Halloween uma ova: Hoje é dia do Saci!

Você sabia que dia 31 de outubro é dia do Saci? Um projeto de lei federal de 2003 instituiu a data com o objetivo de celebrar as figuras tradicionais do folclore brasileiro, em contraposição ao Halloween ou Dia das Bruxas. Nós aqui do Pavê respeitamos e apreciamos muito as tradições de outros países (meu primeiro post do mês, por exemplo, foi sobre um filme japonês), mas também amamos e valorizamos as nossas. Por isso, o post de hoje é uma homenagem ao dia do Saci e ao folclore brasileiro.

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Os lobisomens do cinema contemporâneo

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Cresci indo visitar minha tia nos feriados e finais de semana. Morando em outra cidade, na roça, ela sempre tinha uma história ou outra sobre o cemitério local, causos de onça e corpos secos – uma criatura típica do interior. Apesar do medo, eu curtia ouvir os contos e sempre me animava quando outra pessoa tinha uma nova história para contar – nem que fosse para dar risada da situação toda. Mas a história mudava um pouco de figura quando a gente tinha que ir da Igreja pra casa dela no escuro, à luz de lanternas com pouca pilha, ou quando eu acordava no meio da noite, deitada na cama de baixo da beliche, e ouvia os cachorros correndo e uivando do lado de fora da casa.

Nessas horas, uma só palavra passava pela minha cabeça: Lobisomem. Continuar lendo

Misery: Quando a fandom vai longe demais

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É uma verdade universal reconhecida que um jovem em busca de algo de terror para ler inevitavelmente vai acabar na sessão de Stephen King.

Comecei a ler King com O Iluminado e depois Carrie. São dois de seus melhores livros, com certeza, e grandes clássicos perpetuados através das telonas. Contudo, nenhum dos dois conseguiu evocar dentro de mim a sensação que eu buscava nessas histórias — o medo mais profundo, aquela sensação de inquietação dentro de si.

Mas até hoje, o único livro de Stephen King que me intimidou de verdade foi Misery. Continuar lendo

Terror nos Bastidores e as mulheres que intimidam

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Chegando aos dias finais desse outubro maravilhoso de Pavê Trevoso, trago a vocês um filme que facilmente pode acabar sendo ignorado pelos fãs de terror e de cinema em geral, sendo identificado como uma comédia de terror que, à primeira vista, parece ser um mais do mesmo de sátiras do gênero. Entretanto, ainda que eu não seja uma pessoa que costuma acompanhar filmes de terror (ao contrário, fujo deles em nome das minhas noites bem dormidas), me arrisco a dizer, mesmo para os fãs: Terror nos Bastidores merece ser assistido.

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O gótico suave em O Castelo de Otranto

Outubro ainda não terminou, então Pavê Trevoso ainda tá por aqui pra encher a vida de vocês com muita obscuridade. E nessa segunda-feira vamos falar sobre mais um livrinho nessa temática maravilhosa que tanto adoramos, mas não é qualquer livro não! Vamos falar da história que é rainha mãe da literatura gótica, aquela diferentona que todos quiseram copiar; porque antes de Stephen King, antes de Bram Stoker, antes de Mary Shelley, antes mesmo de Ann Radcliffe, era o romance O Castelo de Otranto, de Horace Walpole, que trazia esse gênero incrível para nossas vidas. E é sobre ele que vamos falar hoje.

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Monstress: Poder feminino, guerra e humanidade

Eu gosto muito de Avatar (o desenho, não o filme do James Cameron). Muito mesmo. E desde o fim de The Legend of Korra, há quase dois anos, fiquei órfã de uma série com uma protagonista feminina complexa, personagens diversos e ambientação em um universo fantástico não-eurocêntrico. Foi aí que surgiu Monstress pra preencher esse vazio no meu coração.

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tw: guerra, escravidão, nudez.

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As aves assassinas de Hitchcock em Os Pássaros (Parece que o jogo virou, queridinha!)

Muitos conhecem o aclamado Psicose, de Alfred Hitchcock, um grande clássico do terror e o longa mais famoso do diretor. No entanto, venho aqui falar de aves atacando pessoas furiosamente e deixando vários rastros de sangue por onde passam. Isso mesmo, com vocês: Os Pássaros!

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A história começa quando Melanie Daniels (Tippi Hedren), encontra com Mitch Brenner, um homem que quer comprar um par de lovebirds ou agapornis (como conhecidos aqui no Brasil) para o aniversário de sua irmã caçula, em uma loja de aves em São Francisco. Ele reconhece Melanie de um encontro anterior, mas ela não se lembra dele, então, como uma brincadeira, ele finge confundi-la com uma vendedora e ela cai na pegadinha: por educação, o atende como se fosse uma funcionária do local. Ela mostra a loja e os tipos de aves totalmente atrapalhada e insegura (afinal ela não trabalha ali nem é especialista em aves, não é mesmo?) não sabe dizer bem os nomes, nem responder as milhares de perguntas que ele faz e quase perde um canário ao tentar vendê-lo para Mitch em troca dos lovebirds (já que esses não possuíam na loja). Mitch faz um trocadilho quando pega o passarinho que Melanie deixou escapar dizendo o nome dela e então, ela percebe o que aconteceu e acorda pra vida.  “Como fui trouxa” – pensou Melanie – “Mas não me permitirei ser feita de trouxa outra vez”.

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