#desafiopave: O Enterro das Minhas Ex

#desafiopave - O Enterro das Minhas Ex 1

[Descrição da imagem]: Parte da capa do quadrinho, com o nome da autora acima, Gauthier, e centralmente o título da obra, O Enterro das Minhas Ex, tendo ao redor algumas folhas caindo.

Acompanhar uma parte da vida de Charlotte foi uma experiência breve e deliciosa, proporcionada por O Enterro das Minhas Ex. Entre a protagonsita e eu, identifiquei algumas coisas em comum, um dos motivos que fez a leitura desse quadrinho ter sido tão agradável. A história, da autora Anne-Charlotte Gauthier (com tradução de Fernando Scheibe e publicada pela Editora Nemo), trata do crescimento e amadurecimento de Charlotte, utilizando para tal seus encontros com meninas que foram paixonites, crushs, amores da vida etc.

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3 motivos para assistir Andi Mack, a nova série da Disney: de protagonistas asiáticas, drama familiar cativante à quebra de estereótipos

Como começar esse post a não ser falando que eu não sei o que dizer, apenas sentir?

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Hoje eu venho aqui falar um pouco sobre Andi Mack, da Disney Channel, e introduzir um pouco dessa série maravilhosa e promissora para vocês. Pode parecer um pouco estranho eu vir aqui indicar uma série da Disney, que certamente é voltada para um público mais jovem e tem uma linguagem diferente de séries da Netflix, Freeform, CW, Fox e tantas outras. Mas essa é uma série que vale a pena falar sobre, divulgar e faço com um sorriso no rosto e de coração aquecido.

Vamos começar dizendo que Andi Mack é uma série criada por Terry Minsky, o mesmo criador de Lizzie McGuire, a série pré adolescente que tinha Hilary Duff como protagonista. Lizzie McGuire fez um baita sucesso, tanto que teve até filme (já passou na ilustre Sessão da Tarde e no Corujão também). Mas esse post não é sobre ela.

Andi Mack é um spin-off de Lizzie McGuire, eles disseram. Mas a verdade é que Andi Mack tem vida e voz própria. A única coisa em comum que Andi tem com Lizzie é que ambas possuem o mesmo criador e ambas são séries teens de comédia com uma protagonista, de inicialmente, por volta dos 13 anos. Andi Mack, no entanto, está muito longe de ser uma continuação da série teen da menina loira de 13 anos e seus dramas adolescentes. Pois Andi é uma menina de 13 anos, de ascendência asiática, em uma família birracial e não convencional. É isso mesmo que você leu. O que significa que o elenco é bem diversificado e a série entrou para a lista das pequenas séries de famílias asiáticas-americanas que vem ganhando seu espaço (mesmo que ainda pequeno) na grande Hollywood (que ainda é muito branca, convenhamos).

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Quem Teme a Morte e a história que precisamos

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[Descrição da imagem] Foto da capa do livro. No alto, o nome da autora, Nnedi Okorafor. Posicionados no restante da capa há uma figura da protagonista de costas, em um deserto, com três figuras humanas ao longe. O título está ao lado: “Quem Teme a Morte – Onye e a Profecia”. A capa também exibe os dizeres “Na África do futuro, Onye, uma garota com superpoderes, luta heroicamente para salvar um mundo hostil e devastado”.

Aviso: O texto aborda a questão do estupro em alguns trechos de forma que pode ser sensível para algumas pessoas.
Não são muitas as vezes que temos oportunidade de “sair da caixinha” em termos de literatura: personagens padrões em ambientes padrões é a norma para maior parte das obras, principalmente aquelas que chegam bonitinhas em forma de livro físico nas livrarias. Esse padrão, em geral, tem classe, cor, gênero… Basicamente, segue o nosso entendimento enquanto sociedade do que seria o “padrão”. Por isso se fala tanto sobre a importância da representatividade.

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Boicote a Ghost in The Shell (A Vigilante do Amanhã): o whitewashing em sua forma mais descarada

Vamos direto ao ponto: o filme live action Ghost in The Shell ou A Vigilante do Amanhã (como foi traduzido aqui no Brasil), estrelado por Scarlett Johansson, estreou ontem (30/03) nos cinemas. Com todo o burburinho que a produção vem tendo desde quando foi anunciado que ScarJo protagonizaria um clássico do mangá e animação japonesa, você com certeza já deve ter ouvido falar do filme. Hoje venho falar os problemas da produção e porque não devemos apoiar este longa metragem e não devemos ir assisti-lo no cinema – isso implica que tem um público que aceita e está disposto a pagar para ver isso. Produções feitas e estreladas por pessoas diversas e não brancas é que devem ter o nosso apoio.

O motivo principal e mais óbvio do problema do live action é justamente uma atriz branca ter sido escalada para representar uma personagem asiática, de ascendência japonesa. Se você acompanha o Pavê há algum tempo, sabe muito bem o quanto valorizamos e falamos sobre representatividade e diversidade aqui. Sobre a importância da representatividade, temos um post completo feito pela Bia e sobre outro caso de whitewashing de asiáticos em Hollywood, temos o post sobre Death Note da Laura.

Afinal, sobre o que é essa história? Ghost in The Shell é um mangá criado por Masamune Shirow. Se passa numa realidade futurística não tão distante, em que as tecnologias estão avançadas a um nível que os seres humanos conseguem acessar informações com seus cyber-cérebros. A protagonista Major Motoko Kusanagi é líder da Seção 9, um esquadrão anti-terrorista responsável por combater o crime. A temática principal da história é o que significa ser humano, explorada de uma forma muito filosófica através, principalmente, da Major, que foi tão modificada que tudo de humano que lhe resta é como um fantasma (ghost), em um corpo robótico (o seu shell, concha em inglês).

Ghost in The Shell rendeu muitas adaptações, tanto longas metragens como séries e jogos. Uma das principais adaptações japonesas é o filme de 1995, dirigido por Mamoru Oshii e a versão que mais serviu como base para o longa de 2017. Outras versões são continuações em mangá e filme, como Ghost In The Shell 2: Man/Manchine Interface e Ghost In The Shell 2: The Age of Innocence (2004); e a famosa série Ghost In The Shell: Stand Alone Complex (2003).

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Descrição da Imagem: Ao lado esquerdo, Motoko Kusanagi no filme animado de 1995, de cabelo curto escuro e olhos azuis, com traços japoneses de animês, olhando para sua mão à sua frente. Do lado direito, Scarlett Johansson, mulher branca de pele pálida, cabelo curto e escuro de pontas azuladas, encarando o vazio na adaptação de 2017.

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Representatividade: Uma conversa sobre mídia, diversidade e inclusão

Como toda criança, sempre fui fascinada por histórias — tanto as que lia nos livros como as que via na TV e no cinema. Acredito que todas elas contribuíram de alguma forma, por menor que seja, para formar a pessoa que sou hoje. E sei que milhares de pessoas diriam o mesmo sobre o impacto da ficção em suas vidas. Assim, o que quero discutir hoje no blog é o modo como a ficção pode impactar a vida de todas as pessoas, mesmo aquelas que não estão tão intensamente envolvidas com esse universo, e a importância de termos histórias mais inclusivas que reflitam a realidade do mundo em que vivemos. Em outras palavras, a importância da representatividade na ficção.

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[Descrição da imagem: Montagem com alguns personagens de filmes e séries de TV. Da esquerda para a direita: Korra, do desenho A Lenda de Korra; Kelly e Yorkie, da série Black Mirror; Wil e Vivian, do filme Saving Face; e Chiron, do filme Moonlight – Sob a Luz do Luar]

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Her Story: Mulheres trans contam suas próprias histórias e por que você deve ouvi-las

Bom, pra começo de conversa, esse post devia ter saído no mês de janeiro — pelo fato de janeiro ter sido o mês da visibilidade trans — então peço as mais sinceras desculpas. Mas precisamos falar sobre representatividade e pessoas trans todos os meses do ano. E, obviamente, por ser uma pessoa cis, não é meu lugar de fala. E é por isso que vim falar de Her Story. Porque a websérie conta a história de mulheres trans por mulheres trans. Mulheres que passam por isso, que fazem parte da nossa sociedade, mulheres que raramente vemos representadas na mídia e ainda mais quando não é um homem cisgênero fazendo o papel de uma mulher trans. E ainda melhor: são histórias de mulheres trans, contadas por mulheres trans. Mulheres que definitivamente sabem sobre o assunto e podem falar com autoridade sobre, vim transmitir um pouco da sensação maravilhosa que tive de aprender, me divertir e me sensibilizar com elas, de forma que você também possa ter a experiência de assistir Her Story e enxergar a história dessas incríveis mulheres. Além disso, a série foi indicada ao Emmy.

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[Descrição da Imagem: Uma montagem de oito fotos com pessoas da produção da série e a logo da série no meio da imagem. No canto superior esquerdo, quatro pessoas visualizam a filmagem no visor da câmera, sendo duas delas, Laura Zak e Angelica Ross.Ao lado direito dessa foto e no centro da imagem, uma selfie da atriz e produtora Jen Richards com Angelica Ross. Ao lado direito desta, uma mulher cantando, sendo uma personagem secundária da série. E a última imagem no canto superior direito é uma foto de Angelica Ross de rosa e Christian Ochoa, que interpreta o personagem James, interesse romântico de Paige. No canto inferior esquerdo, temos uma das mulheres da produção segurando uma das câmeras de filmagem. Ao lado direito desta, a imagem de Paige aparece em um visor de uma câmera. Ao lado direito desta, uma foto de Jen Richards com Gwen Locke, também trans, faz parte da equipe de gravação. Por último no canto inferior direito, uma foto das atrizes Laura Zak e Fawzia Mirza.]

Já sabia que a Jen Richards, que atua no papel de Violet, escreveu roteiro juntamente com Laura Zak, que interpreta a Allie, e também as duas foram produtoras da série. A Jen é ativista e sempre procura dar visibilidade para pessoas trans em seus discursos. Só ao saber disso eu já esperava um roteiro bem desenvolvido e construído, além de uma produção maravilhosa. Fiquei deslumbrada ao descobrir que chega a ser muito mais abrangente, não só a Jen como roteirista e atriz trans na produção, como ainda mais atrizes trans, mulheres trans como produtoras, diretoras, além da série ressaltar a história de pessoas trans dentro da comunidade lgbt e especificamente, da comunidade lésbica, temos atrizes lésbicas representando essas personagens também. Tudo feito com uma produção impecável e muito representativo. Representatividade. É essa a palavra. Dentro e fora da câmera. E ainda desenvolvida muito bem em todo o roteiro. Deve ser uma das séries mais bem executadas que eu já vi. E certamente uma das minhas favoritas da vida.

           Trailer da websérie Her Story, com legendas disponíveis em português

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Paralimpíadas começaram! 5 curtas metragens sobre pessoas com deficiência que todo mundo deveria ver

Então ontem foi a cerimônia de abertura das Paralimpíadas e oficialmente os jogos foram iniciados. O que você sabe sobre pessoas com deficiência? Já parou pra pensar que além de ter pouca representação na mídia, como em produção audiovisual, tais como filmes, novelas e séries, ainda há muitas falhas de inclusão? Ainda há muito estigma, preconceito, falta de informação sobre o assunto, como praticar a inclusão e também a empatia (que é diferente de sentir pena). Que tal praticarmos um pouco de empatia e se colocar no lugar dessas pessoas e entender a beleza que existe em ser exatamente quem elas são e como são. Aqui vão algumas indicações de curtas metragens sobre pessoas com deficiência, sob suas perspectivas e que simplesmente não tem nada de errado em ser diferente.

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