Deuses Americanos: Mitologia e a Mídia Moderna

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Como em todo blog literário, não dá pra escapar um assunto em especial. Sim, está na hora de falarmos em Neil Gaiman.

Neil Gaiman é um autor britânico de vários livros de fantasia para adultos e também da icônica série Sandman. Em especial é conhecido pelo seu bom humor, suas palestras, e o fato de que nunca penteia o cabelo.

Esse mês de abril é ainda mais especial nesse caso porque iremos tratar de uma das principais obras de Gaiman – Deuses Americanos.

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As Mil Noites: Fantasia no universo feminino

Eu amo ler fantasia e é facilmente um dos meus gêneros preferidos. Consegui devorar de tudo um pouco — do clássico até o mais novo, do infantil até o adulto. Mas uma coisa que sempre acabou me incomodando é a falta de personagens femininas dentro desse universo, ou personagens mulheres que não fossem completamente masculinizadas, e que são valorizadas apenas por serem “como homens”.

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Isso acontece bastante no gênero fantástico, infelizmente. Personagens como Brienne e Arya, em Game of Thrones, são valorizadas e amadas porque elas têm espadas, porque elas lutam, porque são tradicionalmente mais como homens. Personagens como Sansa Stark são completamente deixadas de lado, vistas como fracas. Até a própria Daenerys é vista assim, até ela conseguir os dragões. Vi muitas discussões sobre isso, principalmente quando tratamos do 5º livro — Daenerys é ótima personagem enquanto está destruindo cidades, montada em dragões, mas quando está em um conflito amoroso, sem saber onde ir, é novamente vista como fraca.

Eu poderia ficar aqui anos e anos explicando todas as milhares de coisas que me incomodam no tratamento das personagens femininas em fantasia, tanto pelos autores como pelos leitores. Como não são valorizadas, como frequentemente são reduzidas a objetos na trama, ou como sempre acabam sendo deixadas de lado. O universo feminino não é bem vindo na fantasia, e as mulheres dentro dele – as autoras, principalmente – tem que lutar por seu espaço.

Então eu li As Mil Noites, de E. K. Johnston. E eu me apaixonei por completo. Continuar lendo

Misery: Quando a fandom vai longe demais

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É uma verdade universal reconhecida que um jovem em busca de algo de terror para ler inevitavelmente vai acabar na sessão de Stephen King.

Comecei a ler King com O Iluminado e depois Carrie. São dois de seus melhores livros, com certeza, e grandes clássicos perpetuados através das telonas. Contudo, nenhum dos dois conseguiu evocar dentro de mim a sensação que eu buscava nessas histórias — o medo mais profundo, aquela sensação de inquietação dentro de si.

Mas até hoje, o único livro de Stephen King que me intimidou de verdade foi Misery. Continuar lendo

Aniquilação: a Ficção Científica em seu melhor

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Confesso primeiramente que comecei a ler Aniquilação de Jeff Vandermeer porque vai sair um filme com a Natalie Portman e a Gina Rodriguez em 2017. Em segundo lugar confesso que peguei para ler para atualizar a meta de leitura no goodreads: o livro tem 190 páginas, relativamente curto para o meu padrão usual de leituras de mais de 400 páginas. Eu estava atrasada, e queria voltar a ficar em dia.

Quando comecei a ler Aniquilação no ônibus, não estava esperando ficar com arrepios e não conseguir dormir de noite. Fui sem ler a sinopse, e aqui fica a terceira confissão da minha leitura: comprei o livro porque a capa era bonita. Mas olhem pra elas: elas são lindas! Quem não compraria esse livro? Já sabia que era ficção científica, um gênero que se encontra meio morto se comparado com fantasia hoje em dia, mas era praticamente a única informação que eu tinha antes de abrir o livro.

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