As 10 melhores músicas sul-coreanas do primeiro semestre de 2017

No post de hoje vamos voltar a falar de k-pop. Isso mesmo, minhas duas sextas livres vão ser sobre o assunto então não tem pra onde correr, gente. Se aconchega na cadeira e vem comigo que hoje preparei uma lista com as melhores músicas lançadas por artistas sul-coreanos durante esse primeiro semestre de 2017.

Dessa vez, não vou me limitar ao pop em si então essa lista tem artistas de hip-hop, R&B, rock, folk, etc. Com certeza você vai encontrar pelo menos uma música que te agrade. Então vamos começar!

VIXXShangriLa6

[Descrição da imagem: É possível ver seis homens de pé num local com água, os seus rostos não estão visíveis pois estão cobertos por leques.]

WINNER – Really Really

Já falei um pouco sobre o WINNER no primeiro post que fiz sobre k-pop e eles aparecem por aqui, mais uma vez, porque se é pra falar de coisa boa tem que ter WINNER. Depois de mais um ano sem lançar álbum novo, em abril WINNER fez seu retorno como um grupo de 4 integrantes (antes eram 5) e mostrou um lado novo e bem diferente do som mais puxado para o pop rock que eles costumavam fazer.

Really Really é uma música que bebe do tropical house, o gênero mais explorado no k-pop durante esse ano: Playing With Fire (BLACKPINK), Baby (ASTRO), Why (Taeyeon), Why Don’t You Know (Chungha), Switch (NCT), Oh Nana (KARD) e Never (Produce 101) são apenas alguns dos títulos que utilizaram o gênero.

Porém, mesmo tendo como base um gênero que foi tantas vezes repetidos no cenário musical coreano, WINNER conseguiu se destacar ao adicionar soulful hip-hop e dividir quase igualmente os vocais e o rap, criando uma das músicas mais escutadas na Coreia do Sul até o momento.

VIXX – Shangri-La

VIXX é um grupo formado em 2012 e que se tornou famoso por testar (e arrasar muito) os mais diferentes conceitos: ciborgue, vampiro, vídeo-game e BDSM são apenas alguns dos cenários explorados pelo grupo.

A música que entra na nossa lista se chama Shangri-La e é inspirada pela fábula The Peach Blossom Spring, do poeta chinês Tao Yuan-Ming. A história fala sobre uma comunidade utópica, uma espécie de paraíso na Terra habitado por pessoas que procuraram abrigo durante a guerra da dinastia Qin.

O clima etéreo do poema se faz presente através do uso de instrumentos tradicionais chineses que se misturam com sintetizadores e tornam Shangri-La uma música sensual, que se utiliza de movimentos de dança tradicional chinesa e dança moderna para completarem uma das performances mais esteticamente agradáveis do ano.

IU – Palette

A IU é uma artista solo que começou a carreira com apenas 15 anos. Ela logo se tornou uma das cantoras mais famosas do país, devido ao seu tom de voz melódico e ao seu alcance vocal. Conforme foi crescendo, IU começou a participar da composição e produção de suas músicas o que ajudou a consolidar o seu estilo.

Após se aventurar por um estilo mais teatral, criando um álbum inteiro inspirado no filme Tempos Modernos, a cantora começou a adotar um tom mais confessional para as suas músicas. Em seu último álbum, intitulado Palette — assim como a música-título, IU nos leva numa viagem por sua mente, expondo suas dúvidas e inseguranças; e também as certezas que ela descobriu ao chegar aos 25 anos. IU canta “eu acho que sei um pouco sobre mim mesma agora” e repete, como num mantra, “eu gosto disso / eu tenho 25 / eu sei que você me odeia / eu consigo / eu estou bem”.

O tom íntimo das letras de IU é bem diferente do que vem sido feito na indústria pop sul-coreana, onde os artistas são encorajados a esconder quem realmente são e criar uma persona para o público. Talvez o sucesso crescente de IU seja explicado por isso, as suas letras cada vez mais cruas geram empatia e fazem com que o público perceba que antes de ser uma figura pública, ela é tão humana quanto todos nós.

Suran – 1+1 (feat. DEAN)

Atualmente, Suran é a cantora mais popular do cenário R&B coreano. Ela se destaca com o seu tom de voz único e parcerias bem acertadas com artistas tão populares quanto ela, como Beenzino, Changmo, Primary, Zico e HA:TFELT.

E o single mais recente dela traz uma parceria com um dos produtores coreanos mais disputados da atualidade, DEAN. Os estilos de ambos os artistas se complementam divinamente para formar a faixa 1+1=0, que faz um jogo de palavras: em coreano, a palavra trabalho e o número um são pronunciados de forma similar; e a música brinca com a obsessão por trabalho da sociedade moderna. Logo, 1 (trabalho) + 1 (trabalho) = 0.

A canção diz para as pessoas buscarem viver com equilíbrio, não deixando que o trabalho tome conta da sua vida e tentando sempre encontrar um momento de descanso. E a mensagem é entregue através de uma batida leve e mais pop, porém ainda com raízes no R&B, permitindo que a voz de Suran seja a estrela da música compartilhando espaço apenas nos momentos certos com a voz suave de DEAN.

KARD – Don’t Recall

O grupo KARD é uma raridade no cenário atual do k-pop pois ele é co-ed (composto por homens e mulheres), fugindo da tradicional estrutura de boygroups e girlgroups. E oficialmente, KARD ainda não teve seu debut apesar de terem lançados três singles e estarem no meio de uma turnê mundial (que passou pelo Brasil, inclusive, com dois shows cujos ingressos esgotaram em 5 minutos e 4 sessões de autógrafos espalhadas pelo Sudeste e Nordeste).

A música Don’t Recall é a segunda lançada pelo grupo e traz uma mistura de tropical house com bpm (batidas por minuto) um pouco mais baixo do que as outras músicas desse estilo, permitindo que o KARD explore a sensualidade de cada integrante. As duas vocalistas, Somin e Jiwoo, possuem vozes potentes e fornecem a base da canção que ainda conta com os raps de BM e J.Seph, o primeiro adicionando um estilo mais soulful enquanto o segundo traz um rap mais agressivo.

Apesar da música possuir similares com Oh Nana, primeira canção lançada pelo KARD, Don’t Recall consegue superar a sua predecessora (que é muito boa) e começar a cimentar o conceito do grupo, que talvez não seja muito popular entre os coreanos (isso apenas o tempo irá confirmar), mas que já provou que faz bastante sucesso entre o público internacional que abraçou KARD como um dos queridinhos do momento.

Taeyeon – Fine

Taeyeon é integrante do girlgroup mais bem sucedido da Coreia do Sul, o Girls’ Generation, e após um ano liberando singles e mini-álbuns fantásticos como Starlight, Rain e I, Taeyeon finalmente lançou seu primeiro álbum solo, intitulado My Voice cuja faixa-título se chama Fine.

A música fala sobre o término de um relacionamento, as lembranças compartilhadas e momentos vividos juntos e apesar do que o título indica, no refrão Taeyeon repete “não está bem”. O contraste entre a nossa expectativa e a realidade da música se reflete não só nas letras, mas também no ritmo da música que começa acústica, apenas com as notas do violão e conforme vai progredindo recebe a voz poderosa da Taeyeon e uma guitarra que expressam a raiva contida no refrão.

Taeyeon pode ser considerada a vocalista mais famosa do seu país, e é possível ver isso em cada uma de suas canções que sempre dão destaque ao seu vocal capaz de transmitir as mais diferentes emoções de forma clara. Apesar de ter brincado com gêneros, indo do R&B ao famoso tropical house, é claramente com as baladas que a cantora tem mais familiaridade e se esse é o seu primeiro contato com Taeyeon, então Fine é a música certa para isso.

DAY6 – How Can I Say

DAY6 foi um dos grupos que citei no meu post anterior sobre k-pop. Na época elogiei o som único que os distingue das demais bandas coreanas, e é com talvez o seu som mais único que eles garantiram lugar nessa lista.

How Can I Say é o single de março do projeto EveryDAY6, através do qual eles lançam músicas novas mensalmente, e rapidamente ele se tornou um dos favoritos entre o fandom da banda. A música consegue reunir tudo que torna o DAY6 um grupo tão diferente: a harmonização vocal, a mistura entre rock e eletrônico e letras pessoais, mas que todos conhecem se identificar.

A canção fala sobre um relacionamento em ruínas e sobre a dificuldade em admitir isso, especialmente quando a outra pessoa ainda está completamente envolvida. Em harmonia, o grupo canta “como eu posso dizer / quando você está feliz sempre que está comigo? / como eu posso dizer?”. O som cresce junto com a letra, começando com o teclado eletrônico de Wonpil e o baixo de YoungK, mas logo sendo acompanhado pelas guitarras de Jae e Sungjin e a bateria do Dowoon pouco antes de chegar no refrão repleto de raiva, que coroa How Can I Say como uma das melhores músicas do DAY6.

Triple H – 365 FRESH

O Triple H é uma subunit, que na indústria de k-pop significa um subgrupo que pode ser composto por integrantes de grupos diferentes, de gravadoras diferentes ou até do mesmo grupo. E apesar de ter Hyuna, ex-integrante do 4Minute, o grupo conta com dois novatos: Hui e E’Dawn, do boygroup Pentagon, que se juntam a Hyuna para explorar um conceito ainda novo no k-pop.

Para entender o Triple H é preciso saber que Hyuna é considerada um símbolo sexual na Coreia e sofre constantemente com slut-shaming, tudo que ela faz é taxado como impróprio e controverso. Porém a artista nunca teve problema com isso, e gosta de explorar a sua sensualidade através da música e de abordar temas controversos — vamos celebrar a Hyuna, gente!

E em 365 FRESH Hyuna, com o auxílio de Hui e E’Dawn, consegue explorar tudo isso com maestria. A música traz o funk repleto de sintetizadores dos anos 80, que chega a lembrar o álbum mais recente de Bruno Mars, mas que não é um som comum no k-pop. O tonalidade alta da voz de Hyuna se mistura bem com o rap mais agudo de E’Dawn e os vocais soulful de Hui; vocais esses que são uma das melhores surpresas da música, e que junto com o instrumental dão um toque de

TW: cenas de sexo, violência, consumo de drogas, automutilação, abuso sexual e suicídio.

SECHSKIES – Sad Song

A penúltima música da lista é de um dos grupos mais antigos do k-pop, o SECHSKIES. Se você costumava brincar no Pump It deve ter dançado pelo menos uma vez alguma música deles. SECHSKIES é um grupo de 1997 que após um hiatus de 16 anos, voltou à atividade e tá correndo atrás do prejuízo e ganhando de muito grupo novo.

Nos anos 90 o grupo tinha uma imagem forte e misteriosa, e a sua música tinha raízes no hip-hop. Hoje, o som do SECHSKIES amadureceu e se renovou, dando espaço para estilos mais populares atualmente como o house, mas ainda sem perder a sua essência e causa da longevidade do grupo.

Em Sad Song o SECHSKIES conseguiu exibir os seus vocais consistentes — até dos rappers, que eram difíceis de ser ouvidos com o uso pesado de auto-tunes nos anos 90, e numa faixa melódica e animada, canta sobre a sensação de ouvir músicas tristes após um término. De triste a música só tem um título, na verdade ela lembra um hino cheio de esperança de superar as lembranças tristes e sorrir apesar das músicas tristes.

NCT 127 – Limitless

O NCT é o mais novo boygroup da empresa SM Entertainment, responsável por grupos como Super Junior, Girls’ Generation, SHINee e EXO; com tantos artistas consolidados e que lideram a Hallyu Wave (onda coreana) pelo mundo, pensou-se que o NCT seria mais do mesmo porém o grupo vem sendo responsável por algumas das músicas mais experimentais do cenário musical coreano.

Em Limitless, segunda música lançada pelo NCT 127 — que na verdade é apenas uma das subunits infinitas do NCT, a batida traz uma forte linha de baixo misturada com sintetizadores que lembra o trap dos anos 90, e dá um tom enérgico à canção que é guiada pelo raps de Mark e Taeyong. O primeiro possui um tom mais alto enquanto Taeyong tem uma voz grave que com a ajuda de alguns efeitos, assume um tom cavernoso e até assustador em certos momentos da música.

Apesar do rap dominar mais de 50% da canção, o refrão é liderado pelos vocalistas do NCT 127 que fazem um trabalho harmônico primoroso, causando o ouvinte até a questionar se o grupo está junto há realmente pouco mais de um ano. Doyoung e Taeil alcançam as notas mais altas enquanto Jaehyun constrói a base com a sua voz mais suave. E mesmo que a princípio a música cause estranhamento, não tem como ouvi-la e não se pegar cantarolando o refrão depois.

 


E então, o que você achou? A sua lista é igual ou tá completamente diferente? Conta pra gente! Pra não gerar discórdia é sempre bom lembrar que essa lista reflete a minha opinião e gosto musical. Mas nós do Pavê estamos sempre abertos para te ouvir então compartilha com a gente.

Por hoje é isso, até a próxima semana quando tentarei encaixar k-pop em mais alguma parte do nosso querido Pavê!

Rebeca de Arruda
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Social Media, entusiasta do k-pop e doramas. Lê livros demais, vê séries demais e uns filminhos também. Vive para problematizar (e amar) a cultura pop — e também para enaltecer The Shannara Chronicles!

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