A amizade feminina em A Amiga Genial

Você provavelmente já ouviu falar da Elena Ferrante, a autora italiana cujo nome tem borbulhado internet afora por mil motivos. Seja figurando projetos como o #LeiaMaisMulheres do Modices e derivados (sempre extremamente pertinentes) ou em resenhas sobre suas obras ou até mesmo em matérias sobre seu anonimato, o nome de Ferrante tem tanta força que a febre já tem até nome: a Ferrante Fever.

O que faz Elena Ferrante e seus livros tão comentados? Pode até ter gente mundo afora querendo colocar o motivo disso tudo na escolha da autora de se manter afastada dos holofotes e usar um pseudônimo e nas consequentes tentativas de jornalistas (cuja moral não discutirei aqui) de descobrir sua verdadeira identidade. Mas quem diz isso provavelmente nunca pegou um livro de Ferrante nas mãos e leu uma frase que seja.

L’Amica Geniale, ou A Amiga Genial, aqui no Brasil, é o primeiro livro da tetralogia de mesmo nome que trouxe tanta fama (nacional e internacional) para a autora italiana. Narrada em primeira pessoa por Lenu, a história acompanha sua infância crescendo em uma área pobre de Nápoles juntamente com Raffaella Cerullo, a Lila, e as outras crianças do bairro. Cada livro acompanha uma fase da vida dessas pessoas, dos primeiros anos à maturidade, quando Lila desaparece sem deixar vestígios e, mesmo sendo narrado quando a própria Lenu já é, ela também, uma mulher de mais de sessenta anos, há tantos detalhes e tanta sinceridade nas palavras da narradora que é difícil não se sentir tragada por sua narrativa.

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