A delicadeza de Pétalas e Além dos Trilhos

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Nós aqui do Pavê adoramos quadrinhos. Já rolou lista de indicações no Dia do Quadrinho Nacional e volta e meia tem resenha de hqs aqui no blog. Então, hoje, eu relembro e falo um pouco mais de duas histórias que mencionei lá no final de janeiro: Pétalas, do Gustavo Borges e da Cris Peter, e Além dos Trilhos, da Mika Takahashi!

As duas hqs são nacionais e causaram rebuliço no Catarse. Pétalas arrecadou 1068% (!!!) do valor esperado. Além dos Trilhos conseguiu 228% e, juntas, as duas obras arrecadaram mais de cento e dez mil reais e totalizaram mais de mil edições impressas. Ou seja, o hype foi grande. E não decepcionou nem um pouco.

Contando histórias lindas, sem diálogo mas com muita delicadeza, tanto Mika Takahashi quanto Gustavo Borges nos apresentam personagens que tem muito a dizer. O coelho da Mika e o Pássaro e a Raposinha de Gustavo podem não ser humanos, mas passam por aventuras e lições de vida de aquecer o coração (e arrancar algumas lágriminhas).

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Manual de Sobrevivência da Vida Adulta: o dia a dia de ilustradora e força feminina, de Brendda Lima

Não é nenhuma novidade que em muitas áreas de trabalho, há muitos mais homens seja em quantidade ou favorecimento. O mundo nerd e da cultura pop não é diferente, principalmente quando se fala em quadrinhos. Eu já conhecia o Social Comics, é um serviço de assinatura mensal brasileiro para quadrinhos, e o melhor disso é que tem muita coisa independente por lá, títulos de quadrinistas nacionais que super valem a pena a leitura e que às vezes não são fáceis de encontrar. O problema é que quando eu me cadastrei no site eu vi uma longa lista de quadrinhos feitos por homens, são pouquíssimas as mulheres que tem algo lá e isso ainda não é diferente nesse mercado. Mas as mulheres nos quadrinhos existem, as Lady’s Comics estão aí para provar isso! E venho aqui hoje falar sobre uma, Brendda Lima e seu trabalho incrível em Manual de Sobrevivência da Vida Adulta.

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#desafiopave: Black Silence, ficção científica brasileira em quadrinhos

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[Descrição da imagem: Foto da capa do quadrinho. Na capa, há a imagem de uma mulher negra e cabelo branco na altura do pescoço, estando de perfil e com uma expressão severa. Ao redor, a imagem lembra o espaço sideral, com algumas partes de um triângulo preto surgindo por trás dela. Acima, o título, “Black Silence”, e abaixo, o nome da altura, “Mary Cagnin”. Ao lado, a foto de um marca-texto com a mesma imagem da mulher.]

Na nossa listinha de quadrinhos, o escolhido para fevereiro deveria ser uma ficção científica (escrita por autora mulher, como todos os quadrinhos da lista). E assim chegamos a Black Silence, história em quadrinhos publicada de forma independente em 2016, da autora Mary Cagnin, que utilizou financiamento coletivo no Cartase para tanto (pausa para declarar meu amor pelas obras que os financiamentos coletivos nos proporcionam!).

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#desafiopavê: Estrela Kaingáng, a lenda do primeiro pajé

Hoje é dia de #DesafioPavê e nós vamos falar sobre o livro escolhido para o mês de fevereiro, cujo tema era literatura indígena – e aqui estamos falando de livros sobre indígenas e escritos por indígenas, então todos aqueles romances indianistas que estudamos no colégio como O Guarani, Iracema e Moema estavam fora da competição.

A obra escolhida foi Estrela Kaingáng, da Vãngri Kaingáng, publicada pela Editora Biruta. O livro tem 32 páginas, então aviso logo que é difícil falar dele sem soltar spoiler, mas, em minha defesa, o tema do livro é uma lenda (que todos nós deveríamos saber se as escolas ensinassem a história dos povos indígenas) então não tem uma reviravolta que um spoiler possa estragar. Agora que estão todos avisados, vamos lá!

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[Descrição da imagem: foto do livro Estrela Kaingáng, em que na capa vemos uma ilustração de um céu estralado com o título na frente, e um enfeite de uma planta ao lado do livro.]

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O Senhor do Vento: Como inovar o folclore brasileiro

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O feriado do carnaval está quase terminando e, a essa altura, ou você já cansou de tanto pular e dançar ou já terminou aquele livro que começou a ler já na sexta-feira depois da aula ou do trabalho. Seja qual for a sua situação, uma coisa é certa – é hora de descansar e, quem sabe, ler algo novo. Mas, às vezes, a gente não quer se prender com algo muito comprido ou quer só passar o tempo sem compromissos. É aí que entram os contos.

Tem muita gente que não está acostumada a ler contos, mas a verdade é que essa pode ser uma ótima ideia. Você pode conhecer um autor novo sem se comprometer com muitas páginas e se arrepender na metade do caminho ou pode só passar o tempo lendo algo interessante de quem você já conhece! De qualquer forma, ler contos é uma experiência divertida e descompromissada, e o próprio ato de ler não é, em parte, exatamente isso?

Assim, separei uma das minhas últimas leituras para comentar no post de hoje – O Senhor do Vento, de Gabriel Réquiem, publicado pela Editora Draco sob o selo Contos do Dragão. Antes de falar sobre o conto em si, vamos falar do selo. Contos do Dragão é uma seleção de histórias publicadas em ebook, que você pode encontrar na página deles em diversos formatos. A maioria dos contos está disponível na Amazon, para ser lido no Kindle, mas alguns deles também podem ser obtidos para o Kobo da Cultura ou para o Lev da Saraiva. Alguns deles podem até ser encontrados no Google Play e alguns outros foram publicados exclusivamente no formato digital e são um pouco mais difíceis de achar individuais.

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#desafiopavê: As Águas-Vivas Não Sabem de Si

Como já dito antes em outro post, esse ano lançamos o #DesafioPavê. Baseado em nossas escolhas de leitura para cada mês, resenhamos e discutimos as obras selecionadas, e vamos comentar aqui no Pavê também. O post de hoje é sobre o livro de ficção científica As Águas-Vivas Não Sabem de Si, da Aline Valek.

Quero começar dizendo que o livro foi uma surpresa para mim. E uma surpresa muito agradável mesmo. A escrita da Aline é surpreendente e me trouxe a mesma sensação de estar perto do oceano, como se estivesse reproduzindo o próprio movimento das ondas – o infinito leva e traz, a calma e ao mesmo tempo, o poder do mar.

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Yowiya, de Hiro Kawahara

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Descrição da imagem: Foto da capa de Yowiya, em que o personagem-título aparece ao fundo. À sua frente, está Manon, um fantasma azulado de uma modelo francesa assassinada. Seu “corpo” é desproporcionalmente esguio e tem caracteres chineses arcaicos tatuados. Aos pés de Manon está Kipky, uma garota de cabelo curto, vista de perfil e colorida em tons de amarelo. Ao lado do livro, está um marcador de páginas que mostra os olhos de Yowiya, a cabeça de Manon e a de Kipky, uma acima da outra, contra um fundo cor de rosa.

Eu tinha grandes expectativas para Yowiya, segundo quadrinho do ilustrador Hiro Kawahara publicado pela editora Gironda. Ouvi falar desse trabalho pela primeira vez quando ainda era um projeto no Catarse, e achei a sinopse tão interessante que guardei o nome do projeto e do autor para comprar quando estivesse publicado (àquela altura, o projeto já tinha atingido a meta pretendida). Acabei comprando meu exemplar na CCXP (Comic Con Experience), com direito a um autógrafo super fofo do Hiro e já de olho nas artes que ele também estava vendendo por lá (infelizmente, tive que deixar para outra oportunidade, porque queria guardar dinheiro para comprar outros quadrinhos). E no post de hoje, conto se Yowiya atingiu ou não minhas expectativas. Continuar lendo

Vitória não é uma história qualquer

E falo sério. Não porque a história é uma ficção: não é. Não porque compõe um clichê: tudo menos isso! E sim porque essa história acontece, mas não com os papéis que você tá acostumado a ver na novela, livros ou até no seu dia a dia depois de ouvir aquela fofoquinha de bar.

Vitória, obra de de Giovanni Arceno, conta sobre Vitória e Danilo. Dois jovens adultos que depois de uma transa por pura diversão, descobrem que vão ser pais. Sem amor nenhum entre eles, não sabem o que será dessa criança, como funcionará as suas rotinas envolvendo trabalho e mesclando com um pouco de sonho do que eles querem realizar ainda futuramente em suas vidas. Eis então que ela decide que irá praticar aborto, mesmo que ilegalmente, e busca ajuda de Danilo, que não é um jovem pra lá de decidido, o contrário dela, que quando coloca uma ideia na cabeça, não há quem pudesse fazê-la mudar de ideia.

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Café Coado na Calcinha: o melhor conto erótico que você respeita

Às vezes, numa busca despretensiosa por uma nova leitura, a gente acaba esbarrando em algo surpreendentemente bom. Navegando sem rumo na página de ebooks da Amazon e esbarrando em milhões de contos eróticos com capas e títulos duvidosos, eu encontrei Café Coado na Calcinha. Não tive vontade de ler, confesso, mas acabei aceitando o pedido das migas e peguei o conto pra ler. E qual foi minha surpresa ao perceber que esse conto erótico foi, até o momento, a minha melhor leitura de 2017.

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[Descrição da imagem: Um fundo de renda vermelha com um quadro branco na frente e o título do conto escrito também em vermelho.]

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Jaloo: Música eletrônica brasileira pra se acabar de dançar

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Volta e meia a gente descobre uma música nova que gruda de um jeito que não tem como fugir. Você se pega cantando alguns trechos e cantarolando outros nas horas mais improváveis. As vezes essa descoberta se dá graças a um filme. Em outras, um amigo que te apresentou. E, em outras, você escuta um pedacinho em um vídeo e não sossega até descobrir de onde veio e quando pode ouvir mais.

Conheci Jaloo, nome artístico de Jaime Melo, graças aos vídeos da vlogger Danielle Noce. Pra quem não conhece, a Dani começou postando vídeos de receitas de doces e o negócio deu tão certo que hoje ela já tem mais de mil inscritos no canal, além de programas especiais de verão e, meus favoritos, vlogs de viagem. Ela e o marido, Paulo Cuenca, já foram pra tudo quanto é país e fizeram vlogs lindos, com uma cinematografia de fazer babar e, olha só, uma sonografia maravilhosa. Foi justamente em um dos seus vlogs sobre o Manaus (que vale muito a pena assistir, por mil motivos) que eu ouvi o primeiro trechinho de Jaloo e amei, mas deixei passar porque não havia letra pra jogar no Google (quem nunca?). Em um outro vídeo, ainda sobre Manaus, ouvi um trecho de outra música. E daí tive que ir procurar. E me apaixonei de primeira.

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