Literatura assexual pra quando bater a bad (ou pra qualquer hora, de verdade)

literatura ace

Nessa última semana, saiu a notícia de que a homossexualidade de Alvo Dumbledore não vai estar presente no próximo filme de Animais Fantásticos e Onde Habitam. Fãs ficaram indignados, o que é esperado, e J.K. Rowling recorreu ao Twitter para defender o filme  e suas escolhas. Verdade seja dita, eu não dei muita atenção ao que a autora de uma das sagas que eu mais amo no mundo tinha a falar. Já faz um tempo que Rowling vem dando bola fora atrás de bola fora quando o assunto é Harry Potter. Ela defender que Dumbledore ser um homem gay não é importante pro plot (quando lembramos que ele vai enfrentar o homem por quem era apaixonado na adolescência) é só mais um erro numa fila que só cresce.

No meio disso tudo, algumas pessoas vieram perguntar “por que colocar sexualidade em um filme para crianças?“. Bom, resumidamente, porque ela já está lá desde o começo. Nessa sequência de tweets da Tristina Wright (em inglês), ela explica como a heterossexualidade está presente desde o primeiro capítulo do primeiro livro, quando Rowling nos apresenta os tios casados de Harry, e não para mais. Todos os casais de Harry Potter são héteros e o único personagem gay só foi descoberto gay anos depois da publicação dos livros. É engraçado (pra não dizer dolorido) pensar que as pessoas veem relacionamentos só como sexo.

Engraçado (dolorido) porque, no fim das contas, nossa sociedade é assim. Sexo é e sempre foi o padrão quando pensamos em relacionamentos, principalmente relacionamentos não héteros. Imagina o que isso não faz com a cabeça de alguém que não sente atração sexual por ninguém. Imagina como é ser assexual em uma sociedade que lê “Dumbledore é gay” e já sai gritando que isso não pode aparecer nos filmes, filmes que focam nele e no homem por quem ele era apaixonado, porque esses são filmes infantis.

Quando todo mundo foca em sexo, ser assexual machuca.

E é por isso que é tão importante ter livros e filmes e séries com personagens assexuais. Já falei sobre isso aqui no Pavê ao apresentar Sirens. Acontece que a Voodoo é uma personagem secundária e, apesar dela ter bastante espaço dentro da série, o foco não é ela. Mas isso não é motivo para se desanimar porque Tash e Tolstói e Garotas Mágicas Super Natalinas existem (e eu prometo que vou tentar segurar os spoilers, viu?). Continuar lendo

A representatividade assexual em Sirens (e por que ela é tão importante)

Alguns anos atrás, descobri uma série nova no Tumblr. Até então, nada de novo. Boa parte das séries e desenhos que eu assisti nos últimos anos foram recomendações das pessoas que eu seguia no site. Cada uma me chamava a atenção por um motivo diferente, mas o motivo principal acabava sendo, sempre, um grande número de pessoas comentando os últimos episódios e fanarts lindos aparecendo na minha timeline (por que, né, ninguém é de ferro). Mas esse seriado em questão não era assim – pouquíssima gente falava dele e havia pouco material nas buscas. O que foi que me chamou a atenção para Sirens? Uma personagem secundária assexual e como um dos personagens principais lidou com isso depois de perceber que tinha uma quedinha por ela.

Ano passado o Paulo falou sobre assexualidade aqui no blog (o post é esse aqui e está bem completinho, pra quem tiver interesse), mas, só pra recapitular, assexualidade é uma orientação sexual (é o A no final do LGBTQA que, não, não está lá para os aliados) assim como hétero, bi, homo e pan, definida pela falta de atração sexual por outras pessoas. Não é celibato e também não é uma piada engraçadinha sobre comida ou falta de qualquer coisa. É algo válido, real e que pode mexer muito com a cabeça de uma pessoa que não tem muita informação, como qualquer outra orientação. A diferença? Pouquíssimas pessoas falam sobre isso. Eu mesma demorei anos pra descobrir que assexualidade existia e havia mais gente nesse mundão que partilhava disso.

sirens voodoo

Descrição da imagem: Voodoo, do ombro para cima, olha para alguém fora da cena. Seu cabelo loiro está preso em um rabo de cavalo e ela usa o uniforme azul marinho de paramédica.

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Precisamos falar sobre assexualidade

Talvez você já tenha ouvido a palavra “assexual” ou “assexualidade”. E talvez você tenha pensando “mas essas pessoas fazem mitose?”, pensando na palavra “assexuado”, que significa “que se reproduz sem relação sexual”. Mas o que isso significa?

The Asexuality Flag | Asexuality Archive

Bandeira do orgulho ace, composta por faixas das cores preta, cinza, branca e roxa.

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