Cara Gente Branca: a série que nós merecemos!

Há um tempo eu fiz um post aqui no Pavê sobre o filme Cara Gente Branca e falei um pouco sobre a série que tava pra sair. Demorou um pouco, mas chegou a hora de falar um pouquinho sobre o que foi essa maravilhosa série da Netflix. Então vem com a gente e vamos conversar sobre Cara Gente Branca!

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Há quase um mês a Netflix lançou a série Dear White People, a série de comédia baseada no filme de mesmo nome que foi lançado em 2014. Tanto a série quanto o filme foram criados por Justin Simien, um cineasta negro da gringolândia e que trouxe pro seu enredo a realidade de um grupo de jovens negros dentro de uma grande universidade majoritariamente branca.

Na série acompanhamos basicamente os mesmos personagens que estão presentes no filme, mas a história não é exatamente um remake, já que o primeiro episódio da série parece iniciar mais ou menos de onde o filme termina (apesar de não ser exatamente uma continuação, pois algumas pequenas mudanças foram feitas). A melhor coisa em ter uma série de Cara Gente Branca é termos a chance de ter um melhor desenvolvimento de todos os personagens, dando a oportunidade de alguns deles, que eram menores no longa, terem mais espaço dentro da narrativa, como é o caso do nosso amado Reggie.

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Cara Gente Branca tem aquela vantagem que todos amamos e gritamos AMÉM que é ser uma série de poucos episódios e cada um com a duração de apenas meia hora. O que pode parecer um espaço de tempo curto (ainda mais quando você senta e assiste tudo de uma vez só), acaba surpreendendo na densidade de seu enredo. Mesmo com apenas dez episódios rápidos, temos a chances de conhecer muito bem cada personagem, entendendo suas motivações e conflitos. E, claro, o ponto forte da série (assim como do filme) é a crítica que a história procura levantar. Discutindo abertamente sobre racismo e a vivência de pessoas negras dentro de um ambiente tão branco, Cara Gente Branca desmascara verdades e dá uns bons tapas nas caras muito mais do que necessários.

Na série vemos o racismo em suas várias camadas: a fetichização, a solidão da mulher negra, privilégios de negros de pele clara, o preconceito que homens negros sofrem com as forças policiais… É encantador ver como essa narrativa consegue abordar bem todos os temas que cercam a vivência negra, sem deixar de lado a utilização de um ótimo humor (daqueles que usam piadas pra problematizar e não ser problemático, rs).

Sendo muito mais eficaz que diversas outras séries, Cara Gente Branca procura trazer para o holofote a representatividade de personagens diversos, como as personagens femininas de vivências diferentes e que se contrastam entre si, ou ainda Lionel e seus conflitos sobre ser negro e LGBT+, sem esquecer de outras minorias ao dar espaço pra personagens como Ikumi (mesmo que em menor dimensão). Uma série que se dispõe a trazer essas representações tão importantes, precisa e muito da nossa atenção.

 

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Minhas ressalvas sobre a série são duas (que provavelmente já foram bastantes discutidas por aí). A primeira é a constante sexualização do Troy, que acabam ecoando muito o discurso de homem promíscuo que vêm do estereótipo do homem negro. As constantes cenas em que o personagem aparece sem blusa (ou até menos que isso) são exageradas e poderiam ser beeeeem menos recorrentes. O segundo ponto que eu acredito que poderia ser muito melhor (e tô torcendo pra melhorar na próxima temporada, QUE  VAI EXISTIR, VAMOS TORCER) é o desenvolvimento da Sam White. Logo que assisti ao filme, eu me apeguei muito à Sam, não pelo seu gênio (eu tô bem longe de ter a audácia dela nessa vida), mas por sua vivência como mestiça e seus conflitos em relação a isso. Essa questão que me chamou tanto a atenção no filme poderia ter sido trazida para série e poderíamos ter tido um desenvolvimento mais profundo dessa personagem tão interessante.

Tirando isso, eu realmente amei Cara Gente Branca! É sempre renovador assistir algo em que não temos um elenco majoritariamente branco e ver pessoas não-brancas sendo o centro de suas próprias histórias. Capaz de arrancar risadas, reflexões e até algumas lágrimas (ou vai dizer que você não chorou no episódio 1×05?), Cara Gente Branca precisa ser assistida por toda a população e, assim, quem sabe, começar a ajudar numa discussão que ainda tem muito pra ser desenrolada.

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Pra terminar vamos deixar aqui aquele shade básico pra Netflix. No post sobre o filme eu já falei um pouco sobre como muitos haters estavam desmerecendo a série antes mesmo de começar, culpando a produção de propagar o famoso Racismo Reverso™. Bem, até aí tudo bem (rs), mas a pior parte é realmente ver como a Netflix fez tão pouco pra divulgar a série. Também já reclamamos sobre essa atitude aqui no blog, mostrando como séries não-brancas não parecem receber a mesma atenção da Netflix que outras séries de protagonistas brancos recebem. Não foi nenhuma surpresa ver como isso aconteceu também com Cara Gente Branca. A maioria da divulgação que você vai encontrar ao caminhar pela vasta internet vai ser textos e vídeos feito por fãs que adoraram a série e estão fazendo de tudo pra ela não ser cancelada (como aconteceu com The Get Down, NUNCA VAMOS TE PERDOAR, NETFLIX!!!!). Com isso, fica aí a reflexão sobre racismo e a forma como ele influência na divulgação de séries como essa.

Pra terminar, se não ficou claro até aqui: ASSISTA CARA GENTE BRANCA AGORA MESMO!!!

 

Sol
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Escritora de histórias bregas e especialista em procrastinação. Apaixonada por cultura pop, acredita que toda história tem potencial pra ser uma boa comédia romântica e tá sempre pronta pra indicar uns chás.
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