O mundo dos que não ouvem.

É um mundo que existe, um mundo que poucos param pra enxergar ou só percebem que ele está entre nós quando vemos gente falando em linguagem de sinais em alguma parte do nosso dia-a-dia.

É uma comunidade integrada e muitas vezes segregada da nossa comunidade. O que isso quer dizer? “Sabemos que elas existem, mas não temos nada a ver”. Isso é o que parece por essa comunidade estar tão “escondidinha” assim da maioria ouvinte. Poucos são aqueles que sabem falar em linguagem de sinais (aqui no Brasil é chamado de Libras), nem que sejam profissionais da educação para enfrentar esse tipo de situação quando os convierem.

Estou falando do mundo dos surdos ou deficientes auditivos.

Sou surda, com perda severa em ambas as orelhas e diagnosticada com Sindrome de Menière.

Estamos aqui, o tempo todo. E nós falamos e nos comunicamos. Como parte desse grupo, venho aqui contar um pouquinho sobre nós e porque queremos ter mais inclusão.

Nós surdos, tanto oralizados (que falam) quanto sinalizados (que se comunicam por linguagem de sinais) enfrentamos um bocado de coisas diariamente. Nós sentimos falta de acessibilidade numa penca de coisa, por exemplo, disque 0800 por telefone caso alguma emergência. Dá pra sacar a incoerência? Então, as coisas não param por aí.

Um dia eu quis ver filme brasileiro pra resenhar pro blog, quem disse que consegui? Entendi nadinha. Não tinha legenda! Disse praticamente  porque nenhum filme brasileiro tem legendas, nem filmes infantis. Tudo dublado. Disse também praticamente porque dizem que está mudando e, graças às manifestações ocorridas ao longo de 2016 e 2017 dos surdos nos cinemas, agora isso está gerando resultados. Esperamos até novembro para ver, porque agora todos os cinemas terão a obrigatoriedade de colocar legendas em todos os seus filmes por causa da normativa 128 da Ancine.

Não é só isso que enfrentamos diariamente. Temos uma penca de lista pra dizer que, ó, precisamos de uma ajudinha, pessoal! A falta de compreensão da família é muito comum. Todo surdo tem uma história pra contar sobre isso, como por exemplo berram ao invés de cutucar. Não é só na família que acontece, é geral. Sobre não ter a casa adaptada. E se dá um incêndio? Como iremos ouvir os alarmes de incêndio? A TV com a Close Captions atrasadas e, muitas vezes, com frases inacabadas. É horrível assistir TV através dela! Eu até já desistir 😩. Campanhia? Como iremos saber que alguém tá na porta esperando pra nós abrirmos? Deveria ter luz para sinalizar, não é mesmo? Iluminação adequada. Nós dependemos muitas vezes da nossa visão, grande parte das vezes para fazer a leitura labial do amigo que fala com a gente. Balada? Não tem essa pra muitos de nós. Muito ruído pra quem usa aparelho auditivo ou implante coclear, escuro demais pra fazer leitura labial. Não rola, parceiro.

Aeroportos não é um local muito legal pra gente, sabe? A gente tem que ficar quase como doido perguntando para os atendentes qual é o novo portão do embarque. Isso quando não temos acompanhamento, o que fácil de acontecer em aeroportos maiores. Atualmente está melhorando nesse quesito, mas vou te dizer, não é fácil.

Sem contar os impactos sociais que temos, seja no lazer, dia-a-dia, no namoro, no trabalho e na faculdade ou colégio.

É uma forninho que a gente segura todo dia. É pesado. Cansa. Dá até dor de cabeça.

Mas queria fazer esse post dedicando um pouquinho a nossa trupe forte e quase gritando aqui “PRECISAMOS DE INCLUSÃO!”, porque é, gente, nós estamos aqui, nós falamos e até não conseguir nossos direitos faremos muito barulho. Pode apostar.

Então me conta o que achou desse post nos comentários, vamos discutir, trocar experiências e quem quiser contar um pouco de sua história. Vou adorar saber!

Só não vale mandar áudio no WhatsApp, tá?

Luiza meus textos | twitter | skoob | blog pessoal
Amo literatura, filmes de época, escrevo por hobbie e pesquiso porque sou mesmo curiosa. Vivo com a cabeça na lua e sou extremamente sonhadora. Amo ouvir histórias. E meu sonho é contá-las.
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