#desafiopave: O Coronel e o Lobisomem

Mais um domingo, mais um #desafiopave rolando aqui no blog. Dessa vez vamos falar um pouquinho sobre o filme que assistimos em março e alguns comentários que achamos interessantes sobre o longa. Então, vamos lá, que é hora de falar sobre O Coronel e o Lobisomem, a adaptação de 2005, dirigida por Maurício Farias.

Capa

[Descrição da imagem: Esmeraldina (Ana Paula Arósio) usando um vestido preto de pé ao lado de Nogueira (Selton Mello) que usa um terno antigo, e ao meio deles está sentado o coronel (Diogo Vilela), vestido em seu uniforme. Todos os três encaram a câmera.]

Apesar do filme do mês ser uma adaptação de um livro, o texto de hoje vai focar apenas na obra cinematográfica de 2005, até porque eu não li (e não quis ler) o livro antes de assistir ao filme e vir aqui escrever minhas impressões pra vocês. E esses são principalmente meus sentimentos e de coisas que foram conversadas com outros integrantes aqui do Pavê. Ok? Ok, então tá.

O Coronel e o Lobisomem (2005) foi o primeiro longa dirigido pelo Maurício Farias e conta, assim como a obra de base, a história do coronel Azeredo Furtado, que herdou de seu avô a fazenda Sobradinho, todo seu dinheiro e sua patente. O filme começa num julgamento, com o Nogueira, irmão de criação do protagonista, exigindo que o coronel abra mão das terras que ele perdeu em investimentos. O coronel, porém, não está aberto para essa possibilidade e diz que foi ludibriado por Nogueira e suas artimanhas sobrenaturais, afinal, ele tem absoluta certeza que Nogueira é um lobisomem e decide relatar toda sua vida pra provar isso aos presentes.

A maior parte do filme, então, surge como o relato do coronel, que conta episódios desde a sua infância até a vida adulta, ressaltando a forma como Nogueira sempre teve inveja dele. Segundo o coronel, Nogueira nunca perdoou o fato de seu avô ter feito de Azeredo Furtado o herdeiro universal, e também o fato de Esmeraldina, prima do coronel, nunca ter lhe dado bola, sempre cheia de carinhos pro coronel. Bem, verdade ou não, é esse o relato que ouvimos do coronel ao decorrer do filme.

Untitled-2.png

[Descrição da imagem: o coronel veste um terno beje, um chapéu e tem um cigarro em sua boca, ao seu lado está Esmeraldina, com um vestido branco sob um espartilho rosa com um enfeite florido. Os dois parecem ter acabado de entrar por uma porta e encaram além da câmera com expressões surpresas. ]

É interessante ver como o coronel vai narrando e diversos dos feitos heroicos e corajosos que ele diz ser sua autoria, são retratados para o telespectador de forma real, mostrando sua covardia e medo, sempre tomando créditos pelas atitudes dos outros. Também é interessante como o coronel pinta Esmeraldina como uma jovem inocente e sedutora, quando vemos claramente, através de seus gestos teatrais, como ela parece estar sempre manipulando o coronel (o que me irritou um pouco na representação, mas comento isso mais pra frente). Assim como Nogueira, em quem o coronel confiava cegamente (ou melhor, confiava porque a conveniência pedia) sempre aparecia com palavras falsas e teatrais. Engraçado como demorou tanto pro coronel se dar conta do que acontecia (ou nem perceber nada, se for pensar na Esmeraldina), fazendo dele a própria personificação do meme “cuidado com a burra”.

Bom, a verdade é que eu não gostei tanto assim de O Coronel e o Lobisomem, e eu estava realmente querendo gostar. O longa me pareceu bastante arrastado, com algumas sequências que talvez não fossem tão necessárias assim. E também fiquei bastante decepcionado com o fato de ter rido tão pouco com uma comédia brasileira que tinha tanto, mais tanto potencial.

Untitled-3.png

[Descrição da imagem: Coronel está sentado na beira de uma mesa repleta de alimentos e ele veste uma camisa branca sob um colete vermelho, ele também tem um guardanapo de pano preso em seu colarinho. A sua direita está um galo sob a mesa, igualmente com um guardanapo em seu pescoço. O coronel encara e parece conversar com a ave.]

Como eu disse antes, me incomodou bastante a forma como Esmeraldina é retratada no filme. Pros olhos do coronel, uma deusa num pedestal; pro públicos, uma manipuladora dissimilada. Senti falta de mais nuance na personagem dela (que não foi acrescentado mesmo com aquele final inusitado), afinal, isso é algo que, hoje em dia, não só é importante pra mim, como também necessário pra todas. Mas, né, no fundo eu nem esperava tanto do desenvolvimento da personagem feminina em um filme sobre um homem rico e mimado, exercendo ativamente sua profissão de herdeiro.

O filme ainda consegue tirar umas risadas suas durante um ou outro momento, então não é de todo ruim. E, claro, você pode aproveitar O Coronel e o Lobisomem muito mais do que eu aproveitei, por isso, se você assistir, conte pra gente o que achou!

Sol
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Mestranda em Estudos Literários com ênfase em procrastinação. Apaixonada por cultura pop, acredita que toda história tem potencial pra ser uma boa comédia romântica e tá sempre pronta pra indicar uns chás.
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