Boicote a Ghost in The Shell (A Vigilante do Amanhã): o whitewashing em sua forma mais descarada

Vamos direto ao ponto: o filme live action Ghost in The Shell ou A Vigilante do Amanhã (como foi traduzido aqui no Brasil), estrelado por Scarlett Johansson, estreou ontem (30/03) nos cinemas. Com todo o burburinho que a produção vem tendo desde quando foi anunciado que ScarJo protagonizaria um clássico do mangá e animação japonesa, você com certeza já deve ter ouvido falar do filme. Hoje venho falar os problemas da produção e porque não devemos apoiar este longa metragem e não devemos ir assisti-lo no cinema – isso implica que tem um público que aceita e está disposto a pagar para ver isso. Produções feitas e estreladas por pessoas diversas e não brancas é que devem ter o nosso apoio.

O motivo principal e mais óbvio do problema do live action é justamente uma atriz branca ter sido escalada para representar uma personagem asiática, de ascendência japonesa. Se você acompanha o Pavê há algum tempo, sabe muito bem o quanto valorizamos e falamos sobre representatividade e diversidade aqui. Sobre a importância da representatividade, temos um post completo feito pela Bia e sobre outro caso de whitewashing de asiáticos em Hollywood, temos o post sobre Death Note da Laura.

Afinal, sobre o que é essa história? Ghost in The Shell é um mangá criado por Masamune Shirow. Se passa numa realidade futurística não tão distante, em que as tecnologias estão avançadas a um nível que os seres humanos conseguem acessar informações com seus cyber-cérebros. A protagonista Major Motoko Kusanagi é líder da Seção 9, um esquadrão anti-terrorista responsável por combater o crime. A temática principal da história é o que significa ser humano, explorada de uma forma muito filosófica através, principalmente, da Major, que foi tão modificada que tudo de humano que lhe resta é como um fantasma (ghost), em um corpo robótico (o seu shell, concha em inglês).

Ghost in The Shell rendeu muitas adaptações, tanto longas metragens como séries e jogos. Uma das principais adaptações japonesas é o filme de 1995, dirigido por Mamoru Oshii e a versão que mais serviu como base para o longa de 2017. Outras versões são continuações em mangá e filme, como Ghost In The Shell 2: Man/Manchine Interface e Ghost In The Shell 2: The Age of Innocence (2004); e a famosa série Ghost In The Shell: Stand Alone Complex (2003).

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Descrição da Imagem: Ao lado esquerdo, Motoko Kusanagi no filme animado de 1995, de cabelo curto escuro e olhos azuis, com traços japoneses de animês, olhando para sua mão à sua frente. Do lado direito, Scarlett Johansson, mulher branca de pele pálida, cabelo curto e escuro de pontas azuladas, encarando o vazio na adaptação de 2017.

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