Os contos de romance da Olívia Pilar

olívia pilarDepois de indicar O Senhor do Vento lá no começo do ano (e dar uns motivos pra começar a ler contos), eu voltei com mais duas histórias curtinhas mas nem por isso menos incríveis pra vocês! Do que eu tô falando? De Entre Estantes e Tempo ao Tempo, da Olívia Pilar!

Os dois contos foram publicados de forma independente pela Olívia lá na Amazon (mas é aquela história – se você não tem um kindle, o e-reader da Amazon, tudo bem, porque dá pra baixar o aplicativo no seu celular ou tablet e ler por lá mesmo). Além das capas fofíssimas e das poucas páginas (ou seja, você lê num piscar de olhos e fica apaixonado pelo resto do dia), o que os dois contos têm em comum (e que são muito bem trabalhados, por sinal) são protagonistas negras e seus relacionamentos com outras meninas – sejam elas a garota da biblioteca da faculdade ou a melhor amiga da infância. Continuar lendo

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O mundo dos que não ouvem.

É um mundo que existe, um mundo que poucos param pra enxergar ou só percebem que ele está entre nós quando vemos gente falando em linguagem de sinais em alguma parte do nosso dia-a-dia.

É uma comunidade integrada e muitas vezes segregada da nossa comunidade. O que isso quer dizer? “Sabemos que elas existem, mas não temos nada a ver”. Isso é o que parece por essa comunidade estar tão “escondidinha” assim da maioria ouvinte. Poucos são aqueles que sabem falar em linguagem de sinais (aqui no Brasil é chamado de Libras), nem que sejam profissionais da educação para enfrentar esse tipo de situação quando os convierem.

Estou falando do mundo dos surdos ou deficientes auditivos.

Sou surda, com perda severa em ambas as orelhas e diagnosticada com Sindrome de Menière.

Estamos aqui, o tempo todo. E nós falamos e nos comunicamos. Como parte desse grupo, venho aqui contar um pouquinho sobre nós e porque queremos ter mais inclusão.

Nós surdos, tanto oralizados (que falam) quanto sinalizados (que se comunicam por linguagem de sinais) enfrentamos um bocado de coisas diariamente. Nós sentimos falta de acessibilidade numa penca de coisa, por exemplo, disque 0800 por telefone caso alguma emergência. Dá pra sacar a incoerência? Então, as coisas não param por aí.

Um dia eu quis ver filme brasileiro pra resenhar pro blog, quem disse que consegui? Entendi nadinha. Não tinha legenda! Disse praticamente  porque nenhum filme brasileiro tem legendas, nem filmes infantis. Tudo dublado. Disse também praticamente porque dizem que está mudando e, graças às manifestações ocorridas ao longo de 2016 e 2017 dos surdos nos cinemas, agora isso está gerando resultados. Esperamos até novembro para ver, porque agora todos os cinemas terão a obrigatoriedade de colocar legendas em todos os seus filmes por causa da normativa 128 da Ancine.

Não é só isso que enfrentamos diariamente. Temos uma penca de lista pra dizer que, ó, precisamos de uma ajudinha, pessoal! A falta de compreensão da família é muito comum. Todo surdo tem uma história pra contar sobre isso, como por exemplo berram ao invés de cutucar. Não é só na família que acontece, é geral. Sobre não ter a casa adaptada. E se dá um incêndio? Como iremos ouvir os alarmes de incêndio? A TV com a Close Captions atrasadas e, muitas vezes, com frases inacabadas. É horrível assistir TV através dela! Eu até já desistir 😩. Campanhia? Como iremos saber que alguém tá na porta esperando pra nós abrirmos? Deveria ter luz para sinalizar, não é mesmo? Iluminação adequada. Nós dependemos muitas vezes da nossa visão, grande parte das vezes para fazer a leitura labial do amigo que fala com a gente. Balada? Não tem essa pra muitos de nós. Muito ruído pra quem usa aparelho auditivo ou implante coclear, escuro demais pra fazer leitura labial. Não rola, parceiro.

Aeroportos não é um local muito legal pra gente, sabe? A gente tem que ficar quase como doido perguntando para os atendentes qual é o novo portão do embarque. Isso quando não temos acompanhamento, o que fácil de acontecer em aeroportos maiores. Atualmente está melhorando nesse quesito, mas vou te dizer, não é fácil.

Sem contar os impactos sociais que temos, seja no lazer, dia-a-dia, no namoro, no trabalho e na faculdade ou colégio.

É uma forninho que a gente segura todo dia. É pesado. Cansa. Dá até dor de cabeça.

Mas queria fazer esse post dedicando um pouquinho a nossa trupe forte e quase gritando aqui “PRECISAMOS DE INCLUSÃO!”, porque é, gente, nós estamos aqui, nós falamos e até não conseguir nossos direitos faremos muito barulho. Pode apostar.

Então me conta o que achou desse post nos comentários, vamos discutir, trocar experiências e quem quiser contar um pouco de sua história. Vou adorar saber!

Só não vale mandar áudio no WhatsApp, tá?

Luiza meus textos | twitter | skoob | blog pessoal
Amo literatura, filmes de época, escrevo por hobbie e pesquiso porque sou mesmo curiosa. Vivo com a cabeça na lua e sou extremamente sonhadora. Amo ouvir histórias. E meu sonho é contá-las.

Gênero, sexo e não-binário: um FAQ.

De uns tempos pra cá, temos visto uma mudança em como as pessoas usam os rótulos pra se expressar. Antes você era gay ou hétero, mas hoje em dia fala-se mais sobre bi e pansexualidade. E não só quando o assunto é orientação sexual nós vemos essa criação de novas formas de expressar coisas que antes não tínhamos como (porque, sejamos honestos, não é que pessoas bi não existissem antigamente, elas simplesmente não tinham essa palavra pra usar e se expressar). E é aí que entram os gêneros não-binários. E aqui eu vou dar uma luz nesse assunto que vem sido bastante comentado nesses últimos tempos. Mas antes, vamos aprender alguns termos essenciais pra esse post: identidade de gênero, expressão de gênero e sexo designado ao nascer. Pra facilitar a explicação, vamos usar o unicórnio do gênero!

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Para cego ver: do lado esquerdo da imagem há um unicórnio roxo sobre as duas pernas traseiras, pensando em um arco-íris. Ele apresenta dois corações, um laranja e um vermelho, representando atração sexual e romântica e entre suas pernas aparece um pedaço de DNA. Envolvendo o seu lado esquerdo há bolinhas verdes. Do lado esquerdo há uma lista dividida em cinco. A primeira divisão diz identidade de gênero, representada por um arco-íris, e em baixo há três setas que dizem feminina, masculina e outros gêneros. A segunda divisão diz expressão de gênero, representada pelas bolinhas verde, e em baixo há três setas que também dizem feminina, masculina e outros. A divisão seguinte é a de sexo designado ao nascer, representado pelo pedaço de DNA, e com três bolinhas que dizem feminina, masculina e outros/ intersexo. A atração sexual, representada pelo coração laranja, e a atração romântica estão nas duas últimas linhas e as suas setas dizem feminilidade, masculinidade e nenhuma/ outra expressão. Fonte da imagem: http://www.transstudent.org/gender.

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Memórias da Princesa, uma viagem pelo universo particular de Carrie Fisher

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[Descrição da imagem: Em destaque, a capa do livro “Memórias da Princesa: os diários de Carrie Fisher” e, ao fundo, uma imagem da Princesa Leia, o símbolo da Aliança Rebelde e C-3PO.]

Quem acompanha o Pavê já deve ter percebido que tem muitos fãs de Star Wars aqui. Muitos mesmo. E como boa fã da saga e canceriana que sou, resolvi comprar o último livro publicado por Carrie Fisher para me afundar no poço e chorar bem muito. E foi exatamente isso que aconteceu.

Memórias da Princesa traz os diários que Carrie escreveu durante as filmagens do primeiro filme de Star Wars. Na época, ela tinha 19 anos e estava iniciando a sua carreira de atriz e a sua vida adulta, também; e não fazia ideia que Star Wars, que a princípio parecia só mais um filme de ficção-científica, tornaria-se o sucesso que é até hoje.

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A representatividade assexual em Sirens (e por que ela é tão importante)

Alguns anos atrás, descobri uma série nova no Tumblr. Até então, nada de novo. Boa parte das séries e desenhos que eu assisti nos últimos anos foram recomendações das pessoas que eu seguia no site. Cada uma me chamava a atenção por um motivo diferente, mas o motivo principal acabava sendo, sempre, um grande número de pessoas comentando os últimos episódios e fanarts lindos aparecendo na minha timeline (por que, né, ninguém é de ferro). Mas esse seriado em questão não era assim – pouquíssima gente falava dele e havia pouco material nas buscas. O que foi que me chamou a atenção para Sirens? Uma personagem secundária assexual e como um dos personagens principais lidou com isso depois de perceber que tinha uma quedinha por ela.

Ano passado o Paulo falou sobre assexualidade aqui no blog (o post é esse aqui e está bem completinho, pra quem tiver interesse), mas, só pra recapitular, assexualidade é uma orientação sexual (é o A no final do LGBTQA que, não, não está lá para os aliados) assim como hétero, bi, homo e pan, definida pela falta de atração sexual por outras pessoas. Não é celibato e também não é uma piada engraçadinha sobre comida ou falta de qualquer coisa. É algo válido, real e que pode mexer muito com a cabeça de uma pessoa que não tem muita informação, como qualquer outra orientação. A diferença? Pouquíssimas pessoas falam sobre isso. Eu mesma demorei anos pra descobrir que assexualidade existia e havia mais gente nesse mundão que partilhava disso.

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Descrição da imagem: Voodoo, do ombro para cima, olha para alguém fora da cena. Seu cabelo loiro está preso em um rabo de cavalo e ela usa o uniforme azul marinho de paramédica.

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The Abyss Surrounds Us: Sci-fi indie de primeira

O mês do orgulho LGBT está aqui, e como tal, não podia deixar de indicar uma das minhas leituras favoritas dos últimos tempos. Foi difícil escolher sobre qual livro eu ia falar, mas no fim nem precisei pensar muito: The Abyss Surrounds Us, da Emily Skrutskie, ganhou meu coração desde a primeira página.

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The Abyss Surrounds Us é uma história futurística que se passa em um mundo onde o aquecimento global é muito real e praticamente alagou metade das terras do planeta. Devido ao estranho clima e ao novo confinamento de terras, é preciso retomar um velho conhecido da humanidade – a navegação. Mas assim como as nações tem seus navios, os piratas também os têm, e como no passado, são eles que dominam os mares.

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Quando Tudo Faz Sentido é uma história sobre suicídio para suicidas

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Liz Emerson tem dezessete anos, ela é bonita, popular e acabou de se atirar com seu carro de um penhasco. O que torna essa história diferente das várias outras histórias sobre suicídio? Ao contrário da maioria dos livros que falam sobre suicídio, Quando Tudo Faz Sentido, da Amy Zhang, é um livro para pessoas suicidas. O livro foi publicado no Brasil recentemente pela editora Rocco.

O que eu quis dizer com essa afirmação aparentemente óbvia? Pense no último grande fenômeno que trata o assunto, Os Treze Porquês. Tanto a série quanto o livro tratam o suicídio de forma crua e sem sensibilidade, tentam convencer o leitor, ou espectador, de que nunca sabemos como nossas atitudes podem influenciar uma pessoa, e que qualquer um ao nosso redor pode estar enfrentando a depressão, os pensamentos suicidas. A maioria das histórias sobre suicídio apela para a culpa ou sofrimento daqueles que sobrevivem. O que por si só não é inválido, mas e se você for suicida?

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