O melhor mockumentary sobre vampiros que você respeita: O Que Fazemos nas Sombras

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Seguindo a minha deixa de falar sobre Taika Waititi sempre que possível, o post de hoje é justamente sobre meu filme favorito do diretor neozelandês – O Que Fazemos nas Sombras! Eu já falei rapidamente sobre ele aqui no blog, em um post de filmes com lobisomens para o nosso saudoso Pavê Trevoso, mas só agora o filme saiu no catálogo da Netflix Brasil e eu não podia deixar a chance passar, né não?

Se você não lembra quem é Taika Waititi, vai aqui uma recapitulação: Diretor, escritor, ator e comediante da Nova Zelândia, Taika recentemente dirigiu Thor: Ragnarok (a culpa do cabelinho curto do deus nórdico é dele, mas a gente releva), seu primeiro grande trabalho em Hollywood, e foi responsável pelo curta Civil War: Team Thor no universo cinematográfico da Marvel. Mas, até chegar onde está, Taika dirigiu alguns outros filmes. Boy e A Incrível Aventura de Rick Baker até mesmo já apareceram aqui no blog (porque aparentemente eu não sei ficar quieta quando o assunto é Waititi)!

taika e thor

Vamos contar: Quantas fotos de Taika Waititi eu consigo enfiar nesse post? Descrição da imagem: Taika, de camisa azul, gesticula para o alto enquanto Chris Hemsworth, vestido com as roupas, cabelo longo e capa de Thor, olha para ele. Ao fundo, outros homens conversam e olham Taika.

Lembrou quem é? Ou pelo menos reconheceu o trabalho dele? Então vamos falar de O Que Fazemos nas Sombras. Se você tem estômago forte, vai preparando a pipoca e abrindo o site da Netflix enquanto isso, dá tempo.

O filme de 2014 não só é dirigido por Taika e seu amigo Jemaine Clement (sabe o cara que cantou a versão original de Shiny, de Moana?) como também foi escrito e estrelado pelos dois atores e acompanha um grupo de vampiros vivendo em uma república em Wellington, Nova Zelândia em pleno século XXI. Sim, você leu certo. É um documentário seguindo a vida de um grupo de vampiros na Nova Zelândia.

taika e jemaine

Descrição da imagem: Taika Waititi, de costas, e Jemaine Clement, olhando para um para o outro, conversam em segundo plano em um dos cenários do filme. É possível ver aparelhos de filmagem fora de foco no primeiro plano. Pessoas dançam ao fundo.

Tudo bem, o filme não é um documentário de verdade (Mas a gente pode dizer que aí depende do que cada um acredita, né não?). Mas ele segue esse modelo, assim como vários outros filmes e seriados já o fizeram nos últimos anos – entre eles, o clássico do terror A Bruxa de Blair e as séries de comédia Parks and Recreation e The Office. E ele funciona perfeitamente, abrindo espaço para piadas metalinguísticas e mostrando como vampiros podem ser hilários.

O grupo principal ao qual somos apresentados é composto por Viago, um dandy de 379 anos interpretado pelo próprio Taika e que age como o líder da casa, sendo o responsável por reuniões típicas de república e apaixonado por uma humana, Vladislav (Jemaine Clement), de 862 anos, um ex-tirano, Petyr (Ben Fransham), o vampiro de mais de 8000 anos que mora no porão, e Deacon (Jonny Brugh), de 183 anos, o rebelde da turma. Sem poder sair na luz do sol, os quatro acabam perdendo boa parte do desenvolvimento dos humanos, mantendo seus hábitos e roupas do período em que foram transformados.

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Descrição da imagem: Vladislav, Petyr, Deacon e Viago, cada um segurando um placa branca com um número, juntos formando o número 1967. Em certa altura do filme, vemos fotos dos quatro vampiros em várias décadas diferentes.

É então que entra Nick (Cori Gonzalez-Macuer), um humano que deveria ter sido sua vítima mas acabou sendo transformado depois de uma fuga mal sucedida (e também uma das minhas cenas favoritas – e olha que é difícil escolher!) e volta para a casa para mudar toda a rotina. Conhecendo os costumes e truques dos homens de hoje em dia e levando seu melhor amigo humano Stu (Stuart Rutherford) para dentro da casa, ele muda a pós-morte de todos. Introduz os vampiros a tecnologia, faz um humano ser aceito pelos monstros e causa um ciúmes sem fim em Deacon, que até então era o descolado da casa.

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Descrição da imagem: Um gif mostrando Deacon empurrando Nick para longe enquanto reclama, em inglês: “Você não é ‘Crepúsculo’!”

O Que Fazemos nas Sombras acompanha esse grupo em suas vidas noturnas e traz um pequeno insight de como é ser um vampiro nos dias de hoje. Nada de meninas apaixonadas como em Crepúsculo ou criaturas sangrentas e extremamente violentas sem motivo aparente. A sensualidade existe, principalmente em Vladislav e até mesmo em Deacon, mas ela também é um motivo para fazer o expectador rir. Os lobisomens, inimigos número um dos vampiros na cultura mundial, estão aqui também, mas eles são só mais um grupo de caras usando jaquetas que ficam na deles e não vão com a cara dos quatro principais. Fazem piada do grupo e se preocupam com seus próprios problemas, mas acabaram sendo uma das minhas adaptações favoritas.

Na verdade, aquela masculinidade e sensualidade pesadas que geralmente aparecem quando o assunto são vampiros aparecem aqui de uma forma diferente. Deacon apresenta uma dança sensual para seus amigos sem pudor e faz um cachecol de crochê para o novo amigo humano, Vladislav tem uma inimiga mortal que acaba sendo hilário, Viago é super preocupado com limpeza e Petyr é quase um cadáver ambulante. Apesar de ser uma comédia, tais características não diminuem os personagens – levam ao riso, sim, mas pelo contexto.

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Descrição da imagem: Vladislav, Deacon, Petyr e Viago posando em frente a um carro azul. Vladislav e Deacon estão com as camisas abertas, Petyr está todo coberto de preto e Viago usa uma camiseta florida debaixo de um coleto liso.

Nem tudo são flores, claro. Há apenas três personagens mulheres com um destaque maior, mas uma delas faz questão de sempre mostrar que está ali por que quer ser transformada também e não consegue justamente por ser mulher. Jackie (Jackie van Beek) é a “humana de estimação” de Deacon e ajuda-o a navegar nesse mundo atual, geralmente conseguindo novas vítimas. Já Josephine (Chelsie Preston Crayford) é a amada de Viago, aquela que o motivou a ir para a Nova Zelândia, mas funciona mais como isso mesmo – motivadora de ações e, posteriormente, razão para uma nova piada. Por último, a inimiga de Vladislav.

Como em todos os filmes de Waititi, O Que Fazemos nas Sombras não é apenas comédia. A rixa entre Deacon, o vampiro descolado, e Nick, o recém transformado, atinge níveis estratosféricos, a situação delicada de Stu, o único humano no meio do grupo, desenrola-se no clímax da história e o próprio Vladislav sofre graças a sua arqui-inimiga. Mas os personagens todos são bem trabalhados e suas histórias tem um arco satisfatório, que faz o filme ser muito mais do que um falso documentário engraçado.

stu

Descrição da imagem: Stu, de moletom cinza, camiseta azul desbotado e rosto corado, explica para Vladislav, sentado ao seu lado, quase fora de cena: “O que você quiser, você pode digitar o nome aqui”. Nessa cena, Stu explica para os vampiros como a Internet funciona.

Se você quer rir, assista O Que Fazemos nas Sombras! Se você quer se emocionar com personagens que nunca imaginaria, assista O Que Fazemos nas Sombras! Se você quer ver Taika Waititi e Jemaine Clement usando roupas ridículas de séculos atrás, assista O Que Fazemos nas Sombras! Resumidamente: Assista O Que Fazemos nas Sombras!! E depois vem falar desse filme comigo.

Emily
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Graduada em Letras. Ama monstros e cachorros e, principalmente, lobisomens. Puxa o erre, adora parênteses e quase nunca usa o plural direito.
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