A temporada de premiações e os mesmos problemas de sempre

Chega essa época do ano e muita gente só consegue pensar em uma coisa: temporada de premiações. Esses primeiros meses são marcados pela presença de muitas cerimônias de premiações, principalmente cinematográficas. Pra quem é apaixonado por cinema, esse é o momento perfeito pra olhar as listas de indicados e fazer aquela maratona maluca. Por muito tempo eu fui uma dessas pessoas, mas estamos em 2018 e é muito cansativo ignorar todos os problemas. Vamos conversar um pouco sobre isso?

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Sonhos que ganhei: uma coletânea de espírito natalino

Falta exatamente uma semana para o Natal e dá pra sentir que o clima natalino dominou todos os lugares, não importa por onde você ande. Algumas pessoas esperam o ano todo para poder decorar a casa, comprar presentes e preparar uma ceia farta; outras, torcem para que o mês de Dezembro passe logo e leve todas as guirlandas e músicas natalinas com ele. Para os que amam e para os que odeiam o Natal, a coletânea Sonhos que ganhei, de Solaine Chioro, é a companhia perfeita nessas festas de fim de ano.

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[#PraCegoVer: Ao fundo, está uma árvore de Natal com diversos enfeites vermelhos com detalhes dourados, e no primeiro plano, vê-se um Kindle mostrando a capa de um ebook onde se lê ‘Sonhos que ganhei – Solaine Chioro’.]

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Dia de domingo: uma história sobre descobertas

Quando tenho um post de palê para fazer sempre me bate uma dúvida e culpa terrível: nunca sei sobre o que escrever e também fico me sentindo mal por não estar lendo tantos livros — apesar de estar quase batendo a minha meta anual de leitura no Goodreads.

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[Descrição da imagem: Sob um fundo branco, é possível ver um Kindle que mostra uma tela que lê “Dia de Domingo. Olívia Pilar.”]

Com a correria do dia a dia vai ficando cada vez mais difícil ler, principalmente aqueles livros grandes, com mais de 300 páginas, que estão lotando as minhas estantes. Para não perder o hábito da leitura comecei a investir em contos; e hoje quero compartilhar a minha mais nova descoberta, um conto que em poucas páginas aqueceu o meu coração e me fez refletir bastante. O post de hoje é sobre Dia de domingo, de Olívia Pilar.

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[Resenha] Cada Um na Sua Casa (Home, 2015)

 

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Aproveitando a deixa da chegada da primavera e dias de muito céu azul e sol radiante, hoje venho aqui indicar uma animação vibrante, leve, cheia de aventuras e com muito coração. Mas mais do que apenas um bom entretenimento, Cada Um na Sua Casa é um dos poucos longas metragens de animação com uma protagonista negra e esse é um dos principais motivos que me levaram a assistir ao filme e também a vir falar dele aqui no Pavê.

Caso você não tenha visto, eu falei um pouco sobre representatividade na área de animação nesse post aqui e, naquele post, me concentrei em falar sobre curtas. Mas e os longas? Sabemos o quanto representatividade é algo muito necessário e que precisa melhorar e muito, não deixamos de repetir isso sempre. Mas e quanto ao que já foi e está sendo feito? Aposto que se discutirmos sobre a escassez de personagens diversos e representatividade em animação, e nesse caso específico de longas metragens, quem está ligado nos últimos filmes vai comentar: Mas Larissa, e o filme Cada Um na Sua Casa, de 2015, com uma protagonista negra? Pois então! O holofote hoje é dele mesmo.

Quantos filmes de animação com protagonistas negras você já assistiu? Deve dar pra contar em metade de uma mão. E os de grandes estúdios então? Apesar da escassez, é algo que aos poucos está mudando. No mesmo post sobre Os Heróis de Sanjay comentei sobre uma produção em andamento. Cada Um na Sua Casa faz parte dessa pequena porcentagem e, devo admitir, tinha baixíssimas expectativas; mas o filme acabou me cativando e surpreendendo.

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O poder dos curtas e representatividade em animação com Os Herois de Sanjay

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Falamos muito sobre representatividade e diversidade na mídia com elenco de pessoas reais, mas e na animação? Talvez alguns estranhem eu falar disso aqui porque afinal olha só os últimos filmes que saíram, Moana, Zootopia, as princesas da Disney não brancas clássicas e as últimas mais novas, olha Festa no Céu e Kubo e as Cordas Mágicas! Festa no Céu é realmente bom e principalmente incrível e rico na produção cultural e visual, diferentemente do que eu acho de Kubo. Mas enfim, a questão é que temos mais filmes de animais – que nem sempre são bem executados, principalmente quando usam o comparativo de diversidade de animais com diversade de raça e etnia – do que de crianças e pessoas não brancas, lgbt+, com deficiência na tela dos grandes filmes de animação. Essa falta de representação se sente, principalmente com as crianças, em que se ver na tela pode mudar a percepção e a força que você tem em relação à si mesmo; assim como gerar empatia. E é visível que queremos sim, representatividade. Não è à toa que Estrelas Além do Tempo foi sucesso de bilheteria, que há milhares de meninas que puderam se ver na Moana e se sentirem representadas, que Mulher Maravilha quebrou recorde de faturamento porque queremos ver mais heroínas salvando o dia.

O número de protagonistas não brancos nos longas de animação não é muito grande. E eu ainda tenho a constante sensação de que é menor ainda do que em produções live-action, com pessoas atuando. A Disney tenta, mas nem sempre é feliz. Pocahontas é uma versão romantizada e completamente distorcida da história original. Temos A Princesa e o Sapo e apenas uma, uma protagonista negra entre milhares de protagonistas brancas da Disney. E é aquilo, quanto mais personagens e mais pontos de vista diferentes, mais chance de desenvolver diferentes vivências, personalidades, dar dimensão e realmente conseguir trazer diversidade com representação na tela. Apenas uma visão não é o suficiente, não basta apenas uma versão, queremos muitas histórias e mais personagens não brancos sendo o centro da narrativa, não apenas o personagem engraçadinho, o melhor amigo, o de participação especial.

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Power Rangers (2017): Representativo? Pera lá! Um rant sobre protagonismo branco e representatividade no mundo dos heróis

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[Descrição de Imagem: Os cinco rangers de perfil e lado a lado, do busto para cima, com a armadura de power ranger, de capacete e sem visor, podendo ver seus rostos encarando à sua frente.]

Então, acho que qualquer um que teve a oportunidade de crescer assistindo à TV Globinho deve se lembrar da memorável série de Power Rangers. Hoje em dia se vê a imagem dos rangers usada muito como meme, mas esses heróis que morfam já fizeram parte de muitas manhãs e tardes da infância de muita gente e inclusive continuam fazendo. As séries não acabaram e foi lançado um longa metragem novinho em folha. Hoje, venho aqui falar o que eu achei do filme – visto que eu sou uma dessas pessoas que cresceu assistindo Power Rangers na infância, e minhas brincadeiras de faz de conta preferidas eram as de aventuras como Ranger da Força Animal – além de ter acompanhado muitos morfamentos, tem um detalhe específico que eu sempre costumo falar sobre, questionar e discutir: representatividade.

Já vou avisando que esse post é LONGO, o mais longo que já escrevi no blog até agora, mas isso tem um bom motivo: ele é completinho e explica direitinho tudo o que eu achei do filme. Power Rangers (2017) não é ruim, mas também não é excelente. Ele tentou, mas não chegou lá. Tem muita coisa boa, mas pecou em umas partes também. Explico direitinho a seguir. Não desiste desse post e aguenta firme comigo.

Olha pra ser sincera eu sou bem tranquila com isso de lançamento de novos filmes e seriados. Eu não fico fuçando e acompanhando tintim por tintim a todo momento. Se muita gente tá falando sobre, às vezes é claro, fico sabendo. Tem muita coisa que eu já tô ansiosa pro lançamento (alô Star Trek Discovery e filme do Pantera Negra!!!) mas tem coisa que eu simplesmente só acabo descobrindo quando está prestes a sair e vejo o trailer. Pois é. Power Rangers foi desse jeito. Numa dessas raras vezes que eu fui ao cinema, vi o trailer lá e muito surpresa porque um longa metragem de Power Rangers??? Com um elenco jovem e diversificado??? Como ninguém me avisou?

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A representatividade assexual em Sirens (e por que ela é tão importante)

Alguns anos atrás, descobri uma série nova no Tumblr. Até então, nada de novo. Boa parte das séries e desenhos que eu assisti nos últimos anos foram recomendações das pessoas que eu seguia no site. Cada uma me chamava a atenção por um motivo diferente, mas o motivo principal acabava sendo, sempre, um grande número de pessoas comentando os últimos episódios e fanarts lindos aparecendo na minha timeline (por que, né, ninguém é de ferro). Mas esse seriado em questão não era assim – pouquíssima gente falava dele e havia pouco material nas buscas. O que foi que me chamou a atenção para Sirens? Uma personagem secundária assexual e como um dos personagens principais lidou com isso depois de perceber que tinha uma quedinha por ela.

Ano passado o Paulo falou sobre assexualidade aqui no blog (o post é esse aqui e está bem completinho, pra quem tiver interesse), mas, só pra recapitular, assexualidade é uma orientação sexual (é o A no final do LGBTQA que, não, não está lá para os aliados) assim como hétero, bi, homo e pan, definida pela falta de atração sexual por outras pessoas. Não é celibato e também não é uma piada engraçadinha sobre comida ou falta de qualquer coisa. É algo válido, real e que pode mexer muito com a cabeça de uma pessoa que não tem muita informação, como qualquer outra orientação. A diferença? Pouquíssimas pessoas falam sobre isso. Eu mesma demorei anos pra descobrir que assexualidade existia e havia mais gente nesse mundão que partilhava disso.

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Descrição da imagem: Voodoo, do ombro para cima, olha para alguém fora da cena. Seu cabelo loiro está preso em um rabo de cavalo e ela usa o uniforme azul marinho de paramédica.

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#desafiopave: O Enterro das Minhas Ex

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[Descrição da imagem]: Parte da capa do quadrinho, com o nome da autora acima, Gauthier, e centralmente o título da obra, O Enterro das Minhas Ex, tendo ao redor algumas folhas caindo.

Acompanhar uma parte da vida de Charlotte foi uma experiência breve e deliciosa, proporcionada por O Enterro das Minhas Ex. Entre a protagonsita e eu, identifiquei algumas coisas em comum, um dos motivos que fez a leitura desse quadrinho ter sido tão agradável. A história, da autora Anne-Charlotte Gauthier (com tradução de Fernando Scheibe e publicada pela Editora Nemo), trata do crescimento e amadurecimento de Charlotte, utilizando para tal seus encontros com meninas que foram paixonites, crushs, amores da vida etc.

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3 motivos para assistir Andi Mack, a nova série da Disney: de protagonistas asiáticas, drama familiar cativante à quebra de estereótipos

Como começar esse post a não ser falando que eu não sei o que dizer, apenas sentir?

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Hoje eu venho aqui falar um pouco sobre Andi Mack, da Disney Channel, e introduzir um pouco dessa série maravilhosa e promissora para vocês. Pode parecer um pouco estranho eu vir aqui indicar uma série da Disney, que certamente é voltada para um público mais jovem e tem uma linguagem diferente de séries da Netflix, Freeform, CW, Fox e tantas outras. Mas essa é uma série que vale a pena falar sobre, divulgar e faço com um sorriso no rosto e de coração aquecido.

Vamos começar dizendo que Andi Mack é uma série criada por Terry Minsky, o mesmo criador de Lizzie McGuire, a série pré adolescente que tinha Hilary Duff como protagonista. Lizzie McGuire fez um baita sucesso, tanto que teve até filme (já passou na ilustre Sessão da Tarde e no Corujão também). Mas esse post não é sobre ela.

Andi Mack é um spin-off de Lizzie McGuire, eles disseram. Mas a verdade é que Andi Mack tem vida e voz própria. A única coisa em comum que Andi tem com Lizzie é que ambas possuem o mesmo criador e ambas são séries teens de comédia com uma protagonista, de inicialmente, por volta dos 13 anos. Andi Mack, no entanto, está muito longe de ser uma continuação da série teen da menina loira de 13 anos e seus dramas adolescentes. Pois Andi é uma menina de 13 anos, de ascendência asiática, em uma família birracial e não convencional. É isso mesmo que você leu. O que significa que o elenco é bem diversificado e a série entrou para a lista das pequenas séries de famílias asiáticas-americanas que vem ganhando seu espaço (mesmo que ainda pequeno) na grande Hollywood (que ainda é muito branca, convenhamos).

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Quem Teme a Morte e a história que precisamos

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[Descrição da imagem] Foto da capa do livro. No alto, o nome da autora, Nnedi Okorafor. Posicionados no restante da capa há uma figura da protagonista de costas, em um deserto, com três figuras humanas ao longe. O título está ao lado: “Quem Teme a Morte – Onye e a Profecia”. A capa também exibe os dizeres “Na África do futuro, Onye, uma garota com superpoderes, luta heroicamente para salvar um mundo hostil e devastado”.

Aviso: O texto aborda a questão do estupro em alguns trechos de forma que pode ser sensível para algumas pessoas.
Não são muitas as vezes que temos oportunidade de “sair da caixinha” em termos de literatura: personagens padrões em ambientes padrões é a norma para maior parte das obras, principalmente aquelas que chegam bonitinhas em forma de livro físico nas livrarias. Esse padrão, em geral, tem classe, cor, gênero… Basicamente, segue o nosso entendimento enquanto sociedade do que seria o “padrão”. Por isso se fala tanto sobre a importância da representatividade.

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