Pavê de Vó: Orgulho & Preconceito, o romance primordial

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Ok, gente. Eu sei que todo mundo já viu Orgulho & Preconceito. Pelo menos umas duas vezes, se não mais, se não literalmente todas as versões possíveis desse romance em uma maratona sem fim do casal romântico favorito de todos os tempos.

Orgulho & Preconceito é nostálgico, mas também não é. Eu já era um pouco mais velha quando li pela primeira vez, com treze anos, mas foi o suficiente para eu saber que esse livro mudaria minha vida, e que ele sempre vai ser aquela leitura confortável ao qual eu retorno quando o mundo é triste e cruel.

Sinceramente, tenho histórico de família. Também é um dos livros favoritos da minha mãe. Lembro que em 2008, quando fiquei doente e passei o dia inteiro em casa, ela me deu a lição de casa de ver a série inteira da BBC (culpo esse fatídico dia do meu eterno crush no Colin Firth). Então aqui eu vou falar mais um pouquinho sobre esse livro e sobre as adaptações maravilhosas que ele gerou.

Bom, já deu pra perceber que não é um artigo neutro tentando analisar o sucesso de Orgulho & Preconceito, ou se tem alguma falha dentro dele (spoiler: não tem). Mas vou falar um pouco da minha história com romances no geral, e porque eu acho que Orgulho & Preconceito fez uma diferença positiva na minha vida.

Quando eu era menor, eu não gostava muito de romance. Começa aquela fase chata na vida que a gente se sente obrigada a desgostar de tudo que é considerado feminino, porque a gente pensa que meninas são fracas então você TEM que denunciar todas as coisas femininas da sua vida como Jesus renunciou a tentação do the monio. Então eu jogava futebol, lia livros de fantasia, e comecei a detestar usar roupas pink. E achava que romances eram no geral bobos, e não serviam pra nada.

Bom, aos poucos, as coisas foram mudando (infelizmente só voltei usar rosa na faculdade mesmo, porque o patriarcado é tóxico desse jeito e eu tinha um monte de machismo internalizado) mas pelo menos acho que Orgulho & Preconceito me salvou dessa ideia horrível de que romances são bobos.

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Não é só a escrita de Jane Austen, que é incrível, sarcástica e perspicaz, mas também foi Elizabeth Bennet, heroína que gosta de ler livros, é superprotetora com suas irmãs, e às vezes perde a paciência com sua mãe. Gosto muito da Elizabeth porque mesmo naquela época, eu conseguia me ver como ela. E uma das coisas mais legais? Elizabeth não acha que coisas femininas são idiotas. Ela toca piano, borda de vez em quando, e adora passear com as irmãs. Pode ser que ela não seja boa em nenhuma das coisas tradicionalmente femininas, mas ela não deixa de admirar quem as faz. Inclusive é um tópico que aparece bastante dentro do livro — como as mulheres são tratadas na sociedade, e como elas também assumem papéis dentro da sociedade que nem sempre querem.

Então pela primeira vez, eu pude pegar um livro que era puramente um romance e também entender que nada daquilo era ruim, e que tudo bem se eu quiser uma história parecida, e que tudo bem ler tudo aquilo de novo e de novo. O fato é que Darcy e Elizabeth são o primeiro casal de verdade por quem eu torci muito na literatura, e cuja história revolve apenas ao redor do desenvolvimento dos dois.

E não é só um romance simples — mas é toda uma dança bem desenvolvida entre os dois personagens principais, que por um desentendimento, começam se odiando para ao final se apaixonarem. Sim, é o HATE TO LOVE original, que provavelmente todo mundo vai continuar gostando em fanfics e outros romances. Darcy e Elizabeth, apesar de extremamente diferentes, são ambos orgulhosos e inteligentes, e ambos preocupados com suas famílias.

 

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De certa forma, Orgulho & Preconceito gerou o romance como ele é visto por mulheres, no geral — algo profundo e bonito, mas que também pode ser engraçado e confuso e muitas vezes complicado. E Jane Austen escreve com uma simplicidade tão grande sobre os dois que é impossível não querer mergulhar na história mais do que uma vez, apenas para relembrar os detalhes.

Orgulho & Preconceito esteve presente na minha vida aos 13, aos 14, aos 15, aos 16, 17, 18,  e todos os anos que vieram depois disso. Eu assisti as versões da BBC de novo, assisti Bride & Prejudice, a versão bollywoodiana, e praticamente todas as histórias que foram contadas, e também revejo mais do que o necessário uma série de gifs favoritas do tumblr que o foco é o Darcy.

E porque a história de Elizabeth e Darcy é tão apaixonante? Porque eu e também tantas outras meninas ainda provavelmente nos referimos ao Darcy como uma pessoa ideal (mesmo ele sendo cheio de falhas)?

É difícil apontar os fatores. Eu poderia falar desse filme e desse livro para sempre. Eu poderia falar que amo o Darcy porque ele ama a Elizabeth — porque ele consegue vê-la do jeito que é, e não pede para mudar. Posso dizer que amo Elizabeth pela mesma razão, e assim entrar em um ciclo que não tem começo nem fim. Posso falar que é porque os dois são perfeitos um para o outro, mesmo ambos sendo um pouco péssimos. Posso falar que é porque, apesar de tudo, os dois conseguiram perdoar as falhas um dos outros, e ver mais longe do que a rivalidade inicial.

Mas posso dizer, acima de tudo, que Orgulho & Preconceito é uma história que me marcou tanto que sou incapaz de pensar no gênero de romance sem pensar nele. É uma história que se perguntarem que tipo de romance eu gostaria de viver, sem dúvida poderia responder esse.

É uma história que me faz aproveitar os dias chuvosos, e que volta e meia eu pego de novo para ver no Netflix, e redescubro a mágica que é o formato mais antigo de história contado pela humanidade — uma história de amor.

 

Laura
meus textos | twitter | goodreads | pinterestEscritora com um sonho distante de ter um diploma de faculdade. Fã de Hamilton e Star Wars. Lê muito e dorme pouco. Loka de muitas coisas.
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