Pavê de Vó: você lembra de Guerreiros da Virtude?

Tem uns filmes que são tão presentes na nossa infância que dá uma nostalgia incrível só de lembrar deles, né? Quando penso em filmes assim, Guerreiros da Virtude é um dos que surgem na minha memória. Havia algo de mágico sobre um garoto caindo de um cano e cangurus guerreiros, o que tornava praticamente impossível não sentar pra assistir essa aventura até o final toda vez que passava na televisão. E é justamente sobre essa grande obra clássica que vamos falar no Pavê de Vó de hoje!

gv

Reassistir filmes da nossa infância é sempre algo que fazemos com aquele grande medo, porque, né, difícil tirar as coisas do pedestal da nossa memória. E é surpreendente o tanto de coisa que a gente amava quando era pequeno e na verdade é algo péssimo. EU NÃO TÔ DIZENDO QUE GUERREIROS DA VIRTUDE É PÉSSIMO, VIU (Emily)? Mas também não tô dizendo que não é, rs.

Bom, pra quem não lembra, ou nunca cresceu assistindo esse hino de filme, Gueirros da Virtude (1997) conta a história do Ryan, um garoto com desabilidade em uma de suas pernas e que ama muito futebol americano, mas não faz parte do time do colégio por causa de sua deficiência. Ryan também é grande amigo de um cozinheiro de um restaurante, o Ming, que sempre lhe conta sobre  mitos chineses (que eu tenho quase certeza que não são mitos reais) e lhe dá de presente um livro que conta sobre essas histórias (ele também deu um casulo velho num vidro, que tá ali só pra ser uma grande metáfora, que nem faz tanto sentido assim). Acontece que um dos garotos mais velhos do time de futebol, que também acontece de ser um babaca, chama o Ryan e o melhor amigo dele pra ~curtir~ com uma noite. Curtir, nesse caso, seria entrar dentro de um esgoto (acho que era esgoto) e andar sobre um cano fino e velho, podendo MORRER a qualquer momento. O amigo do Ryan tenta falar pra ele NÃO FAZER ISSO (o único personagem negro no filme – tirando o técnico do time -, que aparece bem pouco e ainda assim é o mais sensato), mas Ryan quer se provar pros babacões e decide atravessar o cano mesmo sabendo que seria meio difícil. O que acontece? Isso mesmo, o Ryan cai no redemoinho que tinha em baixo do cano (eu acho que não existe redemoinho assim em esgotos, mas ok). ATÉ AÍ TUDO BEM. O problema é que o Ryan acorda nesse mundo fantástico em que existem cinco guerreiros cangurus, cada um controla um elemento (terra, fogo, madeira, metal e água; você quer, Avatar?)  e também tem esse vilão muito louco, muito emo que quer… Eu não sei muito bem o que ele quer, mas o Ryan é o único que pode salvar aquele mundo. Claro.

Se isso pareceu uma péssima sinopse é porque eu realmente não sei como apresentar esse filme. A verdade é que na minha cabeça Guerreiros da Virtude tinha uma narrativa bem mais organizada e que fazia todo sentido, mas reassistindo eu só conseguia pensar “O QUE TÁ CON TE SENO AQUI?”. A gente não entende muito bem as motivações dos personagens e tudo acontece de forma muito rápida, então… Você só precisa aceitar. Rir e aceitar.

Uma hora o Ryan quer ficar ali pra sempre, porque naquele mundo sua desabilidade não existe e ele pode correr entre as árvores (essa é a literalmente a primeira coisa que ele faz), mas depois ele meio que cai numa armadilha porque tá com saudade de casa (e não fazia nem um dia que ele tava ali??). E tem também um dos guerreiros canguru, o Yun, guerreiro da água e da virtude da benevolência, que tava separado dos outros cangurus por causa de uma treta seríssima, e só porque o Ryan chama ele de covarde, Yun fala “ok, que afronta, vou voltar e mostrar o meu valor”. Pois é, foi quase isso mesmo.

No meio disso ainda temos o mestre Chung, o mestre dos guerreiros, que treina os cangurus e quer o bem de todos. Temos a Elysia, a primeira pessoa que Ryan conhece naquele lugar e que parece ser muito boa e carinhosa (mas, com certeza, foi a causadora de todos os problemas de confiança que tenho até hoje). Tem o General Grilo (eu vi dublado, gente, nostalgia etc) que trabalha pro vilão, mas no fundo é um cara bom. E, claro, o Komodoro, esse vilão que só quer ser jovem pra sempre (ele também é bastante dramático e muito gótico suave).

Sem Título-2.png

Eu não lembrava que o filme falava sobre um mito chinês, então fiquei meio “hmmm” quando comecei a assistir. A gente também têm três personagens asiáticos no filme (o Ming, o mestre Chung e a Barbarotious, que eu tive que procurar o nome agora, porque a coitada nem fala direito no filme), mas eles não são presenças fortes no filme. Acho que nem muito da estética asiática é utilizada, então é tudo bem confuso. Porém, o diretor do filme, Ronny Yu, é chinês e o filme em si é americano-chinês.

Mas você deve estar se perguntando: por que cangurus? Eu tentei dar uma pesquisada e não encontrei nenhuma importância em particular desse animal pra cultura chinesa (só acabei esbarrando numa matéria que diz que um estudo australiano afirma que os cangurus são da China, olha só que coisa). O filme não explica o motivo de serem cangurus guerreiros, eu acredito que seja só pelo fato deles pularem bem alto. O mais estranho é que fora os cangurus e mais dois bichos que falam e andam, o resto do povo da vila é humano. Então por quê? Pra quê? Acho que esse é um dos muitos mistérios que Guerreiros da Virtude nunca revelará.

Eu acabei o filme meio rindo, meio com mil pontos de interrogação rondando pelo ar. Pelo menos tô melhor que o crítico que, segundo o Wikipédia, vomitou durante as primeiras cenas. E falando em crítica, o filme não foi muito bem aceito por ela na época (ainda não é, tem só 18% de aprovação no Rotten Tomatoes, o que já é muuuuuito mais que o governo Temer, rs), mas mesmo assim ainda teve uma sequência em 2002, da qual eu passarei bem longe.

Untitled-7.png

Guerreiros da Virtude tem uma mensagem bonita. Talvez. É tudo tão confuso, tanta informação jogada ali no meio, que eu não tenho certeza se captei todas as mensagens que o filme tentou me ensinar. Os efeitos são péssimos e os diálogos dão vergonha alheia, o que claramente quer dizer que é um ótimo filme ruim. E, ó, vou confessar: eu ainda fiz um “awww” quando o Yee, guerreiro do Metal e da virtudade da retidão, que não falava nada desde uma grande guerra que teve, finalmente falou com o Ryan no final.

Eu amei do mesmo jeito que eu amava como quando era pequena? Não. Eu entendi o motivo de eu gostar quando era criança? Não muito, mas, sei lá, cangurus guerreiros, sabe? Assistiria outra vez? Se juntar os amigos e várias comidas, me chama que eu vou!

Sol
meus textos | twitter | skoob | goodreads | filmow
Escritora de histórias bregas e especialista em procrastinação. Apaixonada por cultura pop, acredita que toda história tem potencial pra ser uma boa comédia romântica e tá sempre pronta pra indicar uns chás.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s