Vida: o retorno do terror no espaço

Eu amo ficção científica.

Não sei quantos posts aqui no Pavê já comecei com essa frase, mas acho que posso falar de novo – eu amo a ficção científica. Ela proporciona uma válvula de escape sem deixar de mostrar a natureza humana, ao mesmo tempo em que temos robôs e aliens. O mais legal é que ela também inclui um milhão de subgêneros, e hoje eu vou falar sobre um filme em particular que está em cartaz: VIDA.

Vida traz uma premissa bem simples. Seis astronautas estão no espaço e tem a missão de investigar resíduos de solo extraídos de Marte. E para sua surpresa, eles conseguem encontrar evidência da primeira vida fora da Terra.

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#pracegover: imagem da Estação Espacial com a Terra no fundo

Há um subgênero na ficção científica que eu curto em especial, o “space terror” — terror espacial — que é uma mistura de elementos do horror e da própria ficção científica. Geralmente são filmes que se passam em outros planetas ou dentro de uma espaçonave, mas cuja narrativa lembra muito um filme de terror. Há elementos que facilmente reconhecemos dentro dos filmes, como morte de personagens, o suspense, e a maneira que a narrativa é construída sobre os personagens. Nos filmes de terror clássico, um a um as pessoas vão sendo pegas pelo monstro (ou fantasmas, ou bruxas, ou vampiro, ou o demo) e vão desaparecendo, até que reste apenas o sobrevivente, cujo encargo é acabar com tudo aquilo.

É uma razão bem óbvia pela qual gostamos de filmes de terror – gostamos de sentir medo. Como seres humanos, gostamos de ver algo que nos assusta e que nos faz refletir: eu sobreviveria a uma situação dessa? Quais seriam as minhas escolhas? Frequentemente, os personagens cometem ações bem burras, o que nos faz torcer para o antagonista. O melhor filme de terror são aqueles que os personagens fazem tudo corretamente e ainda assim acabam sucumbindo.

David Jordan (Jake Gyllenhaal) in Columbia Pictures' LIFE.

#pracegover: David (Jake Gyllenhaal) com uma lanterna fazendo um faixo de luz através do vidro de uma janela

Vida faz isso tão bem. O roteiro é impecável nesse quesito. Todos os personagens constantemente fazem boas escolhas e são inteligentes, e ainda assim são surpreendidos pelo extraterrestre que trouxeram a bordo da estação espacial. O clima do roteiro é escuro e o filme em si não hesita em trazer o sangue para a tela. Em meio a gravidade zero e equipamentos, o suspense do filme cresce cada vez mais. Com um roteiro reminiscente de Alien, O Oitavo Passageiro e um pouco de 2001 – Uma Odisséia no Espaço, o filme traz com tudo o space terror em sua melhor forma.

Confesso que não esperava tudo isso do filme quando primeiro sentei na poltrona do cinema. Como ávida fã de sci-fi e também do Jake Gyllenhaal, eu não podia deixar de ver, e o roteiro acabou por me surpreender. Ele tem um elenco equilibrado e diverso (confesso que sendo tradicional de Hollywood, eu jurava que o personagem negro ia ser o primeiro a morrer, mas surpresa! Vida não me desapontou), e que o roteiro permite que sejam apresentados em uma luz única. Todos os personagens possuem cenas que os definem como pessoas, dando espaço para o crescimento de uma narrativa pessoal sem perder o objetivo do filme em si. Isso foi uma das coisas que eu mais gostei. Tantas vezes os arcos pessoais de desenvolvimentos de personagem são deixados de lado na ficção de gênero, mas o roteiro tomou bastante cuidado ao apresentar cada um de seus personagens como um indivíduo e impossível de trocar um pelo outro.

Não há nada de inerentemente novo no roteiro, mas ele retorna ao clássico com maestria — todos os personagens tem tempo de crescimento e são considerados individuais. A tensão da trama jamais deixa de crescer conforme a história se estende, e novas estratégias são pensadas para se livrar do alien que trouxeram a bordo. É claro que o alien em si também não desaponta — é um animal que vai crescendo em sua forma e buscando se alimentar das pessoas que estão na estação espacial. A maneira como o filme inteiro é colocado, no entanto, é que novamente faz com que ao invés de parecer mais do mesmo, o filme acaba se tornando único.

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#pracegover: através de um túnel da estação, vemos Rory (Ryan Reynolds) com seu traje espacial

A escolha do elenco foi bastante inteligente também — Jake Gyllenhaal e Rebecca Ferguson fazem um tremendo trabalho como astronautas na missão, se preocupando como um todo ao que está acontecendo. Passei o filme inteiro torcendo pelos dois e para todo mundo conseguir sair dessa, e também torcendo para o final não me desapontar.

Adianto com prazer que nada disso aconteceu. Cheguei ao final do filme ainda tremendo um pouco, sem acreditar no que acabei de ver. Há um plot twist muito bom, e que apesar de ter adivinhado, ainda achei genial. A maneira como acabaram o filme mal deixa o telespectador respirar mais uma vez com tranquilidade, fechando a história com chave de ouro.

Também não foi só isso que me fez admirar o filme. A tensão na tela é ótima, a câmera gira como se estivesse em gravidade zero, aproveitando novos ângulos e que acaba por proporcionar sequências intensas de ação. Eu também adoro filmes que se passam em somente um cenário, e apesar da enormidade da estação espacial, todos ao mesmo tempo estavam sozinhos lá. E apesar de ser primeiramente um filme que busca o elemento do suspense e do terror, achei lá também o calorzinho da ficção científica – aquela busca do ser humano para entender exatamente quem ele é.

Tem uma cena em particular que ressoou muito comigo, quando o personagem David (Gyllenhaal) fala sobre o porque dele gostar tanto do espaço, e a personagem Miranda (Ferguson)  rebate o porque dela gostar da Terra. Os dois tem pontos de vista ótimos, e quando essa conversa é revisitada no clímax do filme, eu não pude deixar de sorrir emocionada como algo tão simples foi recolocado ali. Mesmo em meio a mortes e suspense, ainda há um espaço para o questionamento, e para o ser humano como indivíduo.

Enfim, eu não posso deixar de recomendar VIDA pra todo mundo que curte esse gênero. É um filme que me surpreendeu de todas as maneiras. Entrei no cinema não esperando nada e saí tendo a certeza que vai ser um dos favoritos do ano. VIDA está em cartaz desde o dia 20 de abril.

Laura
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Escritora com um sonho distante de ter um diploma de faculdade. Fã de Hamilton e Star Wars. Lê muito e dorme pouco. Loka de muitas coisas.
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