Um lembrete: Ler não precisa ser um desafio

Mês passado, Tessa Dare, autora presente na lista de bestsellers do New York Times , fez uma thread no Twitter (em inglês) falando sobre a ideia de que leitores devem ser “provocados” quando resolvem ler um livro de romance uma vez que a Vida Real™ não é feita apenas de flores. Tessa começa sua série de tweets convidando o leitor a imaginar-se em um clube de comédia em que o comediante, em vez de contar piadas, mostra um vídeo revoltante. Quando a platéia reage, ele diz “Vocês devem ser desafiados! A vida real nem sempre é engraçada!”.

O ponto desse cenário é que tanto a platéia fictícia do comediante diferentão quanto os leitores de romances SABEM que a vida real nem sempre é hilária ou um caminho de flores. Nós todos sabemos disso. E esse é, justamente, o motivo pelo qual escolhemos assistir uma apresentação de comediantes ou ler um livro de romance em que tudo dá certo no final. Nós sabemos o que vai acontecer – não os detalhes, claro, mas temos uma ideia geral – e é isso mesmo que a gente está procurando. E não tem absolutamente NADA DE ERRADO NISSO.

Escolher um romance que acaba bem, por mais dramático que ele possa ser, é escolher passar seu tempo de lazer atrás de otimismo. Independente do motivo pelo qual você escolheu aquela história, você sabe que as chances de coisas boas saírem dali são altas. E é isso mesmo que você está procurando. Como a própria Tessa Dare diz em seu thread, você está comprando um “ingresso para felicidade”. Sua próxima leitura pode ser um livro de terror, um suspense, um romance policial ou – por que não? – outro romance. Não importa. Naquele momento que você escolheu ler sobre pessoas se apaixonando, você escolheu o que você quer ler. Você não precisa ser “desafiado”.

ler não precisa ser um desafio

Eu já fui a pessoa que julga os outros pelo que ela lê (ou deixa de ler). Mas, amém, eu passei dessa fase idiota. Ler um livro de romance (ou de terror, ou um erótico, ou fantasia, ou seja lá o que você quiser ler) é lazer. É tirar um tempo do seu dia para você mesmo (e aqui não estou falando de “leituras obrigatórias”, como livros que a gente deve ler para a faculdade ou para a escola ou por qualquer outro motivo) e se deixar levar por ele. É rir alto ou rir baixo ou qualquer coisa que você precisar no momento.

Recentemente li uma daquelas mil listas de “coisas que todos devemos fazer para ter uma vida melhor” (porque minha professora passou, que fique claro). Ler estava na lista – o que, convenhamos, não é nenhuma surpresa. O problema é que o autor da lista colocava a leitura como uma forma de aprender coisas novas – e, gente, vou repetir isso até a exaustão – ler não necessariamente significa estar estudando o tempo todo. Óbvio, tem muita coisa que a gente pode aprender com um livro – novas culturas, diferentes pontos de vista da história mundial, como era a vida das pessoas em um período diferente do nosso; a lista é infinita – mas também está tudo bem pegar um livro e focar só na história dos personagens, nos seus dramas e felicidades, sem se importar muito com datas e fatos e sabe Deus mais o quê.

Veja bem, não estou dizendo que a gente não pode aprender NADA com leituras. Podemos aprender muita coisa, sim, e essa é parte da graça. Mas também podemos pegar um livro que se passa durante um período de conflito específico e focar só nos dramas dos personagens principais, sem ficar se desesperando com datas ou qualquer coisa. Ou pegar um romance e focar só no romance e QUANDO QUE ESSES DOIS VÃO SE BEIJAR, PELO AMOR DE DEUS!!!!

Ler pode trazer muita coisa pra gente. Não tem um jeito certo ou errado de ler um livro. Na verdade, o jeito certo é o jeito que VOCÊ quer. Naquele momento. Quando você pega o livro nas suas mãos e se envolve com a leitura. Sem se importar com o que outras pessoas podem vir a falar. Seja o livro um romance romântico, um romance erótico, uma história de terror escabrosa ou uma fantasia exagerada. Se o livro respeita seus personagens e as pessoas no geral (se você já leu pelo menos um post aqui do Pavê já sabe bem o nosso posicionamento aqui no blog), está tudo certo. Sem neuras ou culpa ou vergonha. Sem essa de “guilty pleasure” ou “prazer culposo”. Ler pode sim ser uma diversão e uma forma de se encontrar na literatura – e tá tudo bem.

Emily
meus textos | twitter | instagram | goodreads
Graduada em Letras. Ama monstros e cachorros e, principalmente, lobisomens. Puxa o erre, adora parênteses e quase nunca usa o plural direito.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s