Ella Enfeitiçada: um reconto de Cinderela direto dos anos 90

Nos últimos anos, a Disney começou a fazer remakes de seus filmes mais famosos – seja com novas perspectivas, como em Malévola (2014), ou apenas adicionando pequenos detalhes aqui e ali, como em A Bela e a Fera (2017). Mas a responsável pelos filmes que povoaram a infância de tanta gente não é a única que gosta de pegar histórias clássicas e recria-las. O post de hoje, na verdade, é exatamente sobre uma versão diferentona, mas nem por isso menos incrível, de Cinderela, a pessoa mais gentil e bondosa que você há de encontrar por aí.

Ella Enfeitiçada, da Gail Carson Levine, foi originalmente publicado em 1997 – e posteriormente traduzido pela Adriana Figueiredo e publicado aqui no Brasil pela editora Rocco. A história acompanha a vida de Ella desde seu nascimento – quando, ainda bebê, a menina recebe uma benção de uma fada bem intencionada. O único problema? A tal benção não é nada mais, nada menos, que o dom da obediência. Ao ver o bebê chorar sem parar, logo depois de nascer, a fada Lucinda resolve ajudar os pais e concede a dádiva a criança, sem realmente pensar nas consequências.

ella enfeitiçada

O dom dado por uma fada descabida e a existência de uma outra fada, essa madrinha de Ella, não são as únicas semelhanças a história original. O pai que se casa com uma madrasta má depois de ficar viúvo sem pensar muito na própria filha, o príncipe apaixonado, as meias irmãs que abusam de Ella, o grandioso baile e a carruagem dada por uma fada e o próprio nome – todos os elementos estão lá, fazendo uma ponte bem óbvia a história da gata borralheira de vestido maravilhoso (mas que, confesso, eu demorei a sacar porque, a primeira vez que li, eu tinha uns dez anos).

Mas Ella Enfeitiçada é muito mais do que isso. O dom da obediência pode ser a maior força na vida de Ella, mas a menina faz de tudo para se livrar dessas amarras e ir além. A mágica de Lucinda impede que ela ignore os comandos dirigidos a ela, e seus minutos de rebeldia vem com um alto custo – como falta de ar e náuseas. Mas nem mesmo ordens diretas são aceitas de bom grado, e Ella arranja toda forma possível de contornar a situação, por mais boba que a mesma possa ser.

Sendo um reconto de conto de fadas, não dá pra esperar menos do que um bom príncipe como par romântico. E Char, o príncipe por quem Ella acaba se apaixonando e com quem troca cartas, aventuras e risadas apesar das circunstâncias, cumpre bem seu papel. O primeiro encontro dos dois acontece em um momento trágico da vida de Ella, mas é ele quem a faz rir. E, quando mais velhos, as irmãs e a madrasta da garota a fazem sofrer e trabalhar como empregada, é ele que tornará a vida da garota menos terrível ao trocar cartas extensas e, inevitavelmente, apresentar a oportunidade de finalmente se livrar do feitiço – não por ele, mas pelo amor que há entre os dois.

Além disso tudo, ogros famintos na beira da estrada, casamentos de gigantes e elfos e fadas povoam a história, dividindo espaço com castelos escondidos e livros mágicos. Uma escola de bons modos para corrigir a protagonista estabanada e sua rebeldia frente ao mesmo e momentos de alegria pura descendo corrimãos de escadas direto para os braços de um príncipe também estão lá, prontinhos para aquecer o coração e botar um sorriso no rosto de qualquer leitor.

É claro, Ella Enfeitiçada é uma história infanto-juvenil, mas nem por isso perde sua delicadeza e beleza. Ella é uma garota obstinada, engraçada e que sabe o que quer, fazendo todo o possível para atingir seus objetivos – como quebrar um feitiço descabido de uma vez por todas. Apesar de se apaixonar pelo príncipe, sua história é muito mais do que uma história de amor – é também uma história de rebeldia e coragem. Ella é uma daquelas heroínas corajosas que a gente tanto ama, que corre atrás do melhor para ela e não deixa as adversidades obstruírem seu caminho.

Em 2004, o livro foi adaptado e virou filme, com a Anne Hathaway no papel principal e Hugh Dancy como príncipe Char. Mas não anima muito, não – a adaptação aqui foi bem solta, nível Percy Jackson e o Ladrão de Raios. Se você quer conhecer uma outra versão de Cinderela que também usa o dom da obediência ou só quer ver dois atores que você curte contracenando, vai na fé. Mas também lê o livro, vai. É certeza que você vai se apaixonar pela Ella fácil, fácil, e logo vai se pegar torcendo por ela e se divertindo com suas aventuras.

Emily
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Graduada em Letras. Ama monstros e cachorros e, principalmente, lobisomens. Puxa o erre, adora parênteses e quase nunca usa o plural direito.
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