Grown-ish: sobre crescer e não ser perfeita

Séries sobre e para jovens é sempre algo que recebe bastante audiência, o que é compreensível vendo o quão interessante essas narrativas costumam ser. Atualmente, com a preocupação crescente de sempre se ter mais representatividade, temos visto muitas ótimas séries surgirem e hoje vamos falar um pouco sobre a mais recente delas, a maravilhosa série jovem Grown-ish.

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A emissora de TV gringa Freeform (antiga ABC Family) é uma daquelas que estão entendendo a necessidade de produzir conteúdos menos padrões e tem feito ótimos trabalhos com boas representatividades nos últimos anos. De Switched at Birth até The Bold Type, a emissora vem caminhando para dar mais espaço para uma melhora e ampliação das diversidades apresentadas nos personagens de suas séries. E não é diferente com Grown-ish.

A série é um spin-off da comédia de sucesso Black-ish (ambas criadas pelo Kenya Barris), que conta o dia a dia de uma família negra rica e traz diversas reflexões sociais e raciais de forma engraçada e responsável. Todos os personagens da série original são carismáticos e divertidos, mas fazer um spin-off da filha mais velha dessa família foi uma escolha certeira!

Grown-ish é a nova série sobre Zoey Johnson (Yara Shahidi), uma jovem que acaba de chegar na faculdade e está aprendendo como é a vida longe de sua família e sem a proteção de seu pai (que passou horas chorando no telefone pra ela logo no primeiro episódio, porque o Dre é ridículo assim) durante essa fase que não somos nem adolescentes, nem adultos. Apesar de ser um spin-off, Grown-ish funciona muito bem como série solo e você pode assistir sem nunca ter visto a original (mas faça um favor pra si mesmo e assista Black-ish).

A primeira coisa que chama atenção é, com certeza, o elenco. Além de uma protagonista negra temos ao redor de Zoey um grupo bastante diverso. Dois caras negros (Trevor Jackson e Luka Sabbat), duas meninas negras gêmeas (Jazlyn e Skylar Foster), uma garota latina (Francia Raisa), um rapaz indiano (Jordan Buhat) e uma jovem bissexual e judia (Emily Arlook) são os integrantes que compõem esse grupinho que, como a Zoey mesma diz, se igualam aos jovens disfuncionais de Clube dos Cinco (só que melhor, pois RE-PRE-SEN-TA-TI-VI-DA-DE!!!).

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Apesar de seus episódios curtos e as piadas e momentos engraçados, Grown-ish tem uma atmosfera muito diferente de outras séries de comédia que conhecemos. Muito mais parecida com as dramédias de 40 minutos que encontramos por aí (ou até as produções da Netflix), essa série já promete trazer reflexões e lições muito importantes de serem abordadas em algo produzido para jovens. Sem, é claro, perder o toque humorístico que é prometido desde o começo.

Outro ponto que, pessoalmente, eu acho muito atrativo em Grown-ish é o fato de termos uma protagonista tão imperfeita como a Zoey. Desde Black-ish sabemos que a jovem tem momentos muito egoísta e é, no geral, bastante mimada.  Apesar de ser fundamentalmente uma pessoa boa, Zoey comete um erro atrás de outro, o que pode fazer muitas pessoas desgostarem dela como protagonista, mas, para mim, esse é justamente o ponto que a torna mais interessante. Longe de sua família, Zoey tem ainda mais chances de fazer escolhas duvidosas (o que desde o começo de Grown-ish temos visto ela fazer), mas é justamente assim que ela vai crescer. Zoey é uma jovem adulta que tá começando agora a descobrir quem realmente é e o que quer da sua vida. É muito revigorante ver uma protagonista como ela tendo a chance de errar e aprender, sem precisar ser o símbolo de força que geralmente é jogado nas costas de mulheres negras.

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Grown-ish começou há pouco tempo e ainda tem poucos episódios, mas a emissora já até renovou pra uma próxima temporada! O que mostra o quanto essa é uma narrativa importante e que ainda anda em falta. Então, corre pra assistir essa série que já é um sucesso (e que conquistou um lugarzinho especial no meu coração)!

Sol
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Escritora de histórias bregas e especialista em procrastinação. Apaixonada por cultura pop, acredita que toda história tem potencial pra ser uma boa comédia romântica e tá sempre pronta pra indicar uns chás.

 

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