Quando Tudo Faz Sentido é uma história sobre suicídio para suicidas

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Liz Emerson tem dezessete anos, ela é bonita, popular e acabou de se atirar com seu carro de um penhasco. O que torna essa história diferente das várias outras histórias sobre suicídio? Ao contrário da maioria dos livros que falam sobre suicídio, Quando Tudo Faz Sentido, da Amy Zhang, é um livro para pessoas suicidas. O livro foi publicado no Brasil recentemente pela editora Rocco.

O que eu quis dizer com essa afirmação aparentemente óbvia? Pense no último grande fenômeno que trata o assunto, Os Treze Porquês. Tanto a série quanto o livro tratam o suicídio de forma crua e sem sensibilidade, tentam convencer o leitor, ou espectador, de que nunca sabemos como nossas atitudes podem influenciar uma pessoa, e que qualquer um ao nosso redor pode estar enfrentando a depressão, os pensamentos suicidas. A maioria das histórias sobre suicídio apela para a culpa ou sofrimento daqueles que sobrevivem. O que por si só não é inválido, mas e se você for suicida?

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O Rapaz e o Monstro é uma história sobre família e humanidade

Eu já falei sobre duas animações do Mamoru Hosoda nesse post e prometi que em breve falaríamos também sobre os outros filmes do diretor e, como prometido, hoje vamos falar sobre O Rapaz e o Monstro (The Boy and the Monster), o longa mais recente do diretor, que estreou no Japão em 2015, e conta a história de Kyuta, um menino órfão que vai parar em um mundo paralelo habitado por monstros, e acaba virando o pupilo de Kumatetso, um dos mestres em artes marciais que é renegado pelos outros monstros. Juntos, eles aprendem que as diferenças são boas e que nem todas as famílias são tradicionais.

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Três bons motivos pra ler a duologia “A Fúria e a Aurora”

A Fúria e a Aurora é o primeiro livro de uma duologia e é também um reconto das Mil e Uma Noites. Escrito pela Renée Ahdieh, e publicado no Brasil em 2016 pela Globo Alt, um selo da editora Globo Livros, o segundo livro, A Rosa e a Adaga, é previsto ainda para esse ano. Nesse post vamos te dar três motivos para dar uma chance pra essa história.

Nessa história, o califa de Korasan, Khalid, mata suas esposas a cada amanhacer. Quando a melhor amiga de Sherazade é assassinada pelo rei, ela trama sua vingança e se oferece como noiva esperando pela chance de vingar a morte de sua amiga. Logo na primeira noite, Sherazade, ou Shazi, envolve o rei com uma história e, prometendo terminar de contá-la na noite seguinte, ela consegue para si mesma mais um dia de vida. Enquanto ela tenta sobreviver e busca uma oportunidade de matar Khalid, Sherazade acaba percebendo que há mais segredos do que ela imaginava por trás dos assassinatos.

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Descrição da imagem: Capas nacionais. A primeira em azul, com sombras de um palácio e alguns camelos, e a segunda em rosa, com a silhueta de uma mulher e um palácio a fundo.

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Três bons motivos pra ler A Trilogia do Vencedor

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Capas das edições americanas

A Trilogia do Vencedor, ou The Winner’s Trilogy, da Marie Rutkoski, terminou de ser lançada nos Estados Unidos em 2016 e já tem dois de seus três livros publicados aqui no Brasil. “The Winner’s Curse” e “The Winner’s Crime” foram lançados como “A Maldição do Vencedor” e “O Crime do Vencedor”. Já o terceiro e último livro, “The Winner’s Kiss”, tem publicação aguardada ainda para o primeiro semestre de 2017 e será lançado como “O Beijo do Vencedor”. Essa é uma série de fantasia sem sistema de magia, em que a trama se baseia no romance entre um escravo e sua dona e em conflitos políticos entre seus dois povos.

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Pavê Mix: Jane Austen

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Jane Austen nasceu em 16 de Dezembro de 1775, há exatos 241 anos. Ela foi, e ainda é, uma das mulheres mais importantes da literatura. Suas obras criticaram abertamente a sociedade em que ela viveu; suas protagonistas irônicas e de personalidades fortes mostraram que as mulheres podem ser inteligentes, independentes e donas de si. Tudo isso em uma época em que poucas delas podiam ousar escrever.

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Dois filmes de Mamoru Hosoda

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Mamoru Hosoda é um diretor de animações que caiu nas graças do público – e dos estúdios – por produções como One Piece e Digimon. Ele trabalhou em grandes estúdios como a Madhouse e a Toei Animation. Hosoda até mesmo foi contratado pelo Estúdio Ghibli para trabalhar na produção de Howl’s Moving Castle, mas não chegou a participar efetivamente da produção do longa por não apresentar um conceito de arte aprovado pelos produtores. Na verdade isso não surpreende, já que o estilo das animações do diretor não são nem um pouco parecidos com aqueles apresentado pelo estúdio. Apesar da falta de compatibilidade de estilo com o Estúdio Ghibli, Hosoda ainda é um dos diretores mais competentes da atualidade, ele é também o responsável por algumas das minhas animações favoritas.

Apesar de ter assistido Digimon e One Piece quando eu era criança, eu só entrei em contato com os filmes dele de verdade quando uma amiga me indicou uma das animações preferidas dela, Guerras de Verão (2009). Depois disso eu acabei assistindo A Garota Que Conquistou o Tempo (2006) e As Crianças Lobo (2012). Decidi ficar de olho em qualquer eventual produção de Hosoda e, recentemente ele lançou o longa de animação O Rapaz e o Monstro (2015) que mostrou-se tão maravilhoso quanto os demais filmes do diretor.

Cada uma dessas animações me encantou de maneira diferente, mas com algo incomum: os personagens complexos, as relações bem desenvolvidas, as tramas envolventes e dinâmicas, e a arte encantadora. O trabalho do Hosoda é tão encantador que nós não poderíamos deixar de falar dele aqui no Pavê. Mas esse post é apenas sobre os dois primeiros filmes citados, A Garota Que Conquistou o Tempo e Guerras de Verão. Mas não se desespere, pequeno gafanhoto, ainda pretendemos escrever um post para os outros dois.

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Descendants of the Sun, ou porque você deveria dar uma chance aos doramas

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Você sabe o que é dorama? Doramas são séries ou novelas asiáticas (é possível encontrar produções japonesas, chinesas, tailandesas e sul coreanas). Com normalmente apenas uma temporada, os doramas costumam misturar romance, drama e comédia. Posso adiantar que algumas histórias são bem melosinhas e alguns enredos são bem trabalhados nos clichês. Isso acaba tornando os doramas de comédia bastante divertidos — os clichês dos quais a gente normalmente foge são retratados em uma cultura bem diferente da nossa. Ainda assim, alguns doramas abordam histórias mais pesadas, com maior carga dramática. Outra coisa que eu gosto é a expressividade marcada dos personagens, e essa é uma característica muito presente nas atuações nos doramas. Desde a entonação das vozes até as expressões faciais, tudo é muito expressivo (se você já assistiu algum anime com o áudio no idioma original, é provável que já tenha reparado nisso).

Claro que tem outros motivos pra gostar de dorama: tem gente que assiste pelo romance, que é praticamente regra nesse gênero, presente em praticamente todos eles. Além disso, o humor é muito diferente do qual nós estamos acostumados, não é comum ver temas sérios serem tratados de forma leviana e virarem piada ou motivo de deboche (como é normal em vários programas ocidentais). Os doramas também costumam ser bem conservadores, então nada de cenas muito fortes, mesmo quando tratam de temas mais pesados. Além disso, assim como nas nossas novelas, quando assistimos doramas às vezes podemos nos deparar com falas que parecem machistas, mas ainda assim muitas vezes vemos mulheres retradas como profissionais competentes, independentes e seguras de si, que tem amizade com outras mulheres e que se apoiam.

Já faz tempo que eu tenho vontade de fazer uma lista de indicações de doramas, mas sempre tenho receio, porque sei que esse é o tipo de conteúdo que ou você ama ou odeia, então eu morro de medo de não indicar os melhores e fazer alguém estigmatizar esses programas por ter tido uma primeira impressão ruim. Mas isso acabou depois de assistir Descendants of the Sun, porque esse é um título que eu posso indicar sem medo pra qualquer pessoa. Além disso, esse é, de longe, o melhor dorama que eu já vi.

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