O quebra-cabeça de A longa viagem a um pequeno planeta hostil e a beleza de sua lição final

a longa viagem a um pequeno planeta hostilSemana passada eu falei de Vejo você no espaço, um livro infantil sobre esperança e força e como o espaço sideral entra no meio disso tudo. Mantendo a temática, hoje eu falo sobre A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil, uma space opera pra quem gosta de séries como Parks and Recreation e Brooklyn Nine Nine e ficção científica! Achou a combinação meio louca? Então espera pra saber mais sobre o livro!

A Longa Viagem acompanha a tripulação do Wayfarer, uma nave que abre buracos no espaço sideral para diminuir a distância entre dois pontos em específico, e essa é a premissa do livro. A princípio, pode parecer meio bobo, mas a beleza desse livro está justamente na construção dos personagens e na relação entre eles – o que torna tudo ainda melhor. Continuar lendo

Aprendendo a ser forte com crianças e foguetes: A beleza e inocência de Vejo você no espaço

vejo você no espaço

De vez em quando, gosto de pegar livros infantis pra ler e passar o tempo. É divertido poder voltar, pelo menos por um tempinho, lá pros dez, onze, doze anos e ver como as crianças dessa idade lidam com o mundo e com os seus mistérios. Eu sempre me surpreendo com o quanto a gente pode aprender com esses personagens e com Vejo você no espaço, do Jack Cheng (publicado aqui no Brasil pela Intrínseca), não foi diferente.

Peguei esse livro pra ler porque a capa era bonita e porque, de uns tempos pra cá, ando me interessando por ficção científica e astronomia e essas coisas todas (O último livro que eu li nessa linha foi justamente A longa viagem a um pequeno planeta hostil, da Becky Chambers, publicado aqui no Brasil pela Darkside – e até agora não consegui superar). E também porque parecia um livro infantil divertido com um protagonista não branco, descendente de filipinos.

Qual foi minha surpresa quando abri a primeira página e me deparei com um texto inteiro escrito em forma de gravação. Vejo você no espaço nada mais é do que a junção de todas as gravações que Alex Petroski, um garoto de 11 anos, faz em seu iPod de Ouro contando suas aventuras em um acampamento para fãs de astronomia e as consequências dessa viagem. Continuar lendo

Todo o amor de Queer Eye

No começo do mês, a Netflix lançou uma nova versão do reality show Queer Eye. Um reboot de Queer Eye for the Straight Eye, lá do comecinho dos anos 2000, o programa nos apresenta cinco caras gays, cada um com uma especialidade diferente, que vão ajudar oito homens a dar um jeito em todos os aspectos de suas vidas. Sabe todos aqueles programas de reforma do Discovery Home & Health e GNT? Então, é uma mistura disso tudo – mas melhor.

Eu estava um pouco com preguiça de assistir, confesso, mas quando o final de semana chegou e não tinha mais nada pra fazer, resolvi dar uma chance pro programa. E acabei largada no sofá sem saber lidar com tanto AMOR antes mesmo do primeiro episódio acabar.

queer eye 3

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Literatura assexual pra quando bater a bad (ou pra qualquer hora, de verdade)

literatura ace

Nessa última semana, saiu a notícia de que a homossexualidade de Alvo Dumbledore não vai estar presente no próximo filme de Animais Fantásticos e Onde Habitam. Fãs ficaram indignados, o que é esperado, e J.K. Rowling recorreu ao Twitter para defender o filme  e suas escolhas. Verdade seja dita, eu não dei muita atenção ao que a autora de uma das sagas que eu mais amo no mundo tinha a falar. Já faz um tempo que Rowling vem dando bola fora atrás de bola fora quando o assunto é Harry Potter. Ela defender que Dumbledore ser um homem gay não é importante pro plot (quando lembramos que ele vai enfrentar o homem por quem era apaixonado na adolescência) é só mais um erro numa fila que só cresce.

No meio disso tudo, algumas pessoas vieram perguntar “por que colocar sexualidade em um filme para crianças?“. Bom, resumidamente, porque ela já está lá desde o começo. Nessa sequência de tweets da Tristina Wright (em inglês), ela explica como a heterossexualidade está presente desde o primeiro capítulo do primeiro livro, quando Rowling nos apresenta os tios casados de Harry, e não para mais. Todos os casais de Harry Potter são héteros e o único personagem gay só foi descoberto gay anos depois da publicação dos livros. É engraçado (pra não dizer dolorido) pensar que as pessoas veem relacionamentos só como sexo.

Engraçado (dolorido) porque, no fim das contas, nossa sociedade é assim. Sexo é e sempre foi o padrão quando pensamos em relacionamentos, principalmente relacionamentos não héteros. Imagina o que isso não faz com a cabeça de alguém que não sente atração sexual por ninguém. Imagina como é ser assexual em uma sociedade que lê “Dumbledore é gay” e já sai gritando que isso não pode aparecer nos filmes, filmes que focam nele e no homem por quem ele era apaixonado, porque esses são filmes infantis.

Quando todo mundo foca em sexo, ser assexual machuca.

E é por isso que é tão importante ter livros e filmes e séries com personagens assexuais. Já falei sobre isso aqui no Pavê ao apresentar Sirens. Acontece que a Voodoo é uma personagem secundária e, apesar dela ter bastante espaço dentro da série, o foco não é ela. Mas isso não é motivo para se desanimar porque Tash e Tolstói e Garotas Mágicas Super Natalinas existem (e eu prometo que vou tentar segurar os spoilers, viu?). Continuar lendo

Deus Salve o Rei: Expectativa x Realidade na nova novela da Globo

deus salve o rei

Semana passada, a Globo estreou a mais nova novela das 19h, Deus Salve o Rei. Inspirada na era medieval, a novela na verdade não se prende a nenhum período ou reino real, o que dá uma liberdade enorme para todo mundo envolvido na sua criação – é só dar uma olhada nos vestidos esvoaçantes da princesa Catarina, personagem da Bruna Marquezine, pra ter uma ideia.

Em época de Game of Thrones, era esperado que muita gente gritasse que a inspiração veio da série famosona da HBO e que a Globo estava é querendo chamar a atenção desse público fazendo uma versão brasileira, mas foi só assistir o primeiro capítulo pra ver que as semelhanças eram poucas. O que, particularmente, me deixou meio aliviada. Em parte porque eu nunca cai no hype de GoT. Em parte porque eu li a trilogia sobre o rei Artur do Bernard Cornwell em uma época formativa da minha adolescência e depois me afundei ainda mais nesse buraco quando me apaixonei pela reinvenção do medievalismo literário no sertão brasileiro em Grande Sertão Veredas (juro que não estou ficando louca).

E, por fim (e principalmente), porque eu queria uma coisa bem brasileira, bem nossa, e uma novela das sete seria perfeita para nos dar exatamente isso.

Só que não foi bem o que aconteceu. Continuar lendo

Procurando contos de Natal bem brasileiros e com personagens LGBTQ+? Que tal Todas as cores de Natal?

todas as cores do natal

Não é novidade que eu adoro ler contos de autores independentes – e falar sobre eles. Aqui no blog, já resenhei história de terrorde romance contemporâneo e com personagens do nosso folclore, e tô sempre procurando outros tantos pra conhecer novos autores ou só pra ter algo pra ler quando aquela preguiça de começar um livro novo bate. Então não é nem novidade que eu ia ficar ANIMADA quando a Página 7 anunciou, no começo do mês, a coletânea Todas as cores do Natal, com cinco autores escrevendo histórias bem brasileiras, bem natalinas e, claro, cheias de representatividade!!

A proposta da coletânea é, justamente, apresentar histórias com personagens LGBTQ+ (o que a gente já vê direto na capa, lindona!), indo desde amigos secretos no curso de inglês a garotas mágicas e sereias. E, olha, já fica o aviso – as chances de você chorar lendo cada continho são altas. Eu mesma chorei em pelo menos dois deles. Ficou curioso? Então vem ler mais! Continuar lendo

3 jogos de celular pra morrer de fofura

joguinhos mobile

Antes de começar esse post, eu preciso fazer uma confissão: eu sempre fui péssima com video games. Meu irmão, apaixonado por Assassin’s Creed e game plays de vinte mil horas, até que tentou. Várias vezes. Mas eu sempre fui terrível. Nunca tive coordenação motora ou paciência pra tentar aprender. Quando meus amigos inventavam de jogar Mario Kart, eu era a trouxa que virava o carro pro lado errado e travava na primeira curva.

Até que eu descobri o mundo dos joguinhos de celular. E fiquei meio viciada. Parando pra pensar, um dos primeiros que me prendeu de verdade foi nada mais nada menos do que o famoso Kim Kardashian: Hollywood, com todas as suas roupas, trabalhos de modelo, casas pra comprar e decorar e tudo mais. Até que eu cansei e larguei. Mas a semente ficou plantada lá.

Desde então, joguei um ou outro jogo, me aventurei com Dream Daddy no notebook e nunca larguei Neopets de verdade, mas então Pokemon Go chegou no Brasil e eu voltei pro buraco. Então, no post de hoje, vou apresentar mais três joguinhos pra passar o tempo, admirar a fofura e destruir a bateria do seu celular! :’)

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