Os encantos e lágrimas em O Rei do Show

O filme O Rei do Show (ou The Greatest Showman), dirigido por Michael Gracey, é daqueles exemplos perfeitos da possibilidade de se deliciar com algo quando suas expectativas estão baixas. Ao ver o trailer da obra, esperava que iria me divertir com o estilo musical e uma história cheia daqueles clichês melodramáticos feitos para nos obrigar a chorar. Eu realmente tive o que esperava, mas ainda mais.

A história é baseada na vida de P. T. Barnum, que ficou conhecido por apresentar ao seu público coisas inusitadas, fossem pessoas consideradas “excêntricas” ou “bizarras”, fosse um fóssil de um gigante. Também pode-se atribuir a ele a existência do circo moderno. Muitas vezes as curiosidades apresentadas por Barnum eram meras ilusões, o que não impedia que as pessoas se divertissem e fossem entretidas, debate que é citado diversas vezes durante o filme.

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Deidra & Laney Assaltam Um Trem: uma sessão da tarde mas nem tanto

Deidra e Laney Assaltam um Trem 1

O filme Deidra e Laney Assaltam Um Trem (dirigido por Sidney Freeland) chama atenção já de cara pelo seu título, no mínimo, inusitado. Você poderia esperar algo do tipo num típico filme “sessão da tarde”, mas no âmbito de filmes “independentes” que têm sido apresentados como originais Netflix na plataforma de streaming, acaba por se destacar.

A forma como a narrativa é estabelecida, em tom de comédia, e até mesmo a própria história simples bem que poderia encaixar esse filme facilmente numa sessão da tarde. No entanto, temos que o fato de evitar ou de subverter clichês já o diferencia. A situação apresentada é a de um momento caótico na vida de Deidra e Laney Tanner (respectivamente Ashleigh Murray e Rachel Crow, ambas estreantes em filme de maior destaque), quando a mãe das duas é presa por ter um momento de estresse que a leva a quebrar objetos da loja onde trabalha. Assim, ambas precisam lidar com as contas, o cuidado com o irmão mais novo Jet, a fiança e defesa da mãe, além de todos os problemas mais “comuns”, como a entrada na universidade e o mundo “selvagem” do ensino médio.
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The Path: as dores e perdas de amadurecer

The Path 1

Na Sexta Livre de hoje trazemos mais um post do universo dos games e mais uma coisinha especial: um convidado escrevendo sobre! Joris veio trazer um pouco das suas impressões sobre o jogo The Path, para que trilhassemos juntos essa jornada.

Enfrentar pela primeira vez o significado da morte. Levar “rasteiras” de pessoas que confiávamos e resolvem nos trair. Lidar verdadeiramente com o sexo, com o qual apenas enxergávamos sob uma aura misteriosa e ao mesmo tempo atraente. Descobrir que há coisas terríveis sobre nós mesmo, características que não gostaríamos de possuir. Tantas e tantas experiências que nos traumatizam. E nos fazem crescer.

Crescer é aterrorizante.

Crescer significa questionar o que os seus pais, familiares e professores te ensinam que é certo desde que você é pequeno. Crescer significa também saber que as respostas estão a nosso alcance, apenas esperando para serem descobertas, mas para que façamos isso, nós precisamos sair da Trilha.

Precisamos sair do caminho que nos ensinam ser o mais seguro e correto para explorar os lugares estranhos e misteriosos, onde se escondem sentimentos e desejos novos. O ato de explorá-los é assustador e desorientador, mas nós precisamos fazer isso porque se continuarmos na Trilha e nunca explorarmos a floresta escura e estes sentimentos, nós jamais saberemos nada sobre a vida e sobre nós mesmos.  Viveremos uma mera projeção da Trilha que traçaram para nós.

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The Handmaid’s Tale: uma aula de opressões em nossa sociedade

The Handmaid's Tale 1

O texto de hoje acabou sendo a quase estreia dos posts do nosso amado Pavê Trevoso, sendo o primeiro após a postagem de apresentação. Entretanto, não trata de algo que convencionalmente poderíamos associar a essa época do Halloween, mas elaborei alguns bons motivos para que isso não seja um problema! Apesar de estar escrevendo sobre o tema por estar devendo esse texto para o blog há um tempo e porque não lido muito bem com as mídias convencionais “trevosas”, podemos considerar que a série abordada tem um certo clima de suspense e, principalmente, ela aborda algo que é pra por medo mais do que qualquer palhaço assassino: o patriarcado e suas consequências na vida de mulheres e outros grupos marginalizados. E é principalmente a partir dessa perspectiva que irei abordar a obra.

Já se escreveu bastante coisa sobre a série The Handmaid’s Tale e após a lavada de prêmios no Emmy 2017 (premiação voltada para programas de televisão) não há muitas dúvidas sobre a qualidade do seriado, que concorreu pela sua primeira temporada. A série foi baseada no livro O Conto de Aia (homônimo, em inglês), de Margaret Atwood e encomendada pelo serviço Hulu (uma espécie de Netflix). Mas para além da grande qualidade técnica, já bem reconhecida nas premiações, o que tanto de bom The Handmaid’s Tale tem a nos oferecer?

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Livro “Eu, Robô” e seus dilemas éticos

Eu, Robô - Aleph

[Descrição da imagem: Está apresentada a cabeça de um robô, cortada, focando nos seus olhos.]

Comecei a ler Eu, Robô a partir da ideia de enveredar no universo construído por Isaac Asimov, grande nome tanto da literatura no geral quanto no gênero ficção científica. Procurei em alguns sites sobre como seria a melhor ordem de leitura para tanto e essa obra é indicada como uma boa introdução.

O livro é um dos principais clássicos da ficção científica, sendo formado por nove contos que se entrelaçam através de alguns aspectos e personagens em comum, mantendo uma coesão entre si. As histórias de cada conto são contadas por Susan Calvin, ou dra. Calvin, psicóloga roboticista, sendo entrevistada já quase no fim da vida.

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11 motivos para vibrar com o financiamento coletivo

Apoios coletivos, crowdfundings, vaquinhas online, etc. São todos nomes que vêm se tornado mais correntes na cena da produção cultural, entre outros âmbitos. Apesar de não ser nenhuma especialista no assunto, decidi abordar, nessa sexta livre-leve-e-solta– doida pra beijar na boca, um pouquinho das minhas experiências positivas com os financiamentos coletivos na internet enquanto consumidora (já que nunca fui responsável por criar algum projeto do tipo).

A ideia básica dos financiamentos coletivos é muito simples. Aquela velha vaquinha que faz dar certo o churrasco, o aniversário surpresa das amigas, a produção de um zine caseiro por um grupo de estudantes, entre outras coisas, só que elevada a uma coletividade bem maior e com projetos bem mais ambiciosos. No âmbito do financiamento coletivo online, no lugar do churrasco temos o início de uma empresa, do aniversário temos uma tecnologia inovadora, da zine caseira temos uma série de quadrinhos. As possibilidades de uso do financiamento coletivo são imensas. E o melhor: dão certo.

Acredito que essa modalidade abriu muitas portas para diversas produções culturais que provavelmente não conseguiriam outra forma de patrocínio. O mercado, no geral, não é essa coisa tão bonita que dá oportunidades para todos se realmente se esforçarem, oferece diversas opções para todo tipo de consumidor ou coisa do tipo.

Na realidade, focando aqui no debate de cultura, o mercado é extremamente excludente. Afinal, vai procurar lucrar com a cultura e, quando se quer lucrar, se procura aquilo que é mais seguro, ou seja, o que reproduza o status quo. Então são deixadas de lado produções diferentes, mais preocupadas com a diversidade, a representatividade, com estilos mais questionadores e críticos, ou mesmo produções que não sejam tão diferentes do comum mas que sejam realizadas por sujeitos marginalizados por seu gênero, raça, região, classe e afins.

Nesse sentido, acredito que a tal da vaquinha online pode driblar essas preferências “lucrativas” e proporcionar que outros tipos de produções culturais sejam bem sucedidos. Claro que nem todos os financiamentos que dão certo são assim tão descolados e legais, mas muitos o são e é isso que temos que valorizar.

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#desafiopave: O Enterro das Minhas Ex

#desafiopave - O Enterro das Minhas Ex 1

[Descrição da imagem]: Parte da capa do quadrinho, com o nome da autora acima, Gauthier, e centralmente o título da obra, O Enterro das Minhas Ex, tendo ao redor algumas folhas caindo.

Acompanhar uma parte da vida de Charlotte foi uma experiência breve e deliciosa, proporcionada por O Enterro das Minhas Ex. Entre a protagonsita e eu, identifiquei algumas coisas em comum, um dos motivos que fez a leitura desse quadrinho ter sido tão agradável. A história, da autora Anne-Charlotte Gauthier (com tradução de Fernando Scheibe e publicada pela Editora Nemo), trata do crescimento e amadurecimento de Charlotte, utilizando para tal seus encontros com meninas que foram paixonites, crushs, amores da vida etc.

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