Power Rangers (2017): Representativo? Pera lá! Um rant sobre protagonismo branco e representatividade no mundo dos heróis

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[Descrição de Imagem: Os cinco rangers de perfil e lado a lado, do busto para cima, com a armadura de power ranger, de capacete e sem visor, podendo ver seus rostos encarando à sua frente.]

Então, acho que qualquer um que teve a oportunidade de crescer assistindo à TV Globinho deve se lembrar da memorável série de Power Rangers. Hoje em dia se vê a imagem dos rangers usada muito como meme, mas esses heróis que morfam já fizeram parte de muitas manhãs e tardes da infância de muita gente e inclusive continuam fazendo. As séries não acabaram e foi lançado um longa metragem novinho em folha. Hoje, venho aqui falar o que eu achei do filme – visto que eu sou uma dessas pessoas que cresceu assistindo Power Rangers na infância, e minhas brincadeiras de faz de conta preferidas eram as de aventuras como Ranger da Força Animal – além de ter acompanhado muitos morfamentos, tem um detalhe específico que eu sempre costumo falar sobre, questionar e discutir: representatividade.

Já vou avisando que esse post é LONGO, o mais longo que já escrevi no blog até agora, mas isso tem um bom motivo: ele é completinho e explica direitinho tudo o que eu achei do filme. Power Rangers (2017) não é ruim, mas também não é excelente. Ele tentou, mas não chegou lá. Tem muita coisa boa, mas pecou em umas partes também. Explico direitinho a seguir. Não desiste desse post e aguenta firme comigo.

Olha pra ser sincera eu sou bem tranquila com isso de lançamento de novos filmes e seriados. Eu não fico fuçando e acompanhando tintim por tintim a todo momento. Se muita gente tá falando sobre, às vezes é claro, fico sabendo. Tem muita coisa que eu já tô ansiosa pro lançamento (alô Star Trek Discovery e filme do Pantera Negra!!!) mas tem coisa que eu simplesmente só acabo descobrindo quando está prestes a sair e vejo o trailer. Pois é. Power Rangers foi desse jeito. Numa dessas raras vezes que eu fui ao cinema, vi o trailer lá e muito surpresa porque um longa metragem de Power Rangers??? Com um elenco jovem e diversificado??? Como ninguém me avisou?

Ao mesmo tempo que parecia interessante, também parecia meio bizarro e um tanto quanto trash. Se você não viu o trailer ou a descrição dele, vai lá dar uma olhada pra entender do que tô falando. Não é aquele trailer que você fica CHOCADÍSSIMA e não vê a hora pra estreia do filme. O da Mulher Maravilha com certeza causou mais impacto. Mesmo assim, eu botei fé. E botei mais ainda quando, após o lançamento, ele causou um grande burburinho sobre a diversidade do elenco e a questão da representatividade. Muitas pessoas ficaram animadas então naturalmente fiquei também e, logo, criei expectativas.

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[Descrição da Imagem: Os cinco rangers adolescentes reunidos dentro de uma nave, com roupas normais, todos olhando para Billy.]

Mas fui com baixas expectativas porque afinal, você já viu alguma das séries de Power Rangers? Viu como aquilo era ridículo e brega ao máximo? Quer dizer… eles morfam e sai faísca da roupa deles enquanto eles lutam. Além dos clássicos pulos no ar nem um pouco realistas, um robô gigante e uns monstros meio esquisitos. Nesta nova produção, alguns elementos clássicos da série aparecem, no entanto, o que caracteriza o filme é toda a construção de senso de equipe e amizade, além de termos uma noção maior e melhor por trás de cada personagem.

1. Representatividade

Se você de fato acompanha o Pavê e nossos posts, sabe o quanto já falamos dessa questão aqui e deve estar morrendo de curiosidade para saber o que eu achei disso. Ou, se você chegou aqui de paraquedas mas também tem interesse em quanto a representatividade foi boa nesse filme, vem comigo.

Olha só, vou começar falando que apesar de passar batido para algumas pessoas, o elenco todo (exceto por um) não é o típico estadunidense branco. Isso mesmo!

Trini, a Ranger Amarela

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[Descrição de Imagem: Foto da atriz Becky G como Trini (Ranger Amarela) no longa metragem.]

A ranger amarela é interpretada por Becky G, latina. Além de atriz ela também é cantora e no filme faz o papel de Trini. A personagem é retraída, introvertida e bem na dela; apesar disso não deixa de mostrar desde o começo que tem muita atitude e por ser a nova aluna não tem amigos (a princípio). O diretor confirmou que Trini é lésbica e em uma cena no filme, o questionamento da sexualidade é levantado. Embora seja algo que foi confirmado e é mostrado levemente no filme, não espere um desenvolvimento a fundo. Trini e sua sexualidade não são aprofundadas na trama então por enquanto acho muito difícil chegar e falar que ela é um exemplo de representatividade lésbica porque não vemos isso desenvolvido a ponto de ser considerado representativo. Apesar disso, dá pra perceber pelas poucas passagens com sua perspectiva em cenas com a família e pela atuação da atriz, o quanto Trini está tentando entender a si mesma, o que ela quer e sua relação com o resto dos rangers. Eu diria até que ela é uma das mais desenvolvidas, mesmo que sutilmente, porque nos pequenos detalhes que colocam no filme, dá pra sentir uma pessoa ali, podemos ver sentimentos e uma jovem tentando se encontrar, não sabemos exatamente de tudo, mas as expressões e atuação da Becky G estão ótimas a ponto de dar essa humanidade para a personagem.

Kimberly, a Ranger Rosa

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[Descrição da Imagem: Foto da atriz Naomi Scott como Kimberly (Ranger Rosa)].

Alguns podem não saber, mas Naomi Scott não é branca. Isso aí, a atriz é birracial e tem asdencência indiana por parte de mãe. Então sim, adoro, vou sair gritando que adoro esse elenco, porque adoro mesmo (apesar que ranger vermelho branco loiro, nossa, sabe, estamos em 2017, mas enfim…). Ela interpreta Kimberly ou Kim, a ranger rosa. Não sabemos muito sobre sua personagem. Ela é a única a qual não tem nenhuma cena ou menção de seus familiares. O que é mostrado é que ela estava mais ou menos dentro da trope de meninas malvadas, tanto nas atitudes como também no grupinho, a qual é excluída e depois disso parece meio perdida, mas também determinada. Tem uma cena ótima no começo do filme, que depois da discussão com as ex-amigas, ela corta o cabelo e entra na sala de detenção poderosíssima, com todo mundo chocado e tudo mais. Lá, ela conhece Jason (Ranger Vermelho) e em algumas interações dos dois, até pareciam sugerir alguma coisa, mas DEUS É TOP e não teve nada disso não. Kim é uma peça chave para a conexão dos rangers. Ela vê neles uma oportunidade de fazer amigos e quando o dever de rangers é apresentado a todos, ela é uma das que sempre insistia em fazer com que todos estivessem presentes para pelo menos, tentar.

Zack, o Ranger Preto

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[Descrição de Imagem: Foto do ator Ludi Lin, como Zack (Ranger Preto).]

O ator Ludi Lin tem ascendência chinesa e faz o papel de Zack, o ranger preto. Vou ressaltar o quanto foi bacana esse cuidado que tiveram MAS ELES NÃO FIZERAM MAIS QUE A OBRIGAÇÃO DELES. Lá na série original, pra quem não se lembra, os rangers também eram cinco (seis, se contar com o ranger verde) e todos eram brancos exceto dois: a ranger amarela e o ranger preto. E adivinha? A ranger amarela era justamente a única asiática e o ranger preto era justamente o único negro. Muito racista. Se fizessem isso hoje, acredito que seria muito diferente, teria um teor de autoafirmação e empoderamento (espero isso porque seria o mínimo se essa fosse a abordagem), vendo o elenco do longa e as personalidades diferentes de seus personagens. Mas naquela época dá pra ver que as duas pessoas não brancas foram claramente diferenciadas e colocadas num nicho por sua raça, enquanto as brancas tinham cores democráticas. Fora que todo mundo queria o ranger vermelho, azul ou a rosa (o verde também era famosinho). Zack de ranger preto e Billy de ranger azul ficou algo muito mais respeitoso.

Quanto ao personagem mesmo, eu achei bem pouco desenvolvido. É claro que é ótimo ver um ranger asiático, mas ele não tem muitas cenas, na hora da ação então, ele é praticamente de lado e volta uma hora ou outra pra comemorar vitória. As cenas que ele mais tem tempo e destaque são as de sua perspectiva familiar, quando mostra ele sozinho com a mãe doente em casa, cuidando dela. E eu achei meio esquisito sabe? Me pareceu que faltava alguma história triste no meio, aí colocaram essa aí e fica parecendo que é pra ter pena e sentir alguma simpatia com ele. Poderiam ter desenvolvido isso melhor e inclusive desenvolver melhor o personagem em si, para termos simpatia porque conhecemos e nos importamos com ele. Dá pra sentir um pouco da situação complicada em que ele está, ele também é um pouco inconsequente e super entusiasmado, não via a hora de pegar as pedras, não via a hora de dirigir o zord, não via a hora de lutar com os monstros de treinamento. Poderiam ter investido um pouquinho mais nisso da personalidade dele, e também abordar sobre a mãe de uma forma mais natural e sensível. No >meu< ponto de vista, achei que foi pra ficar um pouquinho dramático e saiu meio forçado. Até ângulo de câmera ajudava sabe? Ao invés de cenas amplas do quarto mostrando ele e a mãe de longe, podia ser algo mais perto, uns entreolhares; para a gente sentir o que ele tava sentindo. Assim como souberam fazer com a Trini, que tem poucas falas nessas passagens com a família, mas foi muito mais sensível, natural e sutil.

Jason, o Ranger Vermelho

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[Descrição da Imagem: Foto do ator Dacre Montgomery, como Jason (Ranger Vermelho) no filme.]

 Então, vamos a um dos aspectos… que mais me irritaram no filme. A impressão que eu tenho antes e depois de assistir ao filme é que ele se vende sim, um pouco, pela diversidade. Dá pra perceber pela forma em que o elenco é formado, considerando também a declaração da sexualidade da Trini e isso nem estar assim 100% claro no filme.

Mesmo com esse elenco de personagens diferentes, o filme se arrasta por um tempo na ideia da gente tentar ver eles como humanos e conhecê-los, suas rotinas e suas personalidades, mas pouco realmente é mostrado. Grande parte da primeira metade do filme (e vou dizer, a segunda metade também) é centrada no grande e glorioso ranger vermelho, Jason.

Assim, não é o tempo todo e eles intercalam bem as perspectivas, o filme trabalha muito a questão da união e amizade deles (que eu vou falar mais pra frente) e sendo assim, não foca em um só, mas no conceito deles como um todo. Ainda assim, o Jason teve uma série de destaques e importância bem maior que os outros. Ele é tratado como o típico adolescente problemático no começo, cujo pai está arrependido e decepcionado pois o filho não é disciplinado e se prepara para o futuro – ao contrário, ele está em prisão domiciliar. Dá pra ver um grande desenvolvimento nele por parte do comportamento, de garoto delinquente a ranger vermelho, o líder, consegue manter a galera unida, lidera sua equipe e se importa com esses jovens que viraram seus amigos. Muitas cenas típicas de colocar a responsabilidade em cima dele como “Você é o líder, você tem que fazer dar certo. Se certificar de que todos estarão aqui para treinar e vencer o mal”. Há, também, cenas com foco nele, de perto, afirmando a liderança presente e a força presente ali. Algo que eu não consegui ver igualmente em todos os outros. Teria um impacto totalmente diferente se não fosse um ator branco. E assim não cairia no padrão do homem branco salvador novamente.

Billy, o Ranger Azul

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[Descrição de Imagem: O ator RJ Cyler, no papel de Billy (Ranger Azul) em uma cena do filme, dentro de um poço d’água.]

Mas peraí que não acabou! Não desiste desse filme porque eu ainda não acabei. Por último mas não menos importante, inclusive talvez o mais importante de todos os rangers (e do filme inteiro, sinceramente), Billy, o ranger azul. Interpretado pelo ator RJ Cyler, o personagem não só é um jovem negro cheio de personalidade e desenvolvido, como também é autista. Claro, é uma opinião e impressão minha, para saber mais a fundo sobre a representatividade de Billy é indicável ler uma resenha ownvoices (no momento não tenho uma para indicar, mas se achar eu linkarei aqui num futuro!). Billy tem um grande destaque na trama e acho que se não fosse por ele, eu não teria ficado interessada em continuar assistindo o filme até o final. A princípio ele aparece como um menino introvertido, solitário e também engenhoso. Tem o famoso escrotão da sala que faz bullying com ele, aí o Jason, novo na detenção, vê isso, vai lá e defende Billy. É aí então que eles começam sua amizade e por causa de Billy é que todos encontram as pedras que os transformaram em Power Rangers.

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[Descrição da Imagem: Billy vestido com a armadura de Ranger Azul, sem o visor do capacete, dentro do Zord, sorrindo.]

Ou seja, se não fosse Billy, não haveria história. Os cinco não teriam se juntado e descoberto nadinha. Ele tem um papel forte do começo ao fim, o autismo é um aspecto que está presente tanto em uma confirmação numa determinada fala como também no próprio desenvolvimento do Billy em si. Todos ficam extremamente fortes quando se tornam power rangers, mas Billy é o cérebro da equipe. Ele descobriu as pedras dos rangers e também descobriu a localização da pedra que a Rita, vilã da história, busca. Além disso, Billy é muito leal aos seus amigos, ele foi o primeiro que conseguiu morfar justamente por se importar com os outros e tentar separá-los numa briga e é exatamente essa a essência desse filme: a união entre os rangers. Não ser somente heróis, mas amigos. E é algo que desde que se formou o grupo, ele sempre valorizou muito, o que também condiz demais com o que a cor azul representa (fora o que eu já falei sobre a sua cor de ranger, lá quando falei do Zack).

Muita parte do bom humor presente no filme vem dele, do seu carisma. Não estamos tirando sarro dele, mas rindo junto, o conhecendo, se encantando e, logo, vendo como um amigo com quem a gente se importa também. Ele cresce muito do começo ao desenrolar do filme, dá pra ver o quanto ele se importa com sua família e também o quanto ele é forte exatamente do jeito que é. Gostaria que tivessem tido mais cenas no final, nas partes de ação – que afinal, é o que caracteriza tanto os Power Rangers – reafirmando o destaque que ele tem na trama, mas mesmo assim, ele tem muitas boas cenas e destaque o bastante para nos lembrarmos a todo momento que se não fosse por ele, ninguém estaria ali.

2. União, amizade e significado de ser um Ranger

 

Nem dei uma sinopsezinha né? Já fui jogando as verdades, porque (acho que provavelmente) é isso o que o povo queria. Como é um filme, tem um formato diferente da série, é uma história com começo, meio e fim. E pra isso há uma narrativa de origem também. Talvez para isso, é bom falar o mínimo possível para poder ter a experiência de ir mais ou menos sem saber que tipo de aventura vai encontrar (embora olha o tamanho desse post). Basicamente o trailer resume bem esse aspecto, eles acabam encontrando as pedras, por causa de Billy principalmente e por todos estarem no mesmo lugar e na mesma hora.

Com o mal se aproximando, Rita, uma ex-power ranger aficcionada pela sede de poder e interpretada por Elizabeth Banks, os cinco jovens precisam treinar muito antes de poder afirmar que estão prontos para enfrentar o inimigo. Eles precisam, principalmente, morfar. Se não morfarem não há armadura, não podem usar seus Zords (os veículos automotivos dos rangers) e assim não terão nenhuma chance.

O principal elemento para eles conseguirem morfar é sentir uns aos outros, esse senso de time e união, o que é algo lento e demorado considerando que eles mal se conhecem. Basicamente três quartos do filme consistem nessa jornada deles se esbarrarem, ficarem cientes do papel deles como rangers e treinarem juntos, por muito tempo, sem nenhuma perspectiva de avanço. Até que Billy consegue morfar e ficar de armadura por alguns segundos, enfrentamentos acontecem e as cenas de ação de fato começam, mas isso só depois de mais de uma hora e meia de filme.

Inclusive um aviso: Se você tem epilepsia cuidado com a cena entre 1:30:30 – 1:30:49 pois tudo fica escuro e tem alguns flashs rápidos mas fortes, pode acabar sendo um gatilho. Recomendo pular.

Algo bem crítico acontece depois do primeiro enfrentamento com a vilã, e aí que vemos o quanto os cinco haviam formado laços de amizade e não muito tempo depois, eles morfam pela primeira vez, justamente porque naquele momento, a união estava forte. Nele a gente não via cada um separadamente, não via só um como estrela. Naquele momento, eles eram os Power Rangers, lutando como um só e essa ideia continua até a luta final.

Mas talvez a cena que mais descreva melhor a essência desse filme é a cena da fogueira. Após um outro dia de treinamento e eles não conseguirem morfar e seu, digamos, “mestre” ex-ranger diz para eles desistirem, os cinco saem da caverna submersa e Zack sugere para eles ficarem ali entre as rochas e acamparem, que ele tinha suprimento suficiente para todo mundo já que tava dormindo fora de casa. Foi aí que ele desabafou sobre sua mãe, e não todos, mas Trini e Billy também, acabam cada um falando um pouco de si para se conhecerem melhor. No meio disso surge o questionamento: eles estavam ali juntos só por causa desse chamado para serem os Power Rangers? Porque no momento era isso que parecia. Depois que tudo acabasse o que restaria? Eles queriam ser rangers ou amigos? E é a parte daí que as coisas andam não só pelo esforço de todos colaborarem e trabalharem como um time, mas também para manterem esse laço de amizade.  Outro ponto são algumas cenas de interação ao som de Handclap, durante o treinamento, em que é possível ver uma afinidade e cumplicidade ali que é linda demais, tanto que vou colocar o link para a cena:

Olha essa thumbnail!!! Para ver a cena da Trini e Kimberly confraternizando enquanto treinam juntas vá para 1:00 – 1:18. E para a cena na aula de detenção, bem amigos adolescentes como quaisquer outros vá para 1:44 – 1:58. Eles ficam repassando um papelzinho à la jeito super forte e ágil de Power Ranger e o último a pegar é o Billy, ele abre para ver o recado e tá escrito “We should start a band” ou “Deveríamos formar uma banda”. OLHA SÓ ESSES BEBÊS SENDO MIGOS E CONFRATERNIZANDO JUNTOS NA AULA DE DETENÇÃO SABE. E AS MIGAS PODEROSÍSSIMAS E FOFAS!!!

Não são muitas histórias que falam de amizade, e ainda mais histórias de ação e aventura. Principalmente com jovens, sempre tem os amigos e o interesse romântico, porém geralmente o interesse romântico tem um destaque maior. Então esse é um ponto positivo e um dos melhores aspectos no longa. Amigos de armadura colorida, com superforça, que morfam, socam uns monstros enquanto dirigem um Megazord juntos. Mais, por favor!!!

3. Ação e heroísmo

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[Descrição da Imagem: Foto de divulgação do filme em formato paisagem, no fundo um céu cinza com unas nuvens escuras e em destaque à frente, a cabeça da Ranger Amarela com o capacete, seu Zord amarelo e a frase “It’s Morphin Time” ou “É Hora de Morfar”.]

Por último, um olhar crítico sobre a produção do filme em geral e comentário sobre ele como filme de ação. Como filme em um todo, eu achei bem fraco. A primeira transição de cena logo no começo do filme foi super bem feita e divina, mas depois dela, não lembro de nenhuma transição que não tenha sido meio abrupta e rápida demais, sem passar aquela sutileza de continuidade na narrativa com naturalidade. Eu não sou formada em cinema, apesar de ter tido umas matérias na faculdade, mas notei isso, ainda mais porque já vi muitos filmes que fizeram isso sem problemas. O roteiro é todo trabalhado na questão humana dos vínculos afetivos que os rangers criam entre si e eles separadamente como pessoas e não tem problema nenhum essa abordagem.

Mas vamos combinar uma coisa: Power Rangers é lembrado pelo que? Isso mesmo! Pelas lutas (mesmo que sem noção às vezes e bem bregas), pelos zords, pelos monstros, pelos confrontos e muitos morfamentos! E ok, até teve tudo isso, DEMOROU, mas teve. Só que quando chegou na hora das cenas de ação foi bem meh. Aí vocês falam “Ah Lari, é Power Rangers. O que você queria? Ia ser ruim mesmo ué”. Não mano!!! Vocês por acaso viram os posteres de divulgação??? Meu, OLHA PRA ISSO SABE:

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[Descrição da Imagem: Pôster de Divulgação do filme na vertical, céu cinza com nuvens brancas e cinzas ao fundo, com um grande pedaço do corpo do Megazord composto pelo zord do Ranger Preto, mas sem ver ele inteiro, Zack, de armadura ranger e sem o capacete, de pé em cima dele e com o joelho esquerdo apoiado. Com a frase GO GO 2017 no inferior do pôster e o símbolo do raio dos rangers.]

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[Descrição da Imagem: Pôster de Divulgação do filme na vertical, céu cinza com tom de rosa e nuvens ao fundo, um grande pedaço do corpo do Megazord composto pelo zord da Ranger Rosa, mas sem ver ele inteiro, Kimberly, de armadura ranger e sem o capacete, sentada em cima dele. Com a frase GO GO 2017 no inferior do pôster e o símbolo do raio dos rangers.]

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[Descrição da Imagem: Pôster de Divulgação do filme na vertical, céu azul acizentado com nuvens brancas e cinzas ao fundo, um grande pedaço do corpo do Megazord composto pelo zord do Ranger Azul, mas sem ver ele inteiro, Billy, de armadura ranger e sem o capacete, encostado de forma inclinada (e confiante). Com a frase GO GO 2017 no inferior do pôster e o símbolo do raio dos rangers.]

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[Descrição da Imagem: Pôster de Divulgação do filme na vertical, céu cinza com nuvens brancas e cinzas ao fundo, com um grande pedaço do corpo do Megazord composto pelo zord da Ranger Amarela, mas sem ver ele inteiro, Trini, de armadura ranger e sem o capacete, de pé em cima dele e de perfil. Com a frase GO GO 2017 no inferior do pôster e o símbolo do raio dos rangers.]

Tipo eles fazem esses pôsterzão da porra!!! Com os rangers em cima das partes do Megazord e mesmo eles minúsculos em relação ao veículo gigante, estão lá visíveis e poderosíssimos, reluzindo confiança e força. Seguros de si e donos da porra toda. Imagina se as cenas de luta transmitissem isso também??? Ia ser simplesmente MARAVILHOSO. Além de, AÍ SIM, EMPODERADOR. Vou te falar, é importante demais, demais, uma boa construção da caracterização porque isso que faz a boa representatividade, as pessoas se encontrarem nesses personagens e verem pessoas comuns, humanas, com conflitos e sentimentos. Mas já que tecnicamente esse é um filme de ação, e com esse elenco diversificado de heróis, queremos muita luta sim! Queremos ver heróis não brancos e fora dos padrões quebrando tudo, dando vários socos nos vilões e SALVANDO O DIA. E não rolou isso. Faltou muito, mas muito impacto. Ok que a série era bem brega e não dava pra levar a sério, mas como o filme tinha uma linguagem totalmente diferente e mais madura também, umas cenas de ação bem feitas eram muito necessárias. A gente cresce vendo todo tipo de herói, geralmente homem cis branco e hétero sempre sendo o cara poderoso da parada, o que além de quebrar a cara do vilão, também fica com a garota no final. Ultimamente tem aparecido uma gama de heroínas, o que é sim muito bom e importante, mas a maioria ainda muito branca. Olha Mulher Maravilha, por exemplo. Foi bom por demais aquele filme!!! Uma história de origem ótima, com uma personagem que segue o que acredita e não deixa de ser forte, poderosa para caramba e chutar muitas bundas. Você que assistiu o filme, entende que não teria o mesmo impacto e importância se não tivessem aquelas cenas da Diana lutando e mostrando porque ela tem o título que tem? É importante a humanidade dela mas também se não houvesse as cenas de guerra e de luta, dela perdendo e ganhando, dela mostrando suas habilidades e o quanto é forte e capaz e que vai usar isso para salvar a humanidade, não seria a Mulher Maravilha. Não seria a heroína que todos admiram. E isso em parte foi porque quem dirigiu o filme foi Patty Jenkins, ela e sua produção mostraram muito bem uma protagonista forte, independente, feminina mas sem ser sexualizada. Só que mesmo sendo maravilhoso, a Mulher Maravilha ainda tá dentro do padrão branco. As guerreiras de Themyscira em sua grande maioria são brancas. Nem todas são, mas as com mais destaque e em número, são sim e isso faz uma enorme diferença.

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Em Power Rangers (2017), há uma boa parte de heroísmo branco. Os destaques heroicos vão muitas vezes para Jason, o líder Ranger Vermelho. E assim, não é o tempo todo, porque eles intercalam as perspectivas para poder mostrar todos – separados e depois se conhecendo e unidos como rangers, tentando fazer dar certo. Mas é sim, um destaque considerável. Outros rangers também aparecem em ação mas as cenas não são tão bem desenvolvidas e o heroismo tanto em importância como tempo de cena e fala do Ranger Vermelho não é equivalente ao dos outros rangers. Eu vou dar um exemplo bem claro disso. Sabe os filmes da Barbie? Saíram alguns novos com uma estética diferente e enfim, os títulos desses (de uns velhos também) é sempre Barbie, Aventura nas Estrelas. Barbie e As Agentes Secretas. Tem três agentes secretas e as três aparecem bastante, inclusive nesse daí as duas agentes amigas da Barbie não são brancas – uma negra e uma asiática. Mas é, não é As três espiãs demais. A Barbie é que é a estrela, ela que lidera, ela que tem a boneca com vestido que rodopia brilhante. As três tem uma boa quantidade de cenas juntas e mostram suas habilidades, mas é a Barbie que é a heroína, a bondosa, a que salva o dia no final e tem o mérito. Entende o que eu quero dizer? Olha eu gosto muito dos filmes da Barbie, tem uma estética trash com umas mensagens muito bacanas – principalmente as sobre amizade, seguir seus sonhos e tudo mais. Eles lançaram vários tipos de boneca e tudo. Mas nos filmes, a Barbie sempre é a protagonista, a loira, magra, branca, do olho azul e do sorriso branco, as amigas estão lá, mas estão pra enfeitar, para ser tipo backing vocals, só um suporte. Os filmes que têm mais de uma protagonista e focam na amizade mesmo, são sempre duas protagonistas brancas. Porque a imagem da Barbie é da boneca branca e loira perfeita. E essa é a impressão quando eu vejo filmes de herói. De que é sempre o branco o heroi no fim do dia. O líder. O salvador. O poderoso, o generoso e determinado. Com as discussões sobre representatividade, isso tem mudado um pouco, mas é meio isso: tudo bem ter um elenco diversificado, mas as cenas heroicas de mais destaque são a do líder branco.

Eu dei esse exemplo da Barbie porque é bem certeiro nessa questão, claro, e até agora nunca mudou. E essa é a dinâmica. Tem algumas produções que prometem, como eu citei antes, o filme do Pantera Negra que vai ser um filme de heroi com um elenco negro bem grande, tem Star Trek vindo aí. Mas até então, os filmes da Marvel (e séries também) em sua grande devastadora maioria eram de protagonismo branco. Algumas coisas têm aparecido e as pessoas chamam de “diverso” aí você vai ver e protagonista da história é uma pessoa branca bem dentro dos padrões, e tem uns amigos ou parceiros seja de vida ou de luta, não brancos e/ou lgbt+ pra enfeitar o enredo e mostrar: olha a minha história é diversa!! tem vários tipos de pessoa!! Não. Ela só está sendo realista, porque o mundo é um lugar diverso e composto por pessoas de diferentes identidades e etnias. Não fez mais que a obrigação. E eu não falo só em filme de heroi, isso é em todo lugar. Contemporâneo, ficção científica, fantasia, romance, seriado, livro, novela, websérie. Então quando as pessoas vem gritando “Olha como Power Rangers é diverso e representativoooo aaaaaaa” eu chego com esse post de 5k falando PERA LÁ, NÃO É BEM ASSIM. Tem alguns pontos muito bons mesmo, mas além de ser meio fraco como um filme num todo, falta um pouco para falar que é representativo. E essa questão de não investir tanto nas cenas de ação conta muito. Às vezes uns tavam lá lutando, porque no começo cada um foi com o zord pra um lado na parte final e uns simplesmente desaparecia e voltava depois tipo ah e aí como tá? Tipo??? E devido umas partes do treinamento de interação e habilidade de força muuuito bacanas esperava mais mesmo.

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Olha vou finalizar dizendo que eu amo essa última foto e acho ela poderosa demais, ESSA SERIA A FOTO DE CAPA DO POST, SE FOSSE UM FILME DE AÇÃO PODEROSÍSSIMO E REPRESENTATIVO, ME ENTENDE? Mas como não foi, então eu coloquei a foto deles lado a lado com rosto exposto, que diz mais sobre o aspecto humano e do vínculo de amizade.

Não vou falar que fico brava, porque eu já tinha baixas expectativas e vai vir um segundo filme então quem sabe né. Mas esse filme vai mostrando o quanto tem potencial, a atuação, o bom senso de humor leve sem ser algo que invade tudo como outros certos filmes por aí, a parte do design da produção toda. Nossa, se esse filme fosse metade do que prometem os pôsteres iria estar todo mundo berrando, sabe.

NEM NA TRILHA SONORA ELES ACERTARAM! Trilha sonora é importante pra qualquer mídia audiovisual, mas ainda mais em filme, que é algo relativamente curto em torno de 1h 30 a 2h de duração, a trilha sonora ajuda a ambientar o lugar, os sentimentos, a essência da história e sensações que os criadores querem causar no espectador. Também  ajuda na intensidade das cenas e do momento e, poxa, umas músicas boas escolhidas em momentos que acabaram passando batido, outras ótimas como Handclap que transmite muito bem o entrosamento dos cinco e aquela coisa de rir junto com os amigos e passar um tempo com a galera, faltava uma edição que reforçasse isso. Mas essa música foi um ponto alto. Aí, eu já tava desacreditada, pensando que nem ouvir a música tema dos rangers ia ouvir, quando, (SPOILER MUSICAL A SEGUIR) logo a primeira vez que eles morfam, sobem à superfície e tão prontos pra luta, começa a tocar Go Go Power Rangers e o coração não guenta!!! NO ENTANTO, nem deu tempo de derramar lágrima porque durou sei lá, uns 10 segundos??? GENTE SINCERAMENTE NÉ, isso ia causar nostalgia e ao mesmo tempo conversar com fãs novos, ia emitir um senso de heroísmo muito forte, assim como aconteceu em Mulher Maravilha, quando ela tava quebrando a porra toda, tocava a porra da música tema maravilhosa pra reforçar o poder dela!!! É ISSO ,SABE, USA SEU MATERIAL CARAMBA. (FIM DO SPOILER MUSICAL) Entende porque eu fico frustrada? Tipo olha o potencial, olha tanta coisa bacana, mas aí não usa ou não usa direito!!! O protagonismo branco não é novidade, mas só 10 segundos de Go Go Power Rangers no filme todo??? E Ó eu vi os créditos finais e incluíram o Go Go Power Rangers em instrumental. Nos créditos. DAVA PRA COLOCAR NO FILME TAMBÉM, UM POUCO QUE FOSSE JÁ IA DAR MAIS PODER. Enfim, tô cansada e passei a noite toda escrevendo esse post mas eu disse que ia ser um completão com tudo que achei do filme e tinha que compartilhar as frustrações, os acertos e falar sobre protagonismo branco porque isso sempre tem mas nem sempre as pessoas parecem entender o quanto estamos cansades disso não é mesmo? Se você leu tudo e aprendeu/serviu de alguma coisa pra você me avisa e obrigada, essa vitória também é sua.

Lari
meus textos | twitter | goodreads | filmow Designer gráfica, artista visual, ilustradora e aspirante a quadrinista. Faz dancinhas aleatórias pra tudo. Canta músicas icônicas da MPB para seus personagens preferidos como declaração de amor. Grita como forma de expressão.
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