Wynonna Earp: demônios, maldições e romance

Se você anda pelo maravilhoso reino do Tumblr com certeza já deve ter esbarrado com ao menos um gif de Wynonna Earp. A série faz bastante sucesso lá na gringa, apesar de aqui ainda ser meio desconhecida. E é por isso que vamos te apresentar à maravilha que é essa produção do canal Syfy.

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[Descrição da imagem: Wynonna olha para a frente com uma arma apontada na direção da câmera.]

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A amizade feminina em A Amiga Genial

Você provavelmente já ouviu falar da Elena Ferrante, a autora italiana cujo nome tem borbulhado internet afora por mil motivos. Seja figurando projetos como o #LeiaMaisMulheres do Modices e derivados (sempre extremamente pertinentes) ou em resenhas sobre suas obras ou até mesmo em matérias sobre seu anonimato, o nome de Ferrante tem tanta força que a febre já tem até nome: a Ferrante Fever.

O que faz Elena Ferrante e seus livros tão comentados? Pode até ter gente mundo afora querendo colocar o motivo disso tudo na escolha da autora de se manter afastada dos holofotes e usar um pseudônimo e nas consequentes tentativas de jornalistas (cuja moral não discutirei aqui) de descobrir sua verdadeira identidade. Mas quem diz isso provavelmente nunca pegou um livro de Ferrante nas mãos e leu uma frase que seja.

L’Amica Geniale, ou A Amiga Genial, aqui no Brasil, é o primeiro livro da tetralogia de mesmo nome que trouxe tanta fama (nacional e internacional) para a autora italiana. Narrada em primeira pessoa por Lenu, a história acompanha sua infância crescendo em uma área pobre de Nápoles juntamente com Raffaella Cerullo, a Lila, e as outras crianças do bairro. Cada livro acompanha uma fase da vida dessas pessoas, dos primeiros anos à maturidade, quando Lila desaparece sem deixar vestígios e, mesmo sendo narrado quando a própria Lenu já é, ela também, uma mulher de mais de sessenta anos, há tantos detalhes e tanta sinceridade nas palavras da narradora que é difícil não se sentir tragada por sua narrativa.

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O poder dos curtas e representatividade em animação com Os Herois de Sanjay

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Falamos muito sobre representatividade e diversidade na mídia com elenco de pessoas reais, mas e na animação? Talvez alguns estranhem eu falar disso aqui porque afinal olha só os últimos filmes que saíram, Moana, Zootopia, as princesas da Disney não brancas clássicas e as últimas mais novas, olha Festa no Céu e Kubo e as Cordas Mágicas! Festa no Céu é realmente bom e principalmente incrível e rico na produção cultural e visual, diferentemente do que eu acho de Kubo. Mas enfim, a questão é que temos mais filmes de animais – que nem sempre são bem executados, principalmente quando usam o comparativo de diversidade de animais com diversade de raça e etnia – do que de crianças e pessoas não brancas, lgbt+, com deficiência na tela dos grandes filmes de animação. Essa falta de representação se sente, principalmente com as crianças, em que se ver na tela pode mudar a percepção e a força que você tem em relação à si mesmo; assim como gerar empatia. E é visível que queremos sim, representatividade. Não è à toa que Estrelas Além do Tempo foi sucesso de bilheteria, que há milhares de meninas que puderam se ver na Moana e se sentirem representadas, que Mulher Maravilha quebrou recorde de faturamento porque queremos ver mais heroínas salvando o dia.

O número de protagonistas não brancos nos longas de animação não é muito grande. E eu ainda tenho a constante sensação de que é menor ainda do que em produções live-action, com pessoas atuando. A Disney tenta, mas nem sempre é feliz. Pocahontas é uma versão romantizada e completamente distorcida da história original. Temos A Princesa e o Sapo e apenas uma, uma protagonista negra entre milhares de protagonistas brancas da Disney. E é aquilo, quanto mais personagens e mais pontos de vista diferentes, mais chance de desenvolver diferentes vivências, personalidades, dar dimensão e realmente conseguir trazer diversidade com representação na tela. Apenas uma visão não é o suficiente, não basta apenas uma versão, queremos muitas histórias e mais personagens não brancos sendo o centro da narrativa, não apenas o personagem engraçadinho, o melhor amigo, o de participação especial.

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Shimmer Lake é um suspense despretensioso

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Segundo uma teoria extremamente complexa – não – criada por mim e minha mãe, existem pelo menos dois tipo distintos de diversão, o primeiro tipo nós costumamos chamar de “diversão cabeça”, e o segundo, e também meu preferido, a “diversão despretensiosa”. O post de hoje vai dar uma ótima dica do segundo tipo de diversão.

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Pavê de Vó: você lembra de Guerreiros da Virtude?

Tem uns filmes que são tão presentes na nossa infância que dá uma nostalgia incrível só de lembrar deles, né? Quando penso em filmes assim, Guerreiros da Virtude é um dos que surgem na minha memória. Havia algo de mágico sobre um garoto caindo de um cano e cangurus guerreiros, o que tornava praticamente impossível não sentar pra assistir essa aventura até o final toda vez que passava na televisão. E é justamente sobre essa grande obra clássica que vamos falar no Pavê de Vó de hoje!

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Um lembrete: Ler não precisa ser um desafio

Mês passado, Tessa Dare, autora presente na lista de bestsellers do New York Times , fez uma thread no Twitter (em inglês) falando sobre a ideia de que leitores devem ser “provocados” quando resolvem ler um livro de romance uma vez que a Vida Real™ não é feita apenas de flores. Tessa começa sua série de tweets convidando o leitor a imaginar-se em um clube de comédia em que o comediante, em vez de contar piadas, mostra um vídeo revoltante. Quando a platéia reage, ele diz “Vocês devem ser desafiados! A vida real nem sempre é engraçada!”.

O ponto desse cenário é que tanto a platéia fictícia do comediante diferentão quanto os leitores de romances SABEM que a vida real nem sempre é hilária ou um caminho de flores. Nós todos sabemos disso. E esse é, justamente, o motivo pelo qual escolhemos assistir uma apresentação de comediantes ou ler um livro de romance em que tudo dá certo no final. Nós sabemos o que vai acontecer – não os detalhes, claro, mas temos uma ideia geral – e é isso mesmo que a gente está procurando. E não tem absolutamente NADA DE ERRADO NISSO.

Escolher um romance que acaba bem, por mais dramático que ele possa ser, é escolher passar seu tempo de lazer atrás de otimismo. Independente do motivo pelo qual você escolheu aquela história, você sabe que as chances de coisas boas saírem dali são altas. E é isso mesmo que você está procurando. Como a própria Tessa Dare diz em seu thread, você está comprando um “ingresso para felicidade”. Sua próxima leitura pode ser um livro de terror, um suspense, um romance policial ou – por que não? – outro romance. Não importa. Naquele momento que você escolheu ler sobre pessoas se apaixonando, você escolheu o que você quer ler. Você não precisa ser “desafiado”.

ler não precisa ser um desafio

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