Adaptar é Sobreviver: a reinterpretação de livros em mídias diferentes

Semana passada lançou na Netflix um dos filmes mais aguardados do ano para mim — Annihilation. Se você acompanhou o blog, eu falei um pouco sobre o livro ano passado, e como eu adorei a maneira que o autor desenvolveu a história. Não sabia como iria ficar o conteúdo final do filme, ou como o diretor ia explorar os temas da mesma maneira evocativa que fez o livro.

annihilation-review

#pracegover: imagem do filme Aniquilação, com as cinco protagonistas de costas prestes a entrar em uma barreira que parece uma bolha de sabão.

O resultado foi que o filme, em trama, não tem nada a ver com o livro. Apesar de começar com a mesma premissa (uma bióloga que se voluntaria para uma missão perigosa na área X), o filme vai em uma direção completamente diferente. E no entanto, ao terminar de ver o filme, senti que ainda assim Alex Garland conseguiu passar a mesma mensagem que o livro trouxe, e explorar o mesmo tema de maneiras completamente diferentes.

E então me fiz a pergunta: o que exatamente faz uma boa adaptação?

Continuar lendo

A humanização dos monstros

Estava sem ideia para um post essa semana então resolvi entrar em um dos meus assuntos favoritos: vilões. Eu sou facilmente uma daquelas pessoas que torce mais pro vilão do que o mocinho na maioria dos filmes, e que fica desapontada quando não é dada a devida atenção aos vilões de uma narrativa (estou olhando pra você, Marvel). O fato é que vilões sempre me interessaram, talvez da primeira vez que assisti Star Wars com uns quatro anos e o Darth Vader apareceu, e acho que é importante discutir porquê.

“Ah mas Laura eu não acredito que você vai defender vilões nesse post!!!”, eu ouço sua indignação vinda do além e cruzando todos os planos metafísicos pra chegar em minhas orelhas.

Alto lá, camarada. Eu não disse defender. Mas eu queria discutir um pouco do porque às vezes nos apegamos mais a eles do que aos mocinhos.

Continuar lendo

Curtas WE ARE – Issa Rae Productions

Bom, hoje assim como no post do primeiro dia desse mês, eu trago 5 links de vídeos do Youtube maravilhosos, porém com uma proposta diferente. Já que sextou, que tal uma série de curtas para assistir?

weare1

[Descrição da Imagem: sete mulheres (seis negras e uma latina) estão sentadas em cima de um tapete, no meio de um salão onde foi uma exposição de fotos e festa, e estão de braços extendidos brindando com copos de plástico vermelho, em tom de celebração e confraternização. Cena do curta We are – Everything, comentado no fim do post.]

Assim que assisti o primeiro curta da série WE ARE, me apaixonei instantaneamente. É produção de qualidade. É narrativa e roteiro trabalhados com tanta sutileza, presença, contemporaneidade e coração ao mesmo tempo. São histórias de milhares de mulheres negras – aquelas histórias que a gente não vê com frequência na TV – de cenas cotidianas sobre a vida, narrativas humanas, autênticas e muito reais.

Continuar lendo

The Path: as dores e perdas de amadurecer

The Path 1

Na Sexta Livre de hoje trazemos mais um post do universo dos games e mais uma coisinha especial: um convidado escrevendo sobre! Joris veio trazer um pouco das suas impressões sobre o jogo The Path, para que trilhassemos juntos essa jornada.

Enfrentar pela primeira vez o significado da morte. Levar “rasteiras” de pessoas que confiávamos e resolvem nos trair. Lidar verdadeiramente com o sexo, com o qual apenas enxergávamos sob uma aura misteriosa e ao mesmo tempo atraente. Descobrir que há coisas terríveis sobre nós mesmo, características que não gostaríamos de possuir. Tantas e tantas experiências que nos traumatizam. E nos fazem crescer.

Crescer é aterrorizante.

Crescer significa questionar o que os seus pais, familiares e professores te ensinam que é certo desde que você é pequeno. Crescer significa também saber que as respostas estão a nosso alcance, apenas esperando para serem descobertas, mas para que façamos isso, nós precisamos sair da Trilha.

Precisamos sair do caminho que nos ensinam ser o mais seguro e correto para explorar os lugares estranhos e misteriosos, onde se escondem sentimentos e desejos novos. O ato de explorá-los é assustador e desorientador, mas nós precisamos fazer isso porque se continuarmos na Trilha e nunca explorarmos a floresta escura e estes sentimentos, nós jamais saberemos nada sobre a vida e sobre nós mesmos.  Viveremos uma mera projeção da Trilha que traçaram para nós.

Continuar lendo

A pirataria no mundo literário (e porque ela é muito prejudicial)

Vou começar esse post com uns avisos prévios.

O primeiro aviso é que vai ser longo. Vou incluir estudos/links e afins pra quem quiser se aprofundar no assunto e se jogar. O segundo aviso é que eu não estou aqui pra condenar ninguém – apenas para informar mais sobre o fenômeno da pirataria nos livros, e todas as causas e consequências.

(Sim, vai ser tipo uma tese, então pegue um café, um sanduíche e venha com a gente).

b_wbsevweaei4q9

Continuar lendo

O mundo dos que não ouvem.

É um mundo que existe, um mundo que poucos param pra enxergar ou só percebem que ele está entre nós quando vemos gente falando em linguagem de sinais em alguma parte do nosso dia-a-dia.

É uma comunidade integrada e muitas vezes segregada da nossa comunidade. O que isso quer dizer? “Sabemos que elas existem, mas não temos nada a ver”. Isso é o que parece por essa comunidade estar tão “escondidinha” assim da maioria ouvinte. Poucos são aqueles que sabem falar em linguagem de sinais (aqui no Brasil é chamado de Libras), nem que sejam profissionais da educação para enfrentar esse tipo de situação quando os convierem.

Estou falando do mundo dos surdos ou deficientes auditivos.

Sou surda, com perda severa em ambas as orelhas e diagnosticada com Sindrome de Menière.

Estamos aqui, o tempo todo. E nós falamos e nos comunicamos. Como parte desse grupo, venho aqui contar um pouquinho sobre nós e porque queremos ter mais inclusão.

Nós surdos, tanto oralizados (que falam) quanto sinalizados (que se comunicam por linguagem de sinais) enfrentamos um bocado de coisas diariamente. Nós sentimos falta de acessibilidade numa penca de coisa, por exemplo, disque 0800 por telefone caso alguma emergência. Dá pra sacar a incoerência? Então, as coisas não param por aí.

Um dia eu quis ver filme brasileiro pra resenhar pro blog, quem disse que consegui? Entendi nadinha. Não tinha legenda! Disse praticamente  porque nenhum filme brasileiro tem legendas, nem filmes infantis. Tudo dublado. Disse também praticamente porque dizem que está mudando e, graças às manifestações ocorridas ao longo de 2016 e 2017 dos surdos nos cinemas, agora isso está gerando resultados. Esperamos até novembro para ver, porque agora todos os cinemas terão a obrigatoriedade de colocar legendas em todos os seus filmes por causa da normativa 128 da Ancine.

Não é só isso que enfrentamos diariamente. Temos uma penca de lista pra dizer que, ó, precisamos de uma ajudinha, pessoal! A falta de compreensão da família é muito comum. Todo surdo tem uma história pra contar sobre isso, como por exemplo berram ao invés de cutucar. Não é só na família que acontece, é geral. Sobre não ter a casa adaptada. E se dá um incêndio? Como iremos ouvir os alarmes de incêndio? A TV com a Close Captions atrasadas e, muitas vezes, com frases inacabadas. É horrível assistir TV através dela! Eu até já desistir 😩. Campanhia? Como iremos saber que alguém tá na porta esperando pra nós abrirmos? Deveria ter luz para sinalizar, não é mesmo? Iluminação adequada. Nós dependemos muitas vezes da nossa visão, grande parte das vezes para fazer a leitura labial do amigo que fala com a gente. Balada? Não tem essa pra muitos de nós. Muito ruído pra quem usa aparelho auditivo ou implante coclear, escuro demais pra fazer leitura labial. Não rola, parceiro.

Aeroportos não é um local muito legal pra gente, sabe? A gente tem que ficar quase como doido perguntando para os atendentes qual é o novo portão do embarque. Isso quando não temos acompanhamento, o que fácil de acontecer em aeroportos maiores. Atualmente está melhorando nesse quesito, mas vou te dizer, não é fácil.

Sem contar os impactos sociais que temos, seja no lazer, dia-a-dia, no namoro, no trabalho e na faculdade ou colégio.

É uma forninho que a gente segura todo dia. É pesado. Cansa. Dá até dor de cabeça.

Mas queria fazer esse post dedicando um pouquinho a nossa trupe forte e quase gritando aqui “PRECISAMOS DE INCLUSÃO!”, porque é, gente, nós estamos aqui, nós falamos e até não conseguir nossos direitos faremos muito barulho. Pode apostar.

Então me conta o que achou desse post nos comentários, vamos discutir, trocar experiências e quem quiser contar um pouco de sua história. Vou adorar saber!

Só não vale mandar áudio no WhatsApp, tá?

Luiza meus textos | twitter | skoob | blog pessoal
Amo literatura, filmes de época, escrevo por hobbie e pesquiso porque sou mesmo curiosa. Vivo com a cabeça na lua e sou extremamente sonhadora. Amo ouvir histórias. E meu sonho é contá-las.

Playlist: Mulher, você é f*da!

Hoje em dia, muitas pessoas são usuárias da plataforma Spotify, um serviço de música digital com um imenso número de títulos e artistas em seu acervo, e oferece tanto o plano gratuito como o premium.

100-feministas

[Descrição da Imagem: Ilustração da capa do single 100% Feminista, com MC Carol na esquerda e Karol Conka na direita.]

E é nessa plataforma que eu montei uma playlist especial, feita principalmente para nós, mulheres. Afinal, quem não gosta de música? É uma arte tão vasta, com uma variedade tão grande, e mesmo que você não goste de um gênero específico, vai ter outro para agradar todos os gostos. E a música é poderosa. A música traz sentimento, traz reflexão, traz diversão, traz harmonia, traz dança, traz prazer, traz acolhimento. A música tem diversos poderes e reações diferentes na gente. Podemos nos encontrar nela, ser abraçados por ela e nos sentirmos bem, ou nos sentirmos mal, junto à ela; ou simplesmente dançar e aproveitar o momento. Ela também pode ser feita para empoderar. 

Continuar lendo