Harriet A Espiã, Nancy Drew o quê? Aqui é Irene Lee, rapá!

 

irene lee

Tamanho nem sempre é documento. E quantidade não quer dizer qualidade. E muitas vezes, um bom curta pode ser tão bom quanto (ou até mais) um longa metragem. Hoje trago um curta que é a prova disso, uma história encantadora, com produção impecável e de encher os olhos, com protagonista leste-asiática-americana e com roteiro e direção também. Com vocês, Irene Lee, Girl Detective, dirigido e roteirizado por Yulin Kuang.

Falando de um tipo de filme bem específico e voltado para o público infanto-juvenil, você com certeza já deve ter visto algum assim: crianças protagonistas (brancas) vivendo altas aventuras no seu jardim, sua vizinhança, num dia forte de sol ou até mesmo em casa, sozinhas ou com uma trupe de amigos. Tem inúmeros filmes assim tipo Sessão da Tarde e você deve conhecer pelo menos um – ou vários, porque sério, tem muitos. E ainda assim, é muito difícil encontrar um filme com protagonista mirim não branco, numa narrativa leve, divertida e cheia de aventuras, podendo ser o centro da história ao invés das meninas brancas que vendem limonada na esquina.  Continuar lendo

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Curtas WE ARE – Issa Rae Productions

Bom, hoje assim como no post do primeiro dia desse mês, eu trago 5 links de vídeos do Youtube maravilhosos, porém com uma proposta diferente. Já que sextou, que tal uma série de curtas para assistir?

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[Descrição da Imagem: sete mulheres (seis negras e uma latina) estão sentadas em cima de um tapete, no meio de um salão onde foi uma exposição de fotos e festa, e estão de braços extendidos brindando com copos de plástico vermelho, em tom de celebração e confraternização. Cena do curta We are – Everything, comentado no fim do post.]

Assim que assisti o primeiro curta da série WE ARE, me apaixonei instantaneamente. É produção de qualidade. É narrativa e roteiro trabalhados com tanta sutileza, presença, contemporaneidade e coração ao mesmo tempo. São histórias de milhares de mulheres negras – aquelas histórias que a gente não vê com frequência na TV – de cenas cotidianas sobre a vida, narrativas humanas, autênticas e muito reais.

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O poder dos curtas e representatividade em animação com Os Herois de Sanjay

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Falamos muito sobre representatividade e diversidade na mídia com elenco de pessoas reais, mas e na animação? Talvez alguns estranhem eu falar disso aqui porque afinal olha só os últimos filmes que saíram, Moana, Zootopia, as princesas da Disney não brancas clássicas e as últimas mais novas, olha Festa no Céu e Kubo e as Cordas Mágicas! Festa no Céu é realmente bom e principalmente incrível e rico na produção cultural e visual, diferentemente do que eu acho de Kubo. Mas enfim, a questão é que temos mais filmes de animais – que nem sempre são bem executados, principalmente quando usam o comparativo de diversidade de animais com diversade de raça e etnia – do que de crianças e pessoas não brancas, lgbt+, com deficiência na tela dos grandes filmes de animação. Essa falta de representação se sente, principalmente com as crianças, em que se ver na tela pode mudar a percepção e a força que você tem em relação à si mesmo; assim como gerar empatia. E é visível que queremos sim, representatividade. Não è à toa que Estrelas Além do Tempo foi sucesso de bilheteria, que há milhares de meninas que puderam se ver na Moana e se sentirem representadas, que Mulher Maravilha quebrou recorde de faturamento porque queremos ver mais heroínas salvando o dia.

O número de protagonistas não brancos nos longas de animação não é muito grande. E eu ainda tenho a constante sensação de que é menor ainda do que em produções live-action, com pessoas atuando. A Disney tenta, mas nem sempre é feliz. Pocahontas é uma versão romantizada e completamente distorcida da história original. Temos A Princesa e o Sapo e apenas uma, uma protagonista negra entre milhares de protagonistas brancas da Disney. E é aquilo, quanto mais personagens e mais pontos de vista diferentes, mais chance de desenvolver diferentes vivências, personalidades, dar dimensão e realmente conseguir trazer diversidade com representação na tela. Apenas uma visão não é o suficiente, não basta apenas uma versão, queremos muitas histórias e mais personagens não brancos sendo o centro da narrativa, não apenas o personagem engraçadinho, o melhor amigo, o de participação especial.

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4 curtas trevosos pra todo mundo assistir

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Nós aqui do pavê somos apaixonados por curta-metragens, principalmente os de animação. Então, assim que começamos a organizar a programação do pavê trevoso, eu pensei em fazer uma lista de curtas. A princípio, seria uma lista de curtas de terror, depois resolvi fazer uma lista apenas de curtas de animação, por último, decidi fazer uma lista que agradasse todo mundo, até quem não gosta de terror. Acabei escolhendo esses quatro curtas de animação que se encaixam de formas diferentes no outubro temático aqui do blog. Nem todos os filmes da lista são assustadores, mas eles são todos –de uma forma ou de outra– perfeitos para o pavê trevoso.

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Angie & Zahra: Amizade no fim do mundo

Você provavelmente já conhece Yulin Kuang. Talvez não pelo nome, mas por um de seus trabalhos mais famosos: O curta I Ship It, de 2014, com Mary Kate Wiles (Que já apareceu aqui quando a Sol falou de webseries), Sean Persaud e Joey Richter sobre uma cantora de wrock (Aquele estilo musical em que todas as músicas fazem referência a Harry Potter) que decide participar de um concurso de bandas de fandom para se vingar de seu ex-namorado. Recentemente, o curta foi regravado como uma série para a CW Seed.

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Mas o que você talvez não conheça são os outros trabalhos de Yulin. Nascida na China mas criada nos Estados Unidos, em Nova Jersey e depois na Pensilvânia, a cineasta é responsável pelo canal que leva seu nome e pelo Shipwrecked Comedy (Juntamente com Sean Persaud e Sinead Persaud) no Youtube, onde posta seus curtas e webséries. Entre seus trabalhos, temos a Tiny Feminists, um pequeno grupo de meninas que descobre o feminismo e resolve colocá-lo em prática em sua comunidade; Irene Lee, Girl Detective, uma menina que resolve ganhar dinheiro trabalhando como detetive e The Perils of Growing Up Flat-Chested, uma adolescente aprendendo a lidar com seu próprio corpo e seu novo namorado.

Como dá pra ver, os trabalhos de Yulin giram em torno de garotas – mais especificamente, mestiças. As atrizes principais são, em sua maioria, americanas de descendência asiática. Mas em nenhum momento esse é o foco de suas histórias. Ao contrário, elas vivem aventuras do dia a dia, aprendendo a lidar com a vida e vivendo comédias românticas ao mesmo tempo – exceto em Angie & Zahra. Continuar lendo