Wynonna Earp: demônios, maldições e romance

Se você anda pelo maravilhoso reino do Tumblr com certeza já deve ter esbarrado com ao menos um gif de Wynonna Earp. A série faz bastante sucesso lá na gringa, apesar de aqui ainda ser meio desconhecida. E é por isso que vamos te apresentar à maravilha que é essa produção do canal Syfy.

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[Descrição da imagem: Wynonna olha para a frente com uma arma apontada na direção da câmera.]

Wynonna Earp é uma série baseada nos quadrinhos homônimos de Beau Smith, que também participou pontualmente de alguns títulos da DC Comics como Lanterna Verde, Mulher-Gato e Batman. Quem trouxe a ideia para a TV foi Emily Andras, que citei brevemente no meu texto sobre Supergirl e também era produtora-executiva da série Lost Girl.

A série se passa na cidade de Purgatory (purgatório, em português) e tem uma ambientação de faroeste, explorando o sobrenatural e o horror. É entretenimento dos bons! O foco da narrativa é Wynonna, descendente do lendário pistoleiro Wyatt Earp; com a sua pistola nomeada “Pacificadora”, Wyatt procurava e matava bandidos. O que ele não sabia era que ao fazer isso, ele estava amaldiçoando todas as gerações da sua família.

A maldição dos Earp faz com que todos que foram mortos pela “Pacificadora” um dia voltem à vida, agora como demônios com poderes e sede de vingança contra a linhagem de Wyatt. Os demônios só podem ser mortos pela “Pacificadora”, e esta só pode ser usada pela herdeira, que é o membro mais velho da família e que se torna, de fato, o escolhido ao atingir 27 anos. Outro detalhe da maldição é que, quando um herdeiro morre, todos os demônios que ele conseguiu matar ressuscitam novamente.

Para enfrentar todos esses seres sobrenaturais, Wynonna conta com a ajuda de sua irmã mais nova, Waverly, que passou anos estudando sobre a história da sua família. A relação entre as irmãs é um dos pontos altos da série — em meio à toda loucura causada pelos demônios, Wynonna Earp encontra espaço para abordar problemas palpáveis que todos nós que não enfrentamos demônios de carne e osso também temos.

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[Descrição da imagem: Wynonna e Waverly olham para um ponto além da câmera, com expressões assustadas. Wynonna está à frente, protegendo Waverly, que parece se esconder atrás dela.]

Apesar da série levar o nome da herdeira, Waverly talvez seja uma das personagens mais bem construídas e desenvolvidas. Quando crianças as irmãs perderam os pais e a irmã mais velha para os demônios, o que as desestruturou completamente. Ao contar para as autoridades que a sua família caçava demônios, Wynonna foi internada diversas vezes em manicômios e conforme cresceu, cometeu alguns delitos. Então, assim que pôde, ela fugiu de sua cidade natal, deixando a irmã mais nova para trás.

Waverly permaneceu em Purgatory, acreditando que a sua irmã um dia voltaria para cumprir a sua missão. No episódio piloto a caçula nos é apresentada como uma pessoa ingênua, um verdadeiro cinnamon roll — boa demais para esse mundo, pura demais. Porém, ainda na primeira temporada, vemos um desenvolvimento enorme da personagem, com Waverly se tornando a aliada mais importante da irmã e assumindo um grande papel na luta contra as forças sobrenaturais que as perseguem.

O foco da série é o terror, com algumas cenas muito bem elaboradas (apesar da qualidade dos efeitos não ajudarem) e de deixar o espectador sem fôlego. Os primeiros episódios me lembram um pouco a primeira temporada de Supernatural, o que é bom já que essa foi uma das melhores temporadas da série. Mas não demora para a trama se tornar mais densa, me trazendo flashbacks da maravilhosa Buffy: A Caça-Vampiros quando você percebe que vários fatos que pareciam isolados, na verdade, estão conectados.

Wynonna Earp ainda tem outros dois pontos que criam uma semelhança com a série Buffy. Assim como a caça-vampiros, Wynonna também tenta fugir da sua missão, mas logo percebe que isso é inútil e que o seu destino é combater demônios. Ela duvida de si mesma e, por causa de eventos do passado a.k.a. spoilers, ela tem dificuldades em aceitar e até mesmo agir como seu papel de herdeira a obriga. O segundo ponto em que Wynonna se assemelha com Buffy é que também tem romance LGBT, e não posso dizer mais nada sobre para não dar spoilers, mas o desenvolvimento desse casal é lindo.

O ponto negativo que eu apontaria na série é que o seu elenco é bem branco. Bem branco mesmo. Na primeira temporada só temos um personagem que não é branco no elenco principal, que é o incrível e misterioso agente especial Dolls. Mas Emily Andras tem trabalhado isso e, ainda no final da primeira temporada e na segunda, introduziu mais personagens de cor ao elenco da série.

Então, você vai dar uma chance a Wynonna Earp? Eu espero que sim, ela se tornou rapidamente uma das minhas favoritas e é uma série que não mede esforços para continuar se renovando e cativando os seus fãs. Corre pra assistir e vem comentar com a gente!

Rebeca de Arruda
meus textos | twitter | goodreads
Social Media, graduada em Jornalismo, entusiasta do k-pop e doramas. Lê livros demais, vê séries demais e uns filminhos também. Vive para problematizar (e amar) a cultura pop — e também para enaltecer The Shannara Chronicles!

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