A Torre Negra: Um Epílogo de 300 páginas

Faz algum tempo que não faço um post de “falar mal” aqui no blog. Quem conversa comigo acha que é hobby meu falar mal das coisas, mas na verdade eu gosto muito mais de falar das coisas que eu gosto. Mas enfim, esse é um post de falar mal.

Com o filme A Torre Negra estreiando nos cinemas esta semana, achei válido trazer um pouco sobre a leitura do livro que fiz recentemente. Eu, como boa leitora, sempre procuro ler o livro antes de sair o filme (sim, para poder soltar o clássico “o livro é melhor” depois dos créditos), e com A Torre Negra de Stephen King não foi diferente. Assim que anunciaram o elenco com Idris Elba, eu corri para a livraria pegar a minha cópia, e finalmente comecei a ler essa série que eu estava procrastinando há anos.

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#pracegover: imagem de um homem de costas com chapéu de caubói e um casaco voando ao vento, uma torre muito alta no fundo.

Bom, daí vem a parte ruim. Eu não gostei do livro.

Olha, A Torre Negra não é necessariamente um livro ruim. Mas ele é, sim, um livro confuso, cuja trama não é clara, e cujas trezentas páginas são esparramadas sem um objetivo claro durante a narrativa. Quando o leitor chega ao final, sequer tem certeza do que acabou de ler. Meu primeiro pensamento ao chegar ao final foi, “mas que porra é essa?”, e não de um jeito bom.

O que mais me confundiu foi o fato de Stephen King não sentir a necessidade de especificar ou até trabalhar o seu worldbuilding nesse primeiro livro da série. Ele não explica o mundo onde a Torre se encontra, que tipo de magia tem, que tipo de pessoas vivem nele, ou sequer o que a Torre significa. Então o leitor tem que entender o que está acontecendo no cenário por conta própria, e nada disso é de maneira clara. Só nas primeiras páginas temos um cenário que lembra um mundo do velho oeste, e obviamente estamos num mundo diferente do nosso, mas temos Jesus, a Bíblia, e até os Beatles. Fica um pouco mais confuso quando começam as referências a outras raças e espécies, e coisas que obviamente não pertencem a nosso mundo, e no caso, King jamais explica o que está acontecendo. Ele apenas joga o leitor lá, tal qual os espartanos jogavam bebês do abismo (Essa metáfora é dramática, mas eu li o livro pensando no bebê sendo jogado do abismo sem entender nada, e foi assim que me senti).

Fora o cenário confuso, temos um personagem principal que também não faz ideia do que está acontecendo ao seu redor. O pistoleiro caça esse cara misterioso – Homem de Preto – que é uma espécia de mago sem nem ao menos saber o que vai encontrar na Torre. Tudo que ele sabe é que precisa parar o cara e não deixar que ele destrua a torre. Em meio a flashbacks, conversas longas, e Roland atirando em todo mundo sem uma razão específica, chegamos ao final do livro sem entender porque começamos. Também temos Jake – um garoto que é encontrado perdido no meio de uma estação de trem – e que também faz zero ideia do que está fazendo no livro. Ao menos me senti bem representada com Jake no livro, porque se Roland entendia pouco do que estava acontecendo, Jake entendia menos ainda. Eu sou o Jake.

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#pracegover: Roland (Idris Elba) e Jake (Tom Taylor) andando num campo de grama alaranjado.

Eu sei que sempre reclamamos de fantasias longas, e que muita gente odeia o Tolkien e o George RR Martin por fazer descrições gigantes. Mas o fato é que eu entendia o mundo que eles criaram, e eu também entendi quem eram os personagens e o que eles queriam. No mundo de King, eu tenho pouca informação sobre o mundo, e menos ainda sobre quem é o personagem e o que eles querem.

Depois de ler algumas resenhas e pesquisar mais sobre o assunto, descobri que A Torre Negra funciona mais como um epílogo gigante para os próximos sete livros da série. Mas assim – quem precisa de um epílogo de trezentas páginas, sabe? Muitos editores odeiam epílogos, e eu consigo dar razão para todos eles quando se tratam desse recurso que autores amam escrever, editores amam cortar, e leitores leem sem entender muito bem o que está acontecendo. Afinal de contas, muitas vezes só vamos entender o que aconteceu de verdade no epílogo ao terminar o livro, mas eu não quero ler um livro inteiro de trezentas páginas que na verdade é um epílogo gigante. Eu me sinto roubada da experiência da leitura. Eu me sinto TRAÍDA como leitora ao terminar um livro com o qual eu não entendi vários nadas.

Eu só realmente não joguei o livro pela janela do meu prédio porque há algumas partes muito boas dentro da narrative. As partes que dá para entender — como o flashback do Roland com a águia, a conversa com o homem do deserto — são interessantes e bem narradas, e a escrite de King é sempre fácil de ler. Mas vamos concordar que apenas não há necessidade no mundo de escrever um livro de trezentas páginas que é tipo um grande epílogo. Não dá pra defender tal ato, gente. Não dá. Não me obriguem.

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Confesso que após a leitura desse livro perdi bastante a vontade de terminar o resto da série. São nada menos do que o total de oito livros, e vamos combinar, eu tenho outros sessenta livros parados na minha estante que precisam ser lidos (e que não tem epílogos de trezentas páginas). Tudo que posso dizer de A Torre Negra é que espero que pelo menos amarrem uma trama fechada e que faça sentido dentro do filme, e que como audiência possamos entender o que está acontecendo. Estou torcendo pra ser melhor do que minha experiência com o livro.

E mesmo se for ruim tem o Idris Elba num sobretudo de couro então ¯\_(ツ)_/¯.

Laura
meus textos | twitter | goodreads | pinterestEscritora com um sonho distante de ter um diploma de faculdade. Fã de Hamilton e Star Wars. Lê muito e dorme pouco. Loka de muitas coisas.

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