrosa demais quando criança pra me misturar com fantasmas e demônios dos anos 80. Mas como planejava assistir ao reboot no cinema e não queria correr o risco de perder nenhuma referência,  me armei de pipoca, laptop e twitter – e comecei a experiência. Continuar lendo

Interestelar e a Ficção Científica clichê

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Não é segredo nenhum que eu sempre gostei de filmes sobre espaço, inclusive pelo tanto que já falei deles no blog. Não há nada melhor do que ver a imensidão das galáxias, as viagens, as espaçonaves — seja romance, aventura ou horror espacial. Quando Christopher Nolan anunciou Interestelar, eu fiquei bastante animada, esperando algo genial. Gosto muito de A Origem, a trilogia Batman e O Grande Truque. Mas ao ver Interestelar, só consegui ficar desapontada.

O problema maior de Interestelar é que os problemas não são poucos. Há spoilers à frente, para analisarmos melhor o filme. Continuar lendo

Resenha: A Criada (The Handmaiden)

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A Criada (Ah-ga-ssi, originalmente), de 2016, é um filme sul-coreano que rendeu um bocadinho de polêmicas durante o ano passado, considerando sua temática e a forma que nossa sociedade, com todas suas opressões e contradições, reagem a ela. Dirigido pelo também sul-coreano Chan-wook Park, do filme Oldboy (2003), a trama é carregada de sensualidade, violência e beleza. Talvez um pouco mais de sensualidade! Tudo junto de alguns momentos de dar nó no cérebro e delicadeza no tratamento da relação romântica entre duas mulheres.

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Café Coado na Calcinha: o melhor conto erótico que você respeita

Às vezes, numa busca despretensiosa por uma nova leitura, a gente acaba esbarrando em algo surpreendentemente bom. Navegando sem rumo na página de ebooks da Amazon e esbarrando em milhões de contos eróticos com capas e títulos duvidosos, eu encontrei Café Coado na Calcinha. Não tive vontade de ler, confesso, mas acabei aceitando o pedido das migas e peguei o conto pra ler. E qual foi minha surpresa ao perceber que esse conto erótico foi, até o momento, a minha melhor leitura de 2017.

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[Descrição da imagem: Um fundo de renda vermelha com um quadro branco na frente e o título do conto escrito também em vermelho.]

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Santa Clarita Diet: dieta excêntrica acompanhada de muito humor

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Uma das produções recentes do canal de streaming Netflix, lançada no dia 3 de fevereiro deste ano, Santa Clarita Diet tem causado um grande burburinho por aí nos últimos dias. Tudo porque a empresa resolveu investir em algo pelo qual ninguém esperava — uma mistura inusitada de série de comédia com zumbis. Não, você não leu errado. A sitcom, aquela série engraçada e curtinha que você assiste para se distrair e, claro, gargalhar após um dia estressante, ganhou um tom sombrio e até macabro ao se mesclar com uma das figuras mais icônicas do terror: zumbis.

Não é a primeira vez que ocorre uma coisa do tipo no mundo do entretenimento. O gênero cinematográfico “comédia zumbi” é pioneiro no assunto e consta com diversos filmes de sucesso, tal qual Zumbilândia (2009). Também não é raro, no próprio mundo das séries, se deparar com zumbis que não parecem estar mortos. No seriado francês Les Revenants, por exemplo, pessoas que já morreram começam a ressuscitar misteriosamente e retornam como se nunca nem tivessem partido.

No entanto, realmente, dentro de uma única série, jamais se havia visto zumbis e comédia lado a lado, tratando-se de uma enorme inovação. E será que uma junção de sitcom e mortos-vivos poderia dar certo?
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