Tartarugas até lá embaixo é o melhor livro de John Green, mas ainda tem problemas

Um dos desafios da dor, seja física ou psíquica, é que só conseguimos nos aproximar dela através de metáforas. Não temos como representá-la como fazemos com uma mesa ou um corpo. De certo modo, a dor é o oposto da linguagem.

P_20180128_132115_vHDR_Auto

[Descrição da imagem: Num fundo branco, aparece em destaque a capa do livro “Tartarugas até lá embaixo”, de John Green. A capa é bege e tem uma espiral na cor laranja afunilando-se enquanto chega à extremidade da capa. Ainda, é possível ver o selo da Editora Intrínseca e, também, ao lado do nome do autor, lê-se “autor de A culpa é das estrelas”.]

Resolvi começar o post de hoje com essa citação de Tartarugas até lá embaixo, do John Green, porque ela sintetiza o que é esse livro e o que John Green tenta fazer ao longo de suas 266 páginas.

Continuar lendo

6 YAs de Autores Negros pra colocar no seu radar em 2018

Sem Título-1

Nesse mês da Consciência negra, o Pavê está especialmente dedicado a recomendar mais autores negros e também mais cineastas e artistas negros. O post de hoje é para quem gosta de YA — e aqui vai nossas recomendações de livros para ficar de olho no ano que vem.

Sem mais delongas, vamos direto para a lista, que incluem autores de livros young adult nos gêneros mais diversos.

Continuar lendo

Power Rangers (2017): Representativo? Pera lá! Um rant sobre protagonismo branco e representatividade no mundo dos heróis

Superheroes-Power-Rangers-2017-Characters-Wallpaper-10496-700x394_pave

[Descrição de Imagem: Os cinco rangers de perfil e lado a lado, do busto para cima, com a armadura de power ranger, de capacete e sem visor, podendo ver seus rostos encarando à sua frente.]

Então, acho que qualquer um que teve a oportunidade de crescer assistindo à TV Globinho deve se lembrar da memorável série de Power Rangers. Hoje em dia se vê a imagem dos rangers usada muito como meme, mas esses heróis que morfam já fizeram parte de muitas manhãs e tardes da infância de muita gente e inclusive continuam fazendo. As séries não acabaram e foi lançado um longa metragem novinho em folha. Hoje, venho aqui falar o que eu achei do filme – visto que eu sou uma dessas pessoas que cresceu assistindo Power Rangers na infância, e minhas brincadeiras de faz de conta preferidas eram as de aventuras como Ranger da Força Animal – além de ter acompanhado muitos morfamentos, tem um detalhe específico que eu sempre costumo falar sobre, questionar e discutir: representatividade.

Já vou avisando que esse post é LONGO, o mais longo que já escrevi no blog até agora, mas isso tem um bom motivo: ele é completinho e explica direitinho tudo o que eu achei do filme. Power Rangers (2017) não é ruim, mas também não é excelente. Ele tentou, mas não chegou lá. Tem muita coisa boa, mas pecou em umas partes também. Explico direitinho a seguir. Não desiste desse post e aguenta firme comigo.

Olha pra ser sincera eu sou bem tranquila com isso de lançamento de novos filmes e seriados. Eu não fico fuçando e acompanhando tintim por tintim a todo momento. Se muita gente tá falando sobre, às vezes é claro, fico sabendo. Tem muita coisa que eu já tô ansiosa pro lançamento (alô Star Trek Discovery e filme do Pantera Negra!!!) mas tem coisa que eu simplesmente só acabo descobrindo quando está prestes a sair e vejo o trailer. Pois é. Power Rangers foi desse jeito. Numa dessas raras vezes que eu fui ao cinema, vi o trailer lá e muito surpresa porque um longa metragem de Power Rangers??? Com um elenco jovem e diversificado??? Como ninguém me avisou?

Continuar lendo

3 motivos para assistir Andi Mack, a nova série da Disney: de protagonistas asiáticas, drama familiar cativante à quebra de estereótipos

Como começar esse post a não ser falando que eu não sei o que dizer, apenas sentir?

andimack_ok

Hoje eu venho aqui falar um pouco sobre Andi Mack, da Disney Channel, e introduzir um pouco dessa série maravilhosa e promissora para vocês. Pode parecer um pouco estranho eu vir aqui indicar uma série da Disney, que certamente é voltada para um público mais jovem e tem uma linguagem diferente de séries da Netflix, Freeform, CW, Fox e tantas outras. Mas essa é uma série que vale a pena falar sobre, divulgar e faço com um sorriso no rosto e de coração aquecido.

Vamos começar dizendo que Andi Mack é uma série criada por Terry Minsky, o mesmo criador de Lizzie McGuire, a série pré adolescente que tinha Hilary Duff como protagonista. Lizzie McGuire fez um baita sucesso, tanto que teve até filme (já passou na ilustre Sessão da Tarde e no Corujão também). Mas esse post não é sobre ela.

Andi Mack é um spin-off de Lizzie McGuire, eles disseram. Mas a verdade é que Andi Mack tem vida e voz própria. A única coisa em comum que Andi tem com Lizzie é que ambas possuem o mesmo criador e ambas são séries teens de comédia com uma protagonista, de inicialmente, por volta dos 13 anos. Andi Mack, no entanto, está muito longe de ser uma continuação da série teen da menina loira de 13 anos e seus dramas adolescentes. Pois Andi é uma menina de 13 anos, de ascendência asiática, em uma família birracial e não convencional. É isso mesmo que você leu. O que significa que o elenco é bem diversificado e a série entrou para a lista das pequenas séries de famílias asiáticas-americanas que vem ganhando seu espaço (mesmo que ainda pequeno) na grande Hollywood (que ainda é muito branca, convenhamos).

Continuar lendo

Representatividade: Uma conversa sobre mídia, diversidade e inclusão

Como toda criança, sempre fui fascinada por histórias — tanto as que lia nos livros como as que via na TV e no cinema. Acredito que todas elas contribuíram de alguma forma, por menor que seja, para formar a pessoa que sou hoje. E sei que milhares de pessoas diriam o mesmo sobre o impacto da ficção em suas vidas. Assim, o que quero discutir hoje no blog é o modo como a ficção pode impactar a vida de todas as pessoas, mesmo aquelas que não estão tão intensamente envolvidas com esse universo, e a importância de termos histórias mais inclusivas que reflitam a realidade do mundo em que vivemos. Em outras palavras, a importância da representatividade na ficção.

Rep18

[Descrição da imagem: Montagem com alguns personagens de filmes e séries de TV. Da esquerda para a direita: Korra, do desenho A Lenda de Korra; Kelly e Yorkie, da série Black Mirror; Wil e Vivian, do filme Saving Face; e Chiron, do filme Moonlight – Sob a Luz do Luar]

Continuar lendo

10 Recomendações de Leituras YA

O Pavê, ainda bem, nunca prometeu ser neutro. Então não é surpreendente que para o dia de hoje, foi muito difícil pensar num post para escrever. Caso você tenha saído do planeta nas últimas 24hrs, sim, estamos falando sobre Trump ganhar as eleições presidenciais dos EUA.

Foi um ano no qual o conservadorismo ao redor do mundo teve um crescimento muito grande. Chame do que quiser, tente analisar o fato, mas o fato é que o conservadorismo tem estourado, não só aqui no Brasil (com a onda cega de antipetismo), mas na Europa e nos Estados Unidos também.

Principalmente para nós, jovens, sinto que é uma coisa difícil de encarar. Muitos de nós brigamos com a família por causa desses valores. Eu mesma vivo me metendo nessa encrenca, porque sim, temos famílias conservadoras. Mas é aquele ditado: se nós não formos abrir a boca, quem vai?

É importante não ficar em silêncio. O silêncio fica do lado do opressor. Então precisamos fazer barulho, falar alto, argumentar. O silêncio não muda a nossa realidade, mas nossas vozes sim. Continuar lendo