A temporada de premiações e os mesmos problemas de sempre

Chega essa época do ano e muita gente só consegue pensar em uma coisa: temporada de premiações. Esses primeiros meses são marcados pela presença de muitas cerimônias de premiações, principalmente cinematográficas. Pra quem é apaixonado por cinema, esse é o momento perfeito pra olhar as listas de indicados e fazer aquela maratona maluca. Por muito tempo eu fui uma dessas pessoas, mas estamos em 2018 e é muito cansativo ignorar todos os problemas. Vamos conversar um pouco sobre isso?

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Harriet A Espiã, Nancy Drew o quê? Aqui é Irene Lee, rapá!

 

irene lee

Tamanho nem sempre é documento. E quantidade não quer dizer qualidade. E muitas vezes, um bom curta pode ser tão bom quanto (ou até mais) um longa metragem. Hoje trago um curta que é a prova disso, uma história encantadora, com produção impecável e de encher os olhos, com protagonista leste-asiática-americana e com roteiro e direção também. Com vocês, Irene Lee, Girl Detective, dirigido e roteirizado por Yulin Kuang.

Falando de um tipo de filme bem específico e voltado para o público infanto-juvenil, você com certeza já deve ter visto algum assim: crianças protagonistas (brancas) vivendo altas aventuras no seu jardim, sua vizinhança, num dia forte de sol ou até mesmo em casa, sozinhas ou com uma trupe de amigos. Tem inúmeros filmes assim tipo Sessão da Tarde e você deve conhecer pelo menos um – ou vários, porque sério, tem muitos. E ainda assim, é muito difícil encontrar um filme com protagonista mirim não branco, numa narrativa leve, divertida e cheia de aventuras, podendo ser o centro da história ao invés das meninas brancas que vendem limonada na esquina.  Continuar lendo

Literatura assexual pra quando bater a bad (ou pra qualquer hora, de verdade)

literatura ace

Nessa última semana, saiu a notícia de que a homossexualidade de Alvo Dumbledore não vai estar presente no próximo filme de Animais Fantásticos e Onde Habitam. Fãs ficaram indignados, o que é esperado, e J.K. Rowling recorreu ao Twitter para defender o filme  e suas escolhas. Verdade seja dita, eu não dei muita atenção ao que a autora de uma das sagas que eu mais amo no mundo tinha a falar. Já faz um tempo que Rowling vem dando bola fora atrás de bola fora quando o assunto é Harry Potter. Ela defender que Dumbledore ser um homem gay não é importante pro plot (quando lembramos que ele vai enfrentar o homem por quem era apaixonado na adolescência) é só mais um erro numa fila que só cresce.

No meio disso tudo, algumas pessoas vieram perguntar “por que colocar sexualidade em um filme para crianças?“. Bom, resumidamente, porque ela já está lá desde o começo. Nessa sequência de tweets da Tristina Wright (em inglês), ela explica como a heterossexualidade está presente desde o primeiro capítulo do primeiro livro, quando Rowling nos apresenta os tios casados de Harry, e não para mais. Todos os casais de Harry Potter são héteros e o único personagem gay só foi descoberto gay anos depois da publicação dos livros. É engraçado (pra não dizer dolorido) pensar que as pessoas veem relacionamentos só como sexo.

Engraçado (dolorido) porque, no fim das contas, nossa sociedade é assim. Sexo é e sempre foi o padrão quando pensamos em relacionamentos, principalmente relacionamentos não héteros. Imagina o que isso não faz com a cabeça de alguém que não sente atração sexual por ninguém. Imagina como é ser assexual em uma sociedade que lê “Dumbledore é gay” e já sai gritando que isso não pode aparecer nos filmes, filmes que focam nele e no homem por quem ele era apaixonado, porque esses são filmes infantis.

Quando todo mundo foca em sexo, ser assexual machuca.

E é por isso que é tão importante ter livros e filmes e séries com personagens assexuais. Já falei sobre isso aqui no Pavê ao apresentar Sirens. Acontece que a Voodoo é uma personagem secundária e, apesar dela ter bastante espaço dentro da série, o foco não é ela. Mas isso não é motivo para se desanimar porque Tash e Tolstói e Garotas Mágicas Super Natalinas existem (e eu prometo que vou tentar segurar os spoilers, viu?). Continuar lendo

A humanização dos monstros

Estava sem ideia para um post essa semana então resolvi entrar em um dos meus assuntos favoritos: vilões. Eu sou facilmente uma daquelas pessoas que torce mais pro vilão do que o mocinho na maioria dos filmes, e que fica desapontada quando não é dada a devida atenção aos vilões de uma narrativa (estou olhando pra você, Marvel). O fato é que vilões sempre me interessaram, talvez da primeira vez que assisti Star Wars com uns quatro anos e o Darth Vader apareceu, e acho que é importante discutir porquê.

“Ah mas Laura eu não acredito que você vai defender vilões nesse post!!!”, eu ouço sua indignação vinda do além e cruzando todos os planos metafísicos pra chegar em minhas orelhas.

Alto lá, camarada. Eu não disse defender. Mas eu queria discutir um pouco do porque às vezes nos apegamos mais a eles do que aos mocinhos.

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